segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Caçador de ilusões




Preciso urgentemente de ilusões coloridas
De quaisquer tamanhos, nem precisam ser formosas
Arranja-me uma pequena do tamanho da minha vida
Mas que não seja tão frágil como as pétalas de uma rosa...

Quantas ilusões eu tinha! Tantas! Todas!
Nos meus tempos de primavera! Doce menino!
Dai-me a ilusão pretendida e calmamente me acomoda,
E nos muitos alaridos de agradecido já não serei perdido...

Traga-me a ilusão que se recicla e não diga nada!
Olha-me como quem me deu a vida novamente,
E feliz apenas contemplemos o final desta caçada...

E quando mais! Essa ilusão não servir!
Saberemos que a busca recomeçou desesperadamente!
Nesta vida onde tantos estão a dormir.





Nuwanda... Acordado!

"Dedicado à você Patrícia, companheira na árdua jornada de pensar diferente em um mundo de iguais..."

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Prosa?



Nunca senti-me como fazendo parte de algo,
Algo realmente concreto, duradouro.
Vivo como se fosse um mero passageiro,
Não que minhas atitudes não tenham consequências,
Mas, como alguém que antes de tudo observa.
Mas, hoje depois de todo condicionamento sofrido,
Não mais penso em destinos, portos ou paraísos.
Escuto muitos planos todos os dias
Todos eles sob os auspícios de deus,
Carros novos, sonhos de casas próprias,
Amores eternos, príncipes encantados.
Estranhamente ou felizmente (ou não),
Nada disso realmente me importa. Nunca importou.
Isso sem contar no plano secreto de deus,
Cada vida uma missão, cada acontecimento um plano de algo maior.
Propósitos, desejos, sentido de vida,
Nada como algo que nos dê conforto e segurança.
Como a literatura predileta dos "brasileiros": "autoajuda"
Talvez não seja possível viver sem ela. Viva a autoestima.
Também concordo não ser uma forma de pensar "feliz"
Ou, que traga ao menos alguma forma de contentamento.
São nessas tardes "solitárias" que escrevemos,
De certa forma com alguma "verdade" nas mãos.

Nuwanda... "Se deus quiser!"

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Efêmero





No frêmito das paixões enlouquecidas
Que queimam como a palha ressequida
Ponho-me a questionar o que é o amor?
Para ter valor terá que ser eterna a dor?

Quem mente afinal? medíocres verdades...
Malditos desejos destes amores de falsidade
Na vã tentativa de direcionar o que não tem norte
Quebram-se os pedestais, sobra a morte...

Trago junto a inocência contida
Do sorriso e amor de uma criança,
O que mais teria sentido nesta vida?

Nada foi feito para durar...
Nada foi feito para ficar...
Nem mesmo nossos desejos egoístas...

Nuwanda... (Amém)

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Canção de mim


Na outrora alegria de menino
Hoje neste meu eterno cansaço!
De forçar essas mentes de sargaço!
Nas euforias do meu coração ultramarino...

Entenda-me! Conceba-me? Ó vã miragem...
Quem poderia ser feliz e ser sozinho?
Aos desesperados dou então o meu carinho...
Estando além do oceano bravio e selvagem!

Felicidade! Em meio aos seus desertos...
Abro os meus olhos e posso sentir-me desperto!
Vão-se os torpores das companhias sonolentas...

Acordo do sono que em mim se instalou!
Mesmo sendo o inaudito para toda essa gente...
Ainda assim feliz em mim em meio aos dormentes...


Nuwanda!!!

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Revelação


Sou oceano de dúvidas a cada dia na alvorada triste
Nos questionamentos infindáveis sobre o que sou
Me falta o chão, verdades que não mais sustentam minha vida,
Em mim sobra a interrogação do questionar desesperante...

Sou eremita na vastidão do meu próprio julgamento
Na solidão que consome as certezas desviantes
Sou pior, sou diminuto aos que crêem constantemente
E mesmo assim na penumbra vejo em mim algo novo iluminado

Já não resta o "ser" nesse "estar" que me desvelo
E estou diverso do que é diverso nesse mundo tão igual
Vão-se as ilusões e sigo com meus próprios passos vacilantes
Vivendo as mudanças! E nada sou! Nada dura felizmente...

