quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Escuta


Verdades absolutas?
Crenças verdadeiras?
Sentidos de viver?
Paradigmas reais?


Meias verdades...
Falsas na maioria das vezes
Efeitos de crença...
Vitrine de modelos de viver a nosso bel prazer


Onde esta a verdade?
Para onde se escondeu?
Quantas verdades vou substituir?


Filosofia clássica!
Saber medieval!
Dogmas religiosos!
Conhecimento empírico!


Quantas bobagens!
Quantas falásias!


Poderá a verdade não existir?


A você minha musa
Apenas você poderá saber!
É a ti doce menina...
Que te oferto a verdade "absoluta!"

E que se explodam os sábios e filósofos!

É meu amor!
O doce desejo de amar!
Essa é a verdade que todos que amam conhecem!
É você doce musa!
É você minha verdade!


Propalada
Intensa
Profana
Paradoxa
caótica
Verdade...

[ (...)e aqueles que discordarem do que digo!
Respondo com desdenho:
Sois aqueles que nunca amaram...


Nuwanda... Profeta...



terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Distante...



Sensações desconcertantes
Que me fazem a mão tremer...


Que falta é essa afinal?
Ansiedade de não se sabe o quê...


Tempo desperdiçado...
Que escorre por minhas mãos...


Posso eu competir?
Terei eu vontade de me pôr a prova?


És minha metade?
Posso eu viver com esta falta?


Distâncias que destroem tudo...
Quanto tempo poderei nadar contra a corrente?


Talvez seja este medo que nos ponha um contra o outro?
Medo de não mais poder seguir...


Porque sentimos esse frio cada vez maior?
Quanto tempo a chama pode queimar?


Por isso nos fechamos desta forma?
Nos fechamos para o mundo, para que a chama não se apague?



E nesta desesperada fuga
As vezes nos desconhecemos um ao outro...


Nesta ausência infernal
Nesta falta doentia...


Tudo é cinzas
Tudo é escuridão...


Abra seus braços que os meus já estão abertos....


Sucumbir
Se perder...
Renascer?
Você em mim?
Eu em você?


Vai saber...


Nuwnda...Caindo...

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

A rocha


Em bloco de pedra rústica
Comecei a talhar com fino trato
Tentando dar forma à massa bruta
Mas se mostrou sólida demais...


A golpes duros e violentos
O martelo ia destroçando a rocha
Pedaços que se iam para não mais voltar
Destroçando partes que eram importantes...



Já pensei em usar ferramentas mais delicadas
Mas elas não conseguem dar forma alguma
Porque esta rocha tinha que ser tão dura?
Golpes de martelo que arrancam mais do que eu quero...



Afinal que forma eu posso esperar desta rocha disforme?
Algo belo? Algo bom? Sociável?
Olhando o bloco de rocha vejo algumas possibilidades...
Talvez nem existam essas possíveis formas...


[mas, a golpes de martelo elas não tem muita escolha....



Nuwanda...Escultor?

domingo, 28 de dezembro de 2008

Sem você


Tua falta percorre-me as veias
Esgota-me todos os sentidos!
Isolado sem tua companhia nada mais existe...
É o ar sem oxigênio
É a falta de ânimo em coisas prazerosas
São conversas jogadas fora
É o poeta sem nenhum verso
É loucura que maltrata
São dias cada vez mais cinzas
É tristeza sem nenhuma lágrima
São gritos que ninguém pode ouvir
É vontade de não fazer mais nada...
É descontar com minha ira em quem nada têm haver
Sem você é papel em branco...
Virtualidade solitária...
São toques sem sentimento...
São beijos no puro mármore...
Desejo de nada mais desejar!
São noites em claro com teu riso cravado em meu olhar!
Dia após dia te espreitando a espera de um sinal...
E bastou-me um simples gesto teu!
Para que timidamente as palavras !
Começassem a me preencher...
Novamente...

[Pode um poeta ser privado de sua razão de escrever?


Nuwnda...









Breve momento


No meu canto quieta escrevo frases sem sentidos
coisas de minha alma. Alma? nem sei se tenho?
Vejo caminhos percorridos, olho para trás ,
busco explicações e quem me explica?
Só agora vejo o tempo perdido.
Ou quem sabe nem foi! Era uma luz, ou o que será que foi?
foram instantes breves, momentos quem sabe eternos?
Foi tudo tão rápido, como tudo aquilo que acontece
e não tem explicação. Mas, quando se cala e sente não
precisa de mais nada . Só o silêncio para definir tudo num breve instante.




sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

A máscara


Eu sei que há muito pranto na existência,
Dores que ferem corações de pedra,
E onde a vida borbulha e o sangue medra,
Aí existe a mágoa em sua essência.

No delírio, porém, da febre ardente
Da ventura fugaz e transitória
O peito rompe a capa tormentória
Para sorrindo palpitar contente.

Assim a turba inconsciente passa,
Muitos que esgotam do prazer a taça
Sentem no peito a dor indefinida.

E entre a mágoa que masc’ra eterna apouca
A humanidade ri-se e ri-se louca
No carnaval intérmino da vida


Augusto dos Anjos




quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Frio




Porque de repente tudo esfriou?
Para onde foram aqueles sentimentos devastadores?
Que de tão intensos me deixavam sem ar?
Agora fico sentado num canto quieto...


Sem estímulos para nada... até quando?
O que houve com sentido das coisas?
Para onde foi a graciosidade da vida?
Refletindo deitado sobre este chão...


Estarei contra todas as apostas acomodando?
Porque sinto este vazio aumentar?
Terá a esperança ido embora?
Caminhando nesta rua deserta...


Para onde foram aquelas tenras palavras?
Os gritos de desejo! Porque não me enchem mais os pulmões?
Porque começo a sentir as forças se esvaírem?
Não consigo chorar...


Nuwanda...Com a caixa vazia nas mãos...


quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Sou teu...


Sou poeta de mim mesmo
Mesmo que a contragosto
Sou poeta de meu desassossego e desventura...
Verso a tristeza
Verso a morte
Mas também a espaço para sentimentos sublimes
Para o amor?
Para sentimentos dos mais loucos possíveis!
Sou poeta de uma musa que me completa
E me faz escrever sem descanso!
Meu desejo por você!
É o combustível de meus versos
Oh! Doce musa! Doce Afrodite!
Talvez por isso nunca se satisfaz com meus poemas....
Porque assim me põe a escrever desesperadamente...
Sou teu poeta! Doce musa!
E que nunca te baste minha palavras!
Que elas nunca te convençam!
Porque assim terei que te falar em outras formas de linguagem...
Logo sois minha salvadora!
Fazendo-me desta maneira continuar a escrever...
Continuar a viver...

[ Que mantenhas a caixa de Pandora fechada...



Nuwanda...esperançoso?

A beira


A beira deste abismo
Percebo que não posso mais adiar
Inclino-me e olho para baixo...
Com este vento a provocar-me!
Sucumbir! Se perder! Protelar?
Não existem ecos...Não
Mas eis que subitamente!
Ouço perfeitamente tua voz:
"Pula...Te joga...atira-te!"
Dou alguns passos para trás
Novamente o silêncio...
Maldito vento a provocar-me!
Hesito...Valerá a pena?
Tomo impulso novamente!
E lembro-me de Eros e Psique...
E olho a distância que me separa da queda
Ainda tenho algo a perder?
Neste último lance!
Corro desesperadamente!
Quebro o silêncio deste ermo!
Eros!!! Eros!!!
Atiro-me!
Na queda passam-me as lembranças de tudo
Que teu lábios me disseram, cada sílaba...
(...)
Só desta forma posso amar!
Medo?
Hesitação?
Escolha?
Coragem?
Nada mais faz nenhum sentido...
É cair!
Render-se!
Enlouquecer!


[Agora entendo porque não gritei Psique...



Nuwanda

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Apenas


Andando sozinho nestas ruas
Ninguém me acompanha...
Apenas sombras que correm pelas paredes
Interrompidas por transeuntes
em passos contrários ao meus...



Meus passos seguem para o oeste
E a medida que me adianto escurece um pouco mais
Quantos rostos vejo vindo contra mim...
Alguns até sorriem em gestos gentis...
Mas, logo somem e também não olho para trás...



Nestes passos descompassados
Repensando infinitas vezes...
Na cadência destes passos
Aquietar um pouco...Mesmo
Que por alguns instantes...Numa brevidade tênue



Sozinho em silêncio...
Com o burburinho por trás de mim...
Concentrado com fixo olhar!
Penetrando em toda a complexidade
Que pode haver nesta taça de vinho...

[apenas...



Nuwanda







terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Folhas de Relva-Walt Whitman


CANÇÃO DE MIM MESMO

EU CELEBRO a mim mesmo,
E o que eu assumo você vai assumir,
Pois cada átomo que pertence a mim pertence a
[ você.

.
Vadio e convido minha alma,
Me deito e vadio à vontade .... observando uma
[ lâmina de grama do verão.
.
Casas e quartos se enchem de perfumes .... as
[ estantes estão entulhadas de perfumes,
Respiro o aroma eu mesmo, e gosto e o
[ reconheço,
Sua destilação poderia me intoxicar também,
[mas não deixo.
.
A atmosfera não é nenhum perfume .... não tem
[ gosto de destilação .... é inodoro,
É pra minha boca apenas e pra sempre .... estou
[ apaixonado por ela,
Vou até a margem junto à mata sem disfarces e
[ pelado,
Louco pra que ela faça contato comigo.

.
A fumaça de minha própria respiração,
Ecos, ondulações, zunzuns e sussurros .... raiz
[ de amaranto, fio de seda, forquilha e videira,
Minha respiração minha inspiração .... a batida
[ do meu coração .... passagem de sangue e
[ ar por meus pulmões,
O aroma das folhas verdes e das folhas secas,
[ da praia e das rochas marinhas de cores
[ escuras, e do feno na tulha,
O som das palavras bafejadas por minha voz ....
[ palavras disparadas nos redemoinhos do
[ vento,
Uns beijos de leve .... alguns agarros .... o
[ afago dos braços,Jogo de luz e sombra nas árvores enquanto [ oscilam seus galhos sutis,Delícia de estar só ou no agito das ruas, ou pelos [ campos e encostas de colina,Sensação de bem-estar .... apito do meio-dia [ .... a canção de mim mesmo se erguendo [ da cama e cruzando com o sol.



.
Uma criança disse, O que é a relva? trazendo um
[ tufo em suas mãos;
O que dizer a ela ?.... sei tanto quanto ela o que
[ é a relva.

.
Vai ver é a bandeira do meu estado de espírito,
[ tecida de uma substância de esperança verde.
Vai ver é o lenço do Senhor,
Um presente perfumado e o lembrete derrubado
[ por querer,
Com o nome do dono bordado num canto, pra
que possamos ver e examinar, e dizer
É seu ?

.
O blablablá das ruas .... rodas de carros e o
[ baque das botas e papos dos pedestres,
O ônibus pesado, o cobrador de polegar
[ interrogativo, o tinir das ferraduras dos
[ cavalos no chão de granito.
O carnaval de trenós, o retinir de piadas
[ berradas e guerras de bolas de neve ;
Os gritos de urra aos preferidos do povo ....
[ o tumulto da multidão furiosa,
O ruflar das cortinas da liteira — dentro um
[ doente a caminho do hospital,
O confronto de inimigos, súbito insulto,
[ socos e quedas,
A multidão excitada — o policial e sua estrela
[ apressado forçando passagem até o centro
[ da multidão;
As pedras impassíveis levando e devolvendo
[ tantos ecos,
As almas se movendo .... será que são invisíveis
[ enquanto o mínimo átomo é visível ?
Que gemidos de glutões ou famintos que
[ esmorecem e desmaiam de insolação
[ ou de surtos,
Que gritos de grávidas pegas de surpresa,
[ correndo pra casa pra parir,
Que fala sepulta e viva vibra sempre aqui....
[ quantos uivos reprimidos pelo decoro,
Prisões de criminosos, truques, propostas
[ indecentes, consentimentos, rejeições de
[ lábios convexos,
Estou atento a tudo e as suas ressonâncias ....
[ estou sempre chegando.



.
Sou o poeta do corpo,
E sou o poeta da alma.

.
Os prazeres do céu estão comigo, os pesares do
[ inferno estão comigo,
Aqueles, enxerto e faço crescer em mim mesmo
[ .... estes, traduzo numa nova língua.

.
Sou o poeta da mulher tanto quanto do homem,
E digo que é tão bom ser mulher quanto ser
[ homem,
E digo que não há nada maior que a mãe dos
[ homens.


Vadio uma jornada perpétua,
Meus sinais são uma capa de chuva e sapatos
[ confortáveis e um cajado arrancado
[ do mato ;
Nenhum amigo fica confortável em minha
[ cadeira,
Não tenho cátedra, igreja, nem filosofia;
Não conduzo ninguém à mesa de jantar ou à
[ biblioteca ou à bolsa de valores,
Mas conduzo a uma colina cada homem e mulher
[ entre vocês,
Minha mão esquerda enlaça sua cintura,
Minha mão direita aponta paisagens de
[ continentes, e a estrada pública.

.
Nem eu nem ninguém vai percorrer essa estrada
[ pra você,
Você tem que percorrê-la sozinho.
Não é tão longe assim .... está ao seu alcance,
Talvez você tenha andado nela a vida toda e não
[ sabia,
Talvez a estrada esteja em toda parte sobre a
[ água e sobre a terra.

.
Pegue sua bagagem, eu pego a minha, vamos em
[ frente;
Toparemos com cidades maravilhosas e nações
[ livres no caminho.

.
Se você se cansar, entrega os fardos, descansa a
[ mão macia em meu quadril,
E quando for a hora você fará o mesmo por mim;
.
Pois depois de partir não vamos mais parar.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Mergulhos


Novamente me encontro aqui
Vasculhando pensamentos...
Mas para encontra-los
Para chegar a mim mesmo
Tenho que ir cada vez mais fundo...
E mais...
E mais...
Receando o dia de não mais conseguir regressar...
A cada retorno com um pedacinho de mim
Recuperado com tremendo esforço!
Vou percebendo que menos vou gostando de mim...
(...)
Então porque? Ainda volto a mergulhar?
Será isso uma qualidade?
Ou apenas a vontade de não mais voltar...



Nuwanda



Queria


Hoje me convenço afinal!
Não sou e nunca fui poeta...
Hoje eu queria escrever-te belos versos...
Mas nunca meu querer é respeitado
fecho os olhos e imagino belas metáforas!
Que poderiam amenizar este viver...
Mas esta caneta! Tem vontades próprias!
Talvez por isso me assuste e me surpreenda a cada linha
Quem é este que escreve?
Quem esta preso dentro de mim?
Posso ouvir seus gritos clamando liberdade!
Ou suas lágrimas através de meus olhos...
Hoje eu queria curar esta insônia
Com versos dedicados a você minha musa!
Palavras rimadas com sentimentos vindo do coração...
Mas minha vontade não é respeitada!
Por isso não me chamem de poeta!
Sou apenas mais um leitor como você
Taxando-me de louco!
Lendo palavras sem sentido!
E se ainda assim insistirem! Que sou um poeta!
Que foi eu a escrever estas linhas desconexas...
Desta forma eu concluo:
jamais conheci quem fui ou o que quis...



Nuwanda

Cotidianos


Nunca vi fardo mais pesado!
Insuportavelmente tolerado?
Neste cotidiano maldito...
Nem mesmo o poderoso Atlas!
Suportaria este castigo...
Como não ser abarcado por este demonio voraz?
Absorvendo tudo e todos sem nada mensurar...
Atomizando as mais notáveis almas humanas
Mas! Me alertaram uma vez!
Palavras vindas de um sábio!
"Sem o ordinário! Como haveria o (extra)ordinário?"
"Não há o mel sem o fel!"
(...)
Mas e quando o ordinário se repete infinitamente?
Exaurindo vontades dos que vivem?
Nos engolindo e nos tornando pessoas ordinárias
Onde tudo depende do modo de como observamos as coisas
Continuando a fazer tudo do mesmo modo...
Quando surgirão esses dias?
Talvez por isso eu já não os veja mais...


Nuwanda

vida?


A vida é esse sentir...
Tão "particularmente" sentido
É este acordar ou este dormir...
É se olhar no espelho e não poder
Enganar mais a si mesmo...



Outrora cheia de esperanças
Agora uma grande pergunta...
Sempre a espera de uma resposta...
Quem sabe amanhã? Esse nunca terá chegado...



É escutar inúmeras lembranças
Ora sufocadas, ora ouvidas
Tempo presente, tempo passado? Sonhos?
É teatro de fantasmas...
Dizem por ai que apenas os "poetas" podem ouvir...



É não dormir mais de madrugada
Repensando coisas sem sentido
Sentimentos tão distintos...
Quem se daria a tal trabalho?



É esta a vida!
Eterna busca!
Em meio a inúmeros erros!
Um único acerto...


[Sem talvez nunca vir a conhece-lo...



Nuwnada



domingo, 14 de dezembro de 2008

Avalanche


Frente a essa avalanche!
Tudo pode ruir em vários pedaços!
Nem o mais sólido dos obeliscos poderia resistir!
E olha onde estou? Frente a essa imensa avalanche!



Será que posso suportar todo esse caos?
Essa avalanche que é você! Quem poderá sobreviver?
Não há mais chão sob meus pés...
São ruínas e poeiras que cegam o meu olhar...



Os mais sábios me aconselhariam certamente:
Menino sai dai enquanto ainda te resta tempo!
Mas quem disse que posso ouvir?
Ou quem disse que quero ouvir?



Meu tão invejável controle emocional!
Já se esfarelou frente a essa força...
Sem enxergar nem um palmo de meu nariz!
Será que assim o amor se manifesta?


No mais desordeiro caos?



Nuanda...

sábado, 13 de dezembro de 2008

Amor


A Ingenuidade de um olhar
Triste daquele que se deixa dominar...
Que não pode controlar suas emoções
É navio sem leme navegando sem destino...

Pode-se amar de outra maneira?
Sem voltar a ter olhos de um menino?
Quem controla alguma coisa nesta vida?
Que destino pode-se prever quando amamos?

Posso amar sem parecer um tolo?
Amar é gritar as mais belas sandices!
Ser mais do realmente se é! E ser!
Ah! O amor! Quem não se entregaria?
Felicidades instantâneas...

Hoje a noite é de luar repleta de estrelas!
Não poderia escrever de outra forma!
O que importa o olhar dos outros?
Com objetivos traçados? Quem pode nos deter?

(...)

Não fiz nenhum curso leitura de lábios...
Teus sussurros ao vento, mesmo tão longe...
Posso pegá-los no ar e como são claros!
Pois eles me dizem o que eu quero ouvir...

Prepara-te...


Nuwanda...

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

REPAREI QUE A POEIRA SE MISTURAVA ÀS NUVENS


Reparei que a poeira se misturava às nuvens,
e, sem pôr o ouvido na terra,
senti a pressa dos que chegavam.
Disse-me de repente: "Eis que o tropel avança".
Mas todos me olhavam como surdos,
e deixavam-me sem responder nada.
Vi as nuvens tornarem-se vermelhas
e repeti: "Eis que os incêndios se aproximam".
(Mas não havia mais interlocutores.)
"Eles vêm, eles não podem deixar de vir",
balbuciei para a solidão, para o ermo.
E já por detrás dos montes subiam chamas altas;
ou eram estandartes ou eram labaredas.
Perguntei: "Que me vale ter casa, parentes, vida?
Sou a terra que estremece? ou a multidão que avança?
Ó solidão minha, ó limites da criatura!
Meu nome está em mim? no passado ou no futuro?
Ninguém responde. E o fogo avança para meu pequeno enigma".
Apenas um anjo negro entreabriu seus lábios,
verdadeiramente como um botão de rosa.
"Death"
DEATH?
Por que me falas nesse idioma? perguntei-lhe, sonhando.
Em qualquer língua se entende essa palavra.
Sem qualquer língua.
O sangue sabe-o.
Uma inteligência esparsa aprende
esse convite inadiável.
Búzios somos, moendo a vida inteira
essa música incessante.
Morte, morte.
Levamos toda a vida morrendo em surdina.
No trabalho, no amor, acordados, em sonho.
A vida é a vigilância da morte,
até que o seu fogo veemente nos consuma
sem a consumir.

Cecília Meireles


além da terra além do céu



Além da Terra, além do Céu,
no trampolim do sem-fim das estrelas,
no rastro dos astros,
na magnólia das nebulosas.
Além, muito além do sistema solar,
até onde alcançam o pensamento e o coração,
vamos!
vamos conjugar
o verbo fundamental essencial,
o verbo transcendente, acima das gramáticas
e do medo e da moeda e da política,
o verbo sempreamar,
o verbo pluriamar,
razão de ser e de viver.

Carlos Drummond de Andrade

A Lucidez Perigosa




Estou sentindo uma clareza tão grande
que me anula como pessoa atual e comum:
é uma lucidez vazia, como explicar?
assim como um cálculo matemático perfeito
do qual, no entanto, não se precise.

Estou por assim dizer
vendo claramente o vazio.
E nem entendo aquilo que entendo:
pois estou infinitamente maior que eu mesma,
e não me alcanço.
Além do que:
que faço dessa lucidez?
Sei também que esta minha lucidez
pode-se tornar o inferno humano
- já me aconteceu antes.

Pois sei que
- em termos de nossa diária
e permanente acomodação
resignada à irrealidade
- essa clareza de realidade
é um risco.

Apagai, pois, minha flama, Deus,
porque ela não me serve
para viver os dias.
Ajudai-me a de novo consistir
dos modos possíveis.
Eu consisto,
eu consisto,
amém.

Clarice Lispector

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Nossa música!


Estremece os labirintos de meu ser
Oh! Doce música! Oh! Doce valsa!
Embala-me! Rodopiando neste salão delirante!
Segura em minha mão! vem dançar!
Sente a música! Cada nota é um desvario!
Cada acorde! É um momento em nossas vidas!
Oh! Amor!
(...)
Sente o violino e os bandolins!
Gire como louca neste salão!
Só se escuta esta música uma vez!
Não vou mais perder tempo!
Minha mão embala tua cintura!
Nesta valsa só eu posso te levar!
Conta comigo! Cada melodia! Cada passo!
Sente a mágica!
Não importa se nos olham meu amor!
Não importa se não entendem!
Para mim é só o que importa...
Segura tua mão nesta dança de nossos destinos...
Vem?
Entrelasse tua mão à minha...
Não é tão difícil...
Não se preocupe eu conduzo...
E rodar...Rodar...neste salão encantado...
.
Nuwanda...o dançarino!

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Quatro Poemas



Madrugada


Por mais ilusões que eu possa criar
Por mais que eu tente mudar
É nestas madrugadas que me dou conta
Tudo que faço nestes dias distintos
É fuga, uma corrida desesperada
Fugindo de mim, fechando meu olhar
Aqui agora nesta noite repleta de nuvens
Não há luar, não há estrelas...
Só o vento frio em meu peito...
Sussurrando em meu ouvido...
Covarde...Covarde...Olhe para você...
O que realizou?...Quem há de se lembrar?...
Quem há de te amar?...
Em quantos mais você vai jogar suas culpas?...
Uma vez me questionaram:
"O que é uma quase vida?"
Até eu mesmo acreditei na minha resposta, no meu silogismo!
Mas! O que queria dizer não disse...
Quase vida! Quase tudo!
É assim que pode ser resumida esta "vida"
Já escutei também que meu pessimismo não tem cura!
Cura? Que fábula é essa?
(...)
Queria que agora a lua surgisse...
Ou quem sabe uma estrela?
Desta forma poderia filosofar mais quieto
Ou fazer uma linda poesia...
Pois assim poderia desviar estes pensamentos abissais
(...)
É...Mais hoje não vai haver nada além de nuvens...



.

Nuwanda...No escuro as coisas ficam mais claras...



Contradição

As vezes fico a me arrogar

Colocando em evidência "tudo" o que eu sei

Menosprezando esta gente "medíocre!"

Em meus surtos megalomâniacos!

Fico a planejar a forma de "salva-los"

Oh! Massa "ignorante!"

Com suas vidas consumistas!

Em suas falas tediosas! Seus gestos mecanizados!

E passo assim horas a planejar...

Distribuir minhas visões "corretas" de mundo!

(...)

De repente, começo a ver quantas contradições...

E vejo esse mundo "perfeito" que criei

Recheado desses novos "eus" e subitamente congelo!

E percebo estarrecido que este novo mundo...

Não sobreviveria nem um dia sequer!

Desta forma quem é o medíocre então?

Para onde foram os ignorantes?

Onde foi parar o sábio?

Se na minha forma de compreensão

Esse mundo é impossível...

(...)

Onde foi parar minha superioridade?

Nuwanda... o sábio?



A salvo




Caminho florido...

Areia de praia...

Cachoeira d'água cristalina...

Trabalho bem remunerado e prazeroso...

Pensamentos coerentes...

Amores bem calminhos...

(...)

Que delírio é esse?

Como tudo me soa tão estranho? falso?

Meu caminhar é tão inverso...

Porque?

Como refazer caminhos...

Se apago minhas pegadas?

Com todo esse alvoroço!

(...)

Maldito o seja! Papel em branco!

Pare de me pedir palavras!

(...)

Nem todos nascemos no tempo certo...

Nem todos fazemos o que queríamos fazer...

Para alguns a roda da fortuna têm um ritmo diferente...

(...)

Papel maldito! Agora entendo porque te odeio tanto!

Encarar você! Papel maldito!

É encarar a mim mesmo...

E hoje você perdeu papel espelho!

Acabaram-se as linhas...


Nuwnda...Salvo pelo gongo...




lições





Hoje aprendi uma lição

Sobre coisas que não devem ser feitas...

Sobre a hora certa das coisas.

Nunca! Sente-se sozinho!

Principalmente de madrugada, em noites sem estrelas...

Nunca se ponha a escrever, se pôr a prova...

Em noites como estas o melhor é não escrever

Poesias apenas sob o luar!

Ou com uma doce musa...

Que tenha belas madeixas e uma taça de vinho...

Senão! Não se ponha a fazer poesias!

Em noites assim, sem lua, sem estrelas...

O melhor é ir dormir...

Nuwanda...(in)sone.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Luz


Quando tudo tinha se perdido
Na mais profunda desesperança
Total ausência de luminosidade
Em minha descida sem freios...

(...)

Algo me parou?
Que luz é essa a iluminar tudo?
Já não estou mais a descer?
Porque não consigo enxergar?
Que luz é essa a minha volta?

(...)

Foi você meu amor!
Você que me amparou
Ilumina minha vida, eu deixo!
Segura minhas mãos, mas! Não solta...
São nos simples gestos que estão as verdades
É você que me amparou?
Hoje meu coração acordou!
Novamente...
Hoje você me despertou!
O que vou fazer com tudo esse sentir?
Será que meu peito suportará?`
É todo seu! recebe-me?
É só assim que posso falar com você...
És musa! És deusa que não se pode explicar...
Só com poesias ouso te falar...


Nuwanda...

domingo, 7 de dezembro de 2008

PANORAMA ALÉM




Não sei que tempo faz, nem se é noite ou se é dia.
Não sinto onde é que estou, nem se estou. Não sei de nada.
Nem de ódio, nem amor. Tédio? Melancolia.
-Existência parada. Existência acabada.

Nem se pode saber do que outrora existia.
A cegueira no olhar. Toda a noite calada
no ouvido. Presa a voz. Gesto vão. Boca fria.
A alma, um deserto branco: -o luar triste na geada...

Silêncio. Eternidade. Infinito. Segredo.
Onde, as almas irmãs? Onde, Deus? Que degredo!
Ninguém.... O ermo atrás do ermo: - é a paisagem daqui.

Tudo opaco... E sem luz... E sem treva... O ar absorto