sábado, 31 de janeiro de 2009

veriducu


Que me saiam da cabeça esses tolos questionamentos
Porque ser assim?
Sempre sério e de olhar grave?
Que me venham as tolices sábias das crianças!
Não pensar! Não pensar! Não pensar? Ainda viver?
Futuro! Sois vóz meu demonio!
Porque me atormenta tanto?
Se sei que não existes? Talvez por isso?
Se afligir com este tolo conceito? Futuro...
Se estou assim tão alto!
Porque não me lanço de cabeça?
Se achei as chaves!
Porque ando arrastando correntes?
Se possuo a luz que não treme!
Porque ainda se faz escuro?
Se derrubei a porta a pontapés!
Porque simplesmente não me ponho a correr?
Serei eu? O meu maior algoz?
O que me prende? Me segura?
(...)

Sou eu! Meu maior carrasco...



Nuwanda...

Indiferença


Rasga-me a carne se quiseres
Quebra-me os ossos
Me queima com a chama ardente!
Me acorrenta! Marca-me com o ferro em brasas!
Que a pele arda pelo toque do ferrete,
Por você suporto tudo!
Porque quando se ama!
Se suporta qualquer chaga!
Menos a indiferença de quem amamos
Pois ela fere além da carne,
Além da alma...
É dor que se multiplica a cada segundo,
São silêncios que desdenham de nós,
Tantas vozes que desnorteiam cada pensamento,
Falta-se o chão, o ar, o riso...
É a planta que seca sem água
Que definha a cada segundo,
E que falte tudo em nossas vidas!
Que falte o ouro, que falte a vitalidade!
Pois prefiro uma vida enferma!
Que uma vida sem amores, sem amar e ser amado...
Pois sem amar sem sofrer,
É viver enfermo sem saber...



Nuwanda...

Vivente


Tanto trabalho para quê?
Homens trabalhadores! Que qualidade!
É mais fácil sê-lo, do que encarar a si próprio,
Dia após dia, trabalhando com afinco...
Não conheço maior alienação que esta,
Dar o sangue por coisas que nunca serão suas...
Mas, com certeza dirão:
"Olha que rapaz trabalhador!"
Pode haver maior vazio que este?

(...)

E agora me igualo a eles...
"Trabalhando com afinco"
Mas, ainda pensando?
Por quanto tempo resistirei?
Mas, continuaremos vivendo
Em meio a tantas conjecturas de nós mesmos
Palavras sem importância proferidas a todo momento!
Em meio a silêncios nunca ditos...
E ainda vivemos...
Certamente serão as pedras mais felizes...
Mas,em mim o sangue é fervente...
Que me importa a felicidade?
E que a paz tão desejada nunca venha!
Agora entendo, que ela nunca será por mim alcançada...

"E o mundo será dos pacíficos, dos mansos"

Mas! A mim não! Nada será dado!
E quem disse que vou pedir?
E que o mundo caia em mim com toda sua violência...


"Amém"


[...Onde estou agora, quem poderia se igualar?




Nuwanda, repentindo versos como em um rosário...

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Primaveras




A primavera é a estação dos risos,
Deus fita o mundo com celeste afago,
Tremem as folhas e palpita o lago
Da brisa louca aos amorosos frisos.
Na primavera tudo é viço e gala,
Trinam as aves a canção de amores,
E doce e bela no tapiz das flores
Melhor perfume a violeta exala.
Na primavera tudo é riso e festa,
Brotam aromas do vergel florido,
E o ramo verde de manhã colhido
Enfeita a fronte da aldeã modesta.
A natureza se desperta rindo,
Um hino imenso a criação modula,
Canta a calhandra, a juriti arrula,
O mar é calmo porque o céu é lindo.
Alegre e verde se balança o galho,
Suspira a fonte na linguagem meiga,
Murmura a brisa: - Como é linda a veiga!
Responde a rosa: - Como é doce o orvalho!

Casimiro de Abreu

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Ventos fortes


As folhas estão em seus lugares,
Mortas sobre o chão...
Tudo em estado mórbido...
As copas das árvores não tremulam,
Existem aqueles que apreciam esses estados...


[...Inércia...Acefalia...


Você e eu...
Não temos o direito de folhas quietas...
Ventos fortes!
E nenhuma folha ficará sob este chão!
Eis o caos das folhas!
Eis o caos de mim,
De mim para você...

(...)

E neste escárcel de folhas
Estaremos nós dois
Entre as folhas...
Sejamos ventos meu amor!
Vendavais! Onde nada ficará em seu lugar!
Nem eu nem você...



Nuwanda...

domingo, 25 de janeiro de 2009

A mercê

Não vivo o que nasci para viver
Não sinto o que nasci para sentir
Como sentir qualquer felicidade neste sofrer?
Como ter qualquer esperança neste devir?
.
Vivendo em meio de gente ordinária,
(Sub)existindo de maneira vil...
Rasga-me a carne em meio a esta angústia!
Caminhando sem rumo... senil...
.
Se vender, se vender?
Felicidades à venda!
Não sei, só vejo perder...
.
Escritas arrancadas da tormenta!
Tempestade de raios lancinantes...
Despido sob essas águas, nada acalenta...


Nuwanda...



terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Tempo rubro


Quantas cifras um segundo valerá?
Tempo que nunca mais vai voltar,
E subitamente um dia, não mais acordar.
Ou quem sabe abruptamente fenecerá?


Paradoxalmente tempo a jogar?
Em nisso tanto pensar?
Em meio a atos puros e vulgares,
Ainda assim passando-se tempos e lugares...


Sinto a ampulheta a terra roubar,
O fio da vida cada vez mais esticar,
A folha que no chão apodrece,
Sem ninguém a notar...


Do verde ao marrom...
Do viço ao vício,
Ao pó...


Escrita rubra que vem me lembrar...
Que tão logo quanto a folha,
Ei-lo também de secar...
Tornando-me o pó, que a ampulheta
Não cessa em furtar...


[Alguém notará?



Nuwanda...e s v a i n d o

Negra Noite


Nesta noite sem estrelas.
Sem luar sem devaneios,
Nesta negra noite...
Escrevo os versos mais escuros...


Versos secos sem magia,
Dedicados a mais ninguém...
Quero abarcá-los todos pra mim.
Na solidão egoísta que me tomo...


Grito mudo...
Desespero invisível...


Não quero ouvir nenhuma voz,
Nenhum som que não seja meu,
Eis as linhas mais sinceras...
Vertidas em jorro de meu próprio sangue...


Quem pode sangrar em meu lugar?
Ou dilacerar-me todos os nervos?
Segurar o cutelo com a firmeza que preciso?
Apenas...Eu posso fazê-lo.


Sentidos insanos,
Castração dos desejos,
Autismo provocado...
Numa fuga de todos e de ninguém...


Não vejo nem a mínima estrela essa noite,
Negra noite...(in) Solidão...
Silêncio a tanto buscado?
Escritos com o vazio no coração...


[Esse vulto, que reflete por trás do vazio...Eu?



Nuwanda... Isolando...

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Ausências


Fragmentos...
Conflitos internos...
Olhar para dentro?
Monólogos...
Não existe diálogo...
Frases no escuro nada mais.
Interlocutores que não se enfrentam,
Mas, entram em cena alternadamente...


"Guerra fria"


Ambivalência?
Qual o ser humano que pode arrogar isso?
Na verdade podem sim!
Se arrogar, se justificar, "pré"julgar...
E viva a esta criação divina...


???...


Quem pode descer ao inconsciente?
"In"consciencia...
Eis uma bela maneira de aliviar o pesar...


(...)


Dizem que o ideal é construir refúgios
Pensamentos positivos!
Um lugar para fugir desses problemas
Mas, devido a minha incapacidade [ou falta de vontade?]
Em construí-los...
Prefiro ficar aqui frente a tudo isto!
Porque perder a diversão?
E perder todos esses risos?

Aproximações de tudo,
Nunca o real.
Efeitos de tudo,
Como o real.
Dentro de mim,
Fora de mim,
Apenas ausências...


Nuwanda...

domingo, 11 de janeiro de 2009

Por quanto tempo?


Poderá existir ainda palavras?
Para expressar esta aflição?
Nem eu suporto mais escrever versos a tanto repetidos...
Pode alguém existir assim?
Qual o remédio a mim prescrito?
Poderá tal droga existir?
Quem sabe um comprimido?
Ou tudo se resolva com uma nova predica?

(...)

Com toda minha "sabedoria" acho que só se resolve:
Cortando o mal pela raiz...
Porque por qualquer que seja a mágica!
Sempre será "eu" aqui dentro...
Mas, adoraria uma máquina do tempo!

(...)

Só me restaram esses gritos aqui dentro...
Um dia inteiro à gritar sem descanso...
Ainda assim não seria o suficiente.
Nunca o será...
Nunca!


Talvez criar subterfúgios
Lugares que pudesse me esconder em horas de tormenta,
Bem que em meus momentos de covardia,
Já os tentei criar...
Mas sempre ficam em escombros...


Seja eu então o corajoso!
Não perante as dificuldades que a vida apresenta,
Essas nunca me intimidaram...
Que seja eu o audaz!
Não perante as impecilios do amor,
Pois esses não temo mais...
Que seja eu afinal o intrépido!
Não perante meus inimigos,
Esses não me alcançam mais...
Que seja eu a coragem, a audácia, a intrépidez!
Perante eu mesmo,
Pois esse não aguento mais...


Nuwanda...



sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Canção do dia de sempre




Tão bom viver dia a dia...
A vida assim, jamais cansa...

Viver tão só de momentos
Como estas nuvens no céu...

E só ganhar, toda a vida,
Inexperiência... esperança...

E a rosa louca dos ventos
Presa à copa do chapéu.

Nunca dês um nome a um rio:
Sempre é outro rio a passar.

Nada jamais continua,
Tudo vai recomeçar!

E sem nenhuma lembrança
Das outras vezes perdidas,
Atiro a rosa do sonho
Nas tuas mãos distraídas...

Mário Quintana

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Espera




Parece que não existe sentido!
Creio que não há mais.
Existe solidão em meio a tudo isso?
As horas passam e é um tempo infinito e
trás um vazio que parece não acabar mais!
E nesta imensa espera em que os dias passam
e não voltam mais. Tudo é tão simples,
para que entender? Ou para que terminar?
melhor sentir!




(In)versos


E se todos estiverem indo?
Eu estou voltando!
Se todos agora quiserem ser poetas?
Abandono e rasgo tudo!
Se todos quiserem crêr?
Eu descreio!
E se não crêem mais?
Que me chamem de fervoroso!
Se todos agora quiserem amar de verdade?
Serei o canalha, sem nenhum escrúpulo!
Se todos agora quiserem ser justos?
Serei eu o desonesto!
E se todos agora quiserem ler?
Sou eu o analfabeto!
Agora todos querem ser sensíveis e carinhosos?
Que seja eu o ser de pedra!
Todos querem a salvação?
Seja eu o mais severamente castigado!
(...)
Todos partidos ao meio em seus dualismos
Sou eu! Eu o ambivalente!

(...)

Sendo assim a antítese deste mundo virulento
Sendo sempre seu contrário!

E se todos quiserem te amar?
Logo serei eu! Réu [confesso] de vários crimes...


Nuwanda

Solidão


Rodeado por inúmeros tormentos.
Lembrei-me do conselho de um sábio.
"Respire...Não esqueça de respirar..."

(...)

Novamente sem dormir...
E tentando respirar.
Inspirando trago junto tanta dor...
Expirando não há nenhum alívio...
Talvez por isso suspire tanto.
Dor que nasce dentro do peito,
Que sobe por entre as paredes de minha garganta,
Se espalhando assim por minha cabeça.
Vertendo lágrimas em meu rosto,
E tento dormir...
Revirando nesta cama olhando fixo para o teto.
Arrebatado por pensamentos e versos...
Que logo somem quando me levanto.
Mas! A angústia que eles me evocam,
Esta, eles fazem questão de deixar.
E neste viver tão vazio recheado de madrugadas.
Como posso seguir o conselho do sábio?
Se respirar,
Este ofício pra viver,
Me trás tanta dor?

Poderia ter eu? A coragem de não mais fazê-lo?
Porque continuar com este martírio?
E se expande esse vazio...

(...)

Por Deus! Não consigo preenchê-lo...
Por mais que tente! Não consigo preenchê-lo!
Cada linha que absorvo...
Cada verso que escrevo...
Não consigo preenchê-lo!

Nesta tentativa vã de abarcar este vazio esta dor.
E aumenta cada vez mais este dilema...
Nesta equação impiedosa!
Talvez não caiba a nós o saber das coisas importantes?
Aumente o seu saber,
E verás aumentada [reciprocamente] suas tristezas...

(...)

E tento me enganar...
E tento me iludir que tudo um dia vai melhorar!
Mas! Como sou péssimo! Em escutar os outros...
Nunca me senti tão sozinho quanto hoje.

(...)

Existe alguém que pode me seguir?
Oh! Solidão nunca estivestes tão presente...



Nuwanda

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

O eu quântico


Giram dentro de mim!
Palavras e ideias,
Rodopiando ao meu redor


Ora eu as vejo
Ora eu as pego


Quando não as olho são ondas
Quando as toco são partículas
São bem danadinhas!
Se me permitem o eufemismo!


(...)


Se eu pudesse retê-las todas!
Certamente seria o maior dos homens
Se me permitem novamente o eufemismo...
Muitas vezes elas me tomam e me massacram
Outras vezes as ignoro...
Sem contar das vezes que apenas observo
Mas percebo que o meu olhar as delimita
Reduzindo-as ao tamanho que eu tenho
São ideias de todos os tipos e cores...
Apesar que devido as lentes que uso,
Vejo mais as de cores negras e escuras...


Angustiantes...
Aflitantes...
Alienantes...


Demasiado vazio! Tão cheio de nuances!
Agora estou aqui entre ideias que vem e vão...
Porque tanto sou onda como sou partícula!

[Estaria então em nossos subconscientes nossa maior força?



Nuwanda...

Ainda assim


Se o louco percebe a sua loucura
Ainda assim é louco?
Se começa a desejar as piores coisas pra si?
Ainda assim é louco?
Querendo que todo esse mal estar lhe consuma os ossos!
Ainda assim é louco?
E envolvido por esta tão celebrada loucura, se sente infeliz...
Ainda assim é louco?
Estranho aos olhos dos outros, inclusive ao seu próprio olhar!
Ainda assim é LOUCO?
Duvidando do elogio de Erasmo...
Ainda assim...

(...)

Como homem comum,
Desespero nestes versos,
Silêncioso e desatinado...
Sem coragem
Sem vontade
E ainda assim sem medo...
Me apegando em aforismos que fundamente minha "sina"
Dando vivas à solidão! À incredulidade! Ao desassossego...

[certamente culparei estes versos à insônia desta noite...



Nuwanda...sem culpas.

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Tempestade


Pesadas nuvens se aproximam
Por isso é que tudo estava tão sereno...
Vens! pode vir! Oh! tempestade!
Nunca tinha visto nuvens tão escuras quanto essas
Se adensam sobre mim...
De braços abertos eu espero!
Que desaguem em mim com toda a sua fúria!
Estarei a rir certamente...
Como um menino que desdenha o desconhecido...
Não é mais o medo que corre em minhas veias
Oh! Tempestade! O que esperas tanto?


(...)


Não seria vós a temer serias?
Com todo teu esplendor e negritude
Fazendo tremer os homens
Porque terias medo de mim?
Vens!
Cubra-me com tuas águas e ventos atrozes!
Dobra-me! Tente pôr-me de joelhos!
Logo verás que não me dobro tão fácil...

(...)


Que teus ventos me rasguem a pele!
Que tuas águas me levem a esperança!
Que me atire na lama!
Atormentado no caos de teus sons...


Mas...
Sei bem que quando tiveres se ido
Ainda assim,
Infelizmente...
Estarei de pé...



Nuwanda...

domingo, 4 de janeiro de 2009

Extravio


Como um barco sem leme
A favor de ventos incertos
Navegando pelo desconhecido
Que é olhar em teus olhos...


Marcado sem piedade por este ferrete
Minhas ações se tornam virulentas
E vou me embrenhando neste (des)atino
Na catarse de mirar esse olhar...



Neste pêndulo incerto
Vou tentando me encontrar
Extraviando-me de Deus
Crio-te agora um novo altar...


E nessas constantes contróversias que criamos
Nestas tantas complicações tão necessárias que inventamos
Você me diz que eu te ensino tanto...
Então porque insiste em ensinar-me?


Nuwanda

sábado, 3 de janeiro de 2009

Versos negros


Embala-me nos versos mais escuros
Hoje trilhei caminho por entre sombras
Sombras que mal podiam ser vistas
Pela penumbra de onde andava...
Quem é que me aconselha neste breu?
Quem ousa me direcionar?
Malditos fantasmas!
Lembranças que tiram-me do rumo...
Cada vez mais fundo!
Onde não se enxergam mais os próprios passos
E neste escuro começo a reconhecer esta voz!
Seu timbre é familiar por demais
É minha voz! Porque tenta tirar-me do caminho?
Pode a consciência ser bi-partida?
E nesta descida para a essência de mim...
Em direção a este lugar onde sonhos e pensamentos se perdem...
Ouço os gritos de e(ss)ências que não existem...fluídas?
Assim percebo o caos se opondo a esse desejo de quietude...
Entre as miríades de sombras...
Nem todos poderão ler o que escrevo


(...)


Embalo-te nos versos mais escuros...




Nuwanda...

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Maturidade


Outrora quando menino
Me via à frente de desafios
Desafios complexos e exigentes
Livros que me caiam sabe-se lá de onde...


E me via rodeado de palavras estranhas
Quanta ambiguidade naquelas linhas
Quantas linhas por trás de linhas...
Ou seria minha falta de maturidade?


Hoje me vejo frente ao maior dos enigmas...
Labirintos imbricados ...
Complexidade demasiadamente delicada
Onde não nos permitem muitas interpretações...


É teu olhar...
Tuas palavras...
Teus gestos...
Tua alma...


Tudo faz parte deste livro divino...
Poderei eu aventurar-me entre suas páginas?
Terei eu a tão necessária maturidade?
Adentrar nestas linhas é o céu e o inferno...


[como o albatroz levantarei o mais belo dos vôos...




Nuwanda...Maduro...