Sem molduras! Sem muletas! Sou em mim mesmo o divino
E vejo o mundo como nunca antes foi visto!
Sou o advento do novo homem em extinção!
E na tristeza perceber que estou além de qualquer outro...

Nuwanda...(Alguns não precisam de fé)

domingo, 30 de outubro de 2011

Tortura


Tirar dentro do peito a emoção,
A lúcida verdade, o sentimento!
- E ser, depois de vir do coração,
Um punhado de cinza esparso ao vento!…

Sonhar um verso d´alto pensamento,
E puro como um ritmo d´oração!
- E ser, depois de vir do coração,
O pó, o nada, o sonho dum momento!…

São assim ocos, rudes, os meus versos:
Rimas perdidas, vendavais dispersos,
Com que eu iludo os outros, com que minto!

Quem me dera encontrar o verso puro,
O verso altivo e forte, estranho e duro,
Que dissesse, a chorar, isto que sinto!

Florbela Espanca

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Tempo



Momentos sublimes, segundos em minha vida,
Onde posso eternizar meu viver efêmero.
Na tua presença, nesse teu mirar sincero,
Nada mais é urgente, nem mesmo as tolas feridas...

Expandi os horizontes desse único destino,
Assim acalmo desvencilhado de tantos desejos.
Vislumbrando aquilo que ninguém quer ver... Exaspero.
Fulgores de todas as mentiras, trago a verdade! Sou paladino...

Loucura de perceber miriádes de tempo tão estranhas...
Sobra a solidão no topo da montanha...
Vendo então o fantasma de minhas mãos vazias....

Assim sonhos e esperanças esvaem-se na dura batalha...
E o sublime desmorona no segundo que se findou...
Finalmente alethéia! Na doce verdade de Mortalha!

Nuwanda.

domingo, 2 de outubro de 2011

Esquizofrenia...


Algo em mim se perdeu,
Confesso, entretanto que não sei o que é.
Estou completamente diverso, disperso, incomum...
E me inquieta esse estranho que se apresenta em mim.
Embora ser diferente atualmente signifique ser igual?

(...)

Assim sou o diferente do diferente,
Nessa jornada sem sentido, sem propósitos maiores.
Hoje foi divertido ver-me em meio à outras pessoas...
Realmente mudei muito, mais do que havia me permitido.
Escutando minha própria voz indiferente, voz de cemitério?

(...)

Meu corpo me dá sinais,
Grita em desespero alertando-me que já é hora.
Nas tonturas nauseantes desse mal estar, estou imóvel...
Para as decisões severas de alterar vidas que não são minhas.
Talvez por isso meu corpo trema,recue, acovarde?

(...)

É curioso mentir com a verdade na mão,
E nesse enfrentamento comigo mesmo eu sempre saio vencido.
Demonio incontido, carrasco irrascível, condenado...
Sofrimento arrastado dia após dia, midiocremente.
Aqui inerte, pensamentos insanos me apontam o caminho.

(descaminho?)

(Nuwanda?)(Raul?)

domingo, 25 de setembro de 2011

À mim mesmo?


Existe algo que me inquieta
na tênue linha do que é real
e dos fantasmas que me assombram.
Algo que não posso descrever para ninguém,
além de mim mesmo ou meramente gritar no silêncio,
destas páginas vazias, onde releio-me estranhamente.

Nestes descaminhos é que refaço-me e recrio-me,
mesmo nas descrenças que me assolam,
não crer em nada e ainda assim seguir...
Seria esse o amor incondicional? Aquele de quê nada se espera?
Desviante de mim, no desdenho egoísta das máscaras,
prefiro o eu desviante, do desconsolo, do incômodo!

Na normalidade brutal e imperceptível
tudo se torna incolor, tediosamente semelhante
organizado, padrões previsíveis do conforto burguês.
Talvez por isso minha anormalidade chame atenção?
No diferente de mim que tanto me desgasta,
criando para os outros: "eus" de mim que eu mesmo desconheço.

(...)

Na tênue realidade...
Do mirar que nada vê,desse real que se revela,
no olhar que limita em tons multifacetados e caleidoscópicos.
E talvez jamais veja algo em sua totalidade,
muito menos esse "ser" que eu mesmo não sei quem sou,
no mistério esquecido de si próprio sou o único viajante...


Nuwanda? [Não existem intervalos entre o que "desejo" ser e o que sou...]

sábado, 24 de setembro de 2011

Metade ( Osvaldo Montenegro)




Que a força do medo que tenho
Não me impeça de ver o que anseio;
Que a morte de tudo em que acredito
Não me tape os ouvidos e a boca;
Porque metade de mim é o que eu grito,
Mas a outra metade é silêncio...

Que a música que eu ouço ao longe
Seja linda, ainda que tristeza;
Que a mulher que eu amo seja pra sempre amada
Mesmo que distante;
Porque metade de mim é partida
Mas a outra metade é saudade...

Que as palavras que eu falo
Não sejam ouvidas como prece
E nem repetidas com fervor,
Apenas respeitadas como a única coisa que resta
A um homem inundado de sentimentos;
Porque metade de mim é o que ouço
Mas a outra metade é o que calo...

Que essa minha vontade de ir embora
Se transforme na calma e na paz que eu mereço;
E que essa tensão que me corrói por dentro
Seja um dia recompensada;
Porque metade de mim é o que penso
Mas a outra metade é um vulcão...

Que o medo da solidão se afaste
E que o convívio comigo mesmo
Se torne ao menos suportável;
Que o espelho reflita em meu rosto
Um doce sorriso que me lembro ter dado na infância;
Porque metade de mim é a lembrança do que fui,
A outra metade eu não sei...

Que não seja preciso mais do que uma simples alegria
para me fazer aquietar o espírito
E que o teu silêncio me fale cada vez mais;
Porque metade de mim é abrigo
Mas a outra metade é cansaço...

Que a arte nos aponte uma resposta
Mesmo que ela não saiba
E que ninguém a tente complicar
Porque é preciso simplicidade para faze-la florescer;
Porque metade de mim é platéia
E a outra metade é canção...

E que a minha loucura seja perdoada
Porque metade de mim é amor
E a outra metade... também.

Oswaldo Montenegro

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Vitoriana






Sociedade burguesa!
Com teus valores hipócritas!
Teus bens de consumo, desejos tão vis...
Tão rica! Riquíssima... Tão pobre! Mendiga...

Sociedade burguesa!
Olhai para o alto! Contemples a bela gaivota,
Nesse desejo de ser feliz, em meio à tristeza...
Pois não podereis jamais voar como o belo pássaro!

Sociedade pequena!
Fugindo da dor como fogem da responsabilidade
Criando jogos e vícios! Viva a segunda vida!
Nas ilusões que criam para suportar a cruel verdade:
Serem sozinhos entre amizades vazias, nos monitores silenciosos..

Sociedade falida!
Dêem um copo com a mais fina bebida!
Dêem um rosário de ouro maciço!
Dêem as palavras do deus inventado!
Que tudo acalenta o padecer de vidas vazias...

Sociedade alternativa!
Somos os que sofrem! Sofrimento é vida!
Neste pensar aflito e inquieto!
Somos os poucos que olhamos para baixo!
Neste lugar privilegiado somos os fortes! Guerreiros!

[Somos pequenos porque nas altas montanhas estamos,
aos olhos daqueles que não podem nos alcançar...


Nuwanda... [ Discípulo daquele que filosofou com o martelo...

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Culpa






Já foram tantas dores, tantas mortes!
Chagas abertas em mim em desordem,
Nessas horas sou o carrasco! Sou refém!
Cicatrizes tão profundas! Minha sorte?

Tudo isso em meu peito indiferente,
Pouco importa! Desdenhando destes fados!
No caminho dos desgraçados!
No calvário que me consome incessantemente...

Todas os punhais posso suportar!
Menos aqueles que te ferem...
Na ânsia masoquista de te amar!

Vendo-te por minhas mãos, ferida...
Rogo preces para os deuses que não creio!
Afastem a culpa disseminada dos meus atos suicidas...








Nuwanda...[ Ferir-te é suícidio...

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Ausência






Eu deixarei que morra em mim o


desejo de amar os teus olhos que são doces


Porque nada te poderei dar senão a mágoa


de me veres eternamente exausto.


No entanto a tua presença é


qualquer coisa como a luz e a vida


E eu sinto que em meu gesto existe o


teu gesto e em minha voz a tua voz.


Não te quero ter porque em


meu ser tudo estaria terminado,


Quero só que surjas em mim


como a fé nos desesperados


Para que eu possa levar uma gota de


orvalho nesta terra amaldiçoada


Que ficou sobre a minha


carne como nódoa do passado.


Eu deixarei... tu irás e encostarás


a tua face em outra face.


Teus dedos enlaçarão outros dedos e tu


desabrocharás para a madrugada.


Mas tu não saberás que quem te colheu fui eu,


porque eu fui o grande íntimo da noite,


Porque eu encostei minha face na face da noite


e ouvi a tua fala amorosa.


Porque meus dedos enlaçaram os dedos da


névoa suspensos no espaço.


E eu trouxe até mim a misteriosa essência do


teu abandono desordenado.


Eu ficarei só como os veleiros nos pontos silenciosos.


Mas eu te possuirei como ninguém porque poderei partir.


E todas as lamentações do mar, do vento, do céu,


das aves, das estrelas. Serão a tua voz presente,


a tua voz ausente, a tua voz serenizada.



Vinícius de Moraes

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Doce melodia




Cadências de sons entrecortados, rápidos!
Nessas horas onde pensar é insuportável
Quero os acordes mais loucos!
Nas gargalhadas do meu coração transpassado...


(Frenéticos! Incríveis! Perversos...)

Deixo a lei, as regras para os simples
Quero a transgressao do inteligível!
Normalis siga todas as regras!
Sou o anormal! Repetindo o som desconsertado!

(Frenéticos! Incríveis! Inaudíveis...)

Balbúrdia dos berros desesperados!
Melodia dos que podem ler-me!
E assim sou livre, nesse mundo de surdos!

(Frenéticos! Incríveis! Telúricos...)

Desse "Deus" nada quero!
Quero transgredir em pensamentos insanos!
Ambivalente! Tudo e nada! Possibilidades!

(Frenético! Insuportável! Extraviado...)

Nuwanda! Transgredir! Transgredir! Caos!

domingo, 4 de setembro de 2011

Penélope (Πηνελόπη)?




Na luta desenfreada de Ulisses em sua jornada
Ítaca ainda estará longe de ser alcançada
Mas a força do herói esta no seu amor contido
De sua doce amada na sua espera do tecer refletido...

Dez anos de luta, de sofrer e dor
Ulisses chega em seu objetivo: Ítaca e seu amor!
Filho e esposa em seu peito cativos
Doce Penélope fiel no seu querer possessivo...

Empolgantes os mitos gregos de heróis e amores
Dão esperanças para vidas envoltas em tantas dores
No desejo de se viver de verdade uma intensa vida!

Mas não existem Penélopes para curar as feridas!
Nem desejos que suportem o tempo sem agonias!
Nos fulgores dos amores diluidos de mentes vazias...

Nuwanda...

Sublime



Tudo é tão pequeno, ínfimo e irritante...[Repetitivo,
Por que o respirar para mim é tão difícil?
Sempre a tentar enganar-me com aquilo,
Que já sei que beira na superfície da mediocridade?


Interrogações na solidão dos sublimes...


No mundo dos ignorantes imediatistas!
Onde tudo é pequeno e fluído, finito...
Onde nada pode ser mais que sombras

Neste lugar:

Os sublimes são os tristes de semblante pesado...
Pois não há onde voar nesse hospício
Vão! São os sonhos! Amargos os desejos!


Por isso somos sozinhos!
Na solidão dos que podem mais!
Rindo das paredes de vento que essa massa ergue...
Somos o vento! Gelado! Destruidor! Divino...

E mesmo assim...

Somos os únicos que valem a pena
Os únicos que deixam marcas
Neste lugar onde tudo é igual é previsível.



Nuwanda!

sábado, 13 de agosto de 2011

Alétheia






Inferno permeado de tormentos
Que se sente em cada veia em cada milímetro
Tormento suportado na alegria dos atores!
Rodeado dos mais tenebrosos fantasmas...



Ranger de dentes nas madrugadas em claro!
Perda de tempo! Eis a essência incômoda de viver!
Quem sabe tornar sua mentira a mais sublime verdade?
Alétheia! Óh doce demonio...





Parecer ser! Parecer ter! Ser feliz...
Bendito os que sabem viver na superfície!
E nesse mundo de tantas luzes ser cego é saber ver...



Separados por abismos da mais repleta escuridão
E no paradoxo sombrio do pináculo de nossas vidas!
Só nós podemos ver Alétheia! A verdades dos profundos...



Nuwanda... Poemas de agosto,





quarta-feira, 13 de julho de 2011

Ágape



É neste amor ensandecido que te devoro!
Na loucura incontida dos amantes!
Para nós tudo é novo! Rivigoro!

Estamos além de tudo cintilantes!


E nesse sentir além das nuvens
Não temos limites!
Nem valores!
Nem pudores...


Somos um afinal! Depois de tantas dores ...
Que agora tão medíocres nos parecem
Que se somem em nossos risos de amantes!


Nós criamos algo novo que não se viu
Somos assim como deuses criadores!
Juras de eu te amo não usamos!



[ Somos Deuses em nossa língua imortal...


Nuwanda...Ágape

domingo, 3 de julho de 2011

Doce mediocridade


Maldita toda essa gente!
Que se auto afirma em suas ilusões
Maldito sejam esses vermes dementes
Em sua frases prontas e vulgares jargões!


Ser feliz é ser cativo da hipocrisia?
Ser feliz é defender princípios criados na farsa?
Exploda-se em mil pedaços essa gente! Essa falácia!
Pobres miseráveis de mente vil e esparsa!


Que me venha a infelicidade dos justos!
A dor de se ver mais que os outros!
Rejeitando os amores vazios a qualquer custo!





E me deleito na solidão dos que tem asas!
Rindo da poeira dos que não são nada!
Nesta vida de reflexos vazios...


Nwanda... Vendo além de demonios e lobos...

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Entrelinhado



Existe algo tenebroso na escuridão
Que espreita e rouba o sossego
Algo inquietante sempre latente
Desespero sutil cotidianamente...



Existe algo que entristece
Quem ousa olhar as próprias dores?
Lágrimas descabidas da ausência dos porquês
Existências que se questionam incessantemente...



Existe algo que permanece escondido
Sob os espelhos em pedaços
Caleidoscópios de verdades destruídas
Que não se apagam, misturam-se convenientemente...



Existe algo incomensurável no espectro sombrio
Pairando sob as vidas despercebidas
Agonia inoportuna de se olhar esse vazio
Que... Para alguns não está tão vazio assim...

Nuwanda... Pra quê?

domingo, 12 de junho de 2011

Devoto





Vida que se funde na própria dor.
Cotidiano que se sente a cada momento,
No contentamento descontente,
De te amar assim sem nenhum pudor!



Somos loucos sonhadores entre às cruzes!
Nesses planos para o futuro que queremos...
Com a semente que germina em nossos corações.
Somos divinos! Somos deuses simplesmente!



Sente a chama devorar o meu peito?
Sente a dor que trago comigo veemente?
No te querer desta luta que massacra!
Esqueço por vezes de te amar como merece!



Logo que me resta? Nesta falta?
É ser-me teu devoto mais fiel?
No altar de teu amor que me cega?
Oh! Madona te dedico meu amor!


Nuwanda.


Amo-te na turbulência que vivemos...

domingo, 22 de maio de 2011

Ruínas



Tragado pelo cotidiano vivido

Decisões limitadas pelo olhar detido

Atomizado pelo desespero de tantas ideologias

Lutando de maneira vã sinto a atrofia...




Quem sabe se enganar melhor?

Perdidos nesta vida sem sentido

Não olhar! Não olhar! Dando vivas ao "criador"

E nas próprias mentiras agradecido...




Ouso olhar essa limitação em que vivo!

Desdenhando da paz que não preciso!

Vendo as minhas verdades deixo de ser cativo...




Quem se iguala aos que podem enxergar?

Quem se iguala dos que ousam pensar?

Além de suas próprias mentiras! E ser combativo?



.

Nuwanda...Rindo dos alicerces caídos.

terça-feira, 3 de maio de 2011

Sombra






Olho no espelho e não há nada lá...

Apenas o reflexo vazio indizível

Uma escuridão que assusta

De não ver a si mesmo...



Quanto tempo vou levar?

Para ver que ver que não vivo...

Tudo que sou destinado a viver

Posso tanto! Por que não ouso nada?



Na solidão fria de se estar consigo mesmo...

Perdendo tempo que não voltará mais...

Silhuetas sem rosto! Reflexos vazios...



Poemas sem rima sem amor

Vida sem crenças!

Nas felicidades tristes que crio...


Nuwanda... [Na madruga não deve olhar espelhos...

sábado, 30 de abril de 2011

Melpômene

Miragens por entre sombras de fantasmas idos
Vertigens entre sensações e desenganos
Areias do tempo que me levam ao desconhecido
Descaminhos a me consumir em desvairio profano!

Na quimera de tua beleza vejo além!
Destes cegos desviantes que te assolam
Violência de te querer viram reféns!
E no perder-te em desespero descontrolam...

Paradoxos nessa hora tu me dizes!
Sou aquele que suavemente é violento!
Roubo os beijos dessa boca... Eternize!

Os momentos que sonhamos em outrora...
És a musa sob os palcos de minha alma!
Na volúpia de teu corpo vejo auroras!

Nuwanda...






segunda-feira, 11 de abril de 2011

Guerreiro!


Erguei-vos! Óh guerreiro em lua triste!

Ouve o som das batidas de teu coração!

Cadenciado pelo som! Arma em riste!

Olhar firme passos na solidão...


Erguei-vos! Óh guerreiro mesmo assim ferido!

Sangue escorre de tua chaga aberta!

Banha-se com teu plasma enrubescido!

Interior destruído no semblante rútilo, alerta...


Grite o seu brado de guerra!

Óh guerreiro desperta!

Para a dor que na alma encerra...


Bravo é som do grito estridente!

Neste horizonte distante!

Apenas tu sobrevive... Óh infante!


Nuwanda...Vale a pena?


sábado, 19 de março de 2011

Cântico


Ouvi comigo a nossa canção
Esta que trás consigo a melancolia
Ouvi comigo as lamurias na minha voz escondida
Ritmo descadênciado cheio de confusão...


Distantes em sons e em vidas
Torturados pelas decisões arrependidas
Devaneios de sonhar tua boca na minha
Caleidoscópio partido quando se acorda sozinho...



Em tuas conjecturas nunca me ouvistes
Somos demonios que se amam simplesmente
Refazendo altares e ainda assim tão tristes...


Ouvi comigo o som do silêncio
Ouvi comigo o meu coração
Senti comigo esse amor arredio...



Nuwanda... pssiuuuu


segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Tormento


Vontade de gritar! Por demonios acometido!
De chorar enlouquecidamente, perdidamente...
Pele rasgada em carne viva, ferido...
Setas que me rasgam o coração desvalido!


Destruído em pedaços sou alienado!
De nada sei, nada vi, resta-me o desconhecido
Sem você! Miríades de agonias desolado!
Vagando nas ausências de tuas presenças, perdido...


Em vão escrevo agora neste momento
Na solidão em mim reflito...
Nas lágrimas solitárias de meu desalento...


Maldito seja o amor! Malditos sejam essa gente!
No teu sentimento refletido no meu...A dor...
No medo de perder o que nunca se teve realmente...


Nuwanda... Mirando o vazio...

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Vaidade


Sonho que sou a Poetisa eleita,
Aquela que diz tudo e tudo sabe,
Que tem a inspiração pura e perfeita,
Que reúne num verso a imensidade!

Sonho que um verso meu tem claridade
Para encher todo o mundo! E que deleita
Mesmo aqueles que morrem de saudade!
Mesmo os de alma profunda e insatisfeita!

Sonho que sou Alguém cá neste mundo...
Aquela de saber vasto e profundo,
Aos pés de quem a terra anda curvada!

E quando mais no céu eu vou sonhando,
E quando mais no alto ando voando,
Acordo do meu sonho... E não sou nada! ...

Florbela Espanca

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Indizível


Quem poderá entender a tormenta?
Que assusta e arrasa tudo em volta!
Os sensatos fogem em desespero
Compreender-te é assim insanidade...


Para te ver tive que ousar
Para te ter tive que pular
Dentro do abismo de teus olhos
De tua alma incompreendida...


Espelho em mim do que você é de verdade
Espelho em ti do que busco ensandecido
Que amedronta os que não possuem imensidade...


No caos do fogo e da loucura
Reside esse amor abissal
Que apenas eu e você podemos sentir...



Nuwanda...

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Crente


Creio que no mundo infelizmente
Não se saiba amar como desejo
E me destruo completamente num lampejo
Delírios tolos de viver perdidamente...


Perder o tempo precioso!
Amar!? Só se for a um filho!
Amor! Aqui agora de ti me desvencilho!
Me venha a solidão ser feliz ser leproso!


Sou aquele que cairá no esquecimento...
No empenho entristecido
De ser mais! De ser melhor que toda essa gente!


Quem nunca amou e vive a arrogar-se de amor!?
Sou o que encara o que não se quer ver...
Vê? Ousas ver? O que te trará tamanha dor?


Nuwanda! Que se foda o mundo!

Descrever


Que pena nesse papel
não posso descrever sentimentos
que são permitidos em mim!
Em meu corpo estar imprimido
tudo que não posso revelar nessas linhas.
Como a plenitude de um sorriso!
O toque suave da gota de chuva em nossos rostos!
Como contemplar o nascer ou o pôr do sol no horizonte.
Ou simplesmente sentir o perfume
das rosas nas manhãs de verão!
Impossível descrever,
basta sentir!

domingo, 30 de janeiro de 2011

Amor!


Precisamos de amor!
Não a posse que consome
Não o direito de ser dono de algo!
Pássaros querem voar!
Esse é o motivo de tamanha dor
Entre nossos desatinos
Não sabemos onde encontrá-lo...
Amor!
Vem a mim hoje!
Preciso urgentemente aprender a te amar
Para que esqueça tantas perguntas!
Tantas dúvidas! Tanto descrédito!
Quero acreditar!
Ser crente! Ser pecador!
Quero sentir a força em minhas veias
Tremer sem sentir frio
Temer sem entender o porquê
Pelo toque satisfazer o desejo
Sentir o ar esvaziar os pulmões
Sem ar! Sem ar!
Amar! Não a quimera dos filmes!
Amar! Desejar ter! Libertando...
Mirar os olhos e ver-te em alma
Ver a vida em tons de rubro desejo!
A alegria de um simples momento
Um beijo... Universos de destinos!
Nenhuma interrogação
Apenas exclamações!!!
De eu te amo ao infinito...



Nuwanda... [Ser poema em uma canção...

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Tempo


Foge o tempo entre meus dedos,
foge a vida como a breve chama de uma vela!
Vai tão longe meus pensamentos...
voam longe como se fosse vento!
Na brevidade do pensar,
cabe toda eternidade.
Sonhos, ilusões, segredos enfim...
Nessa ânsia e nessa angústia,
carrego sentimentos infinitos
que não ousam sair de mim!

Motivo


Sempre a questionar-me ferozmente
Do motivo a prolongar tanta dor
De escrever-me simplesmente
As marcas profundas de meu desamor


Quisera eu! Com palavras conseguir alento!
Como numa melodia consola-se o cantor
Releio-me tantas vezes! Já não sei quem é o autor
Para minh'alma um dia sejam esses desatinos o alimento!


Consola-me o peito dormente
No cansaço que sinto latente
O mirar de teus olhos em mim...


Não importa as palavras minha flor!
Ver-te por segundos é toda uma vida!
Neste que não nasceu para o amor...


Nuwanda...(escrever, escrevivendo...)

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

(in)Provável


Como saber o caminho a trilhar?
Seguir? Mesmo com medo?
Cada passo que martírio!
Eis o caminhante solitário...
O cadenciar dos próprios passos
É o impulso a desistir...
(...)
Gostava de pensar em meus delírios
Que você e eu éramos desbravadores!
Cada um em seu caminho
Aparentemente distantes...
Sendo esse o preço a pagar!
Pelos que viriam seguir nossos passos...
(...)
Não éramos nós? Eu e você os criadores?
Deuses! E assim nossa vida enchia-se de sentido...
Óh Deusa! Quem poderia arrogar-se como você e eu?
Não foi esse nosso desafio?
Para nos distanciarmos dos animais?
E com o pôr do sol perdia-se no escuro:
A apatia! O desânimo! O medo!
Para aqueles que não seguiam nossos passos...
(...)
E no inevitável (desprezível) ceticismo que me corrói:
Acordo!

Não sou mais Deus...
Nem caminho...
Sem você...
Descaminho...
Perdido.


Nuwanda!

Amanhã


Eu e meus problemas
Sozinho entre demônios
Que eu mesmo crio[Óh! "Criador!"
Nada acalenta...


Apenas o desespero cotidiano
Dia após dia...
O óbvio salta aos olhos!
Como queria não ver!


Nada... Não existe nada
Além daquilo em que se quer acreditar
Ilusões? Ilusões egoístas...


Recomeço? Almejando que destino?
E quando em nada se crê? O que resta?
Amanhã?(...) A batalha do convívio consigo mesmo...



Nuwanda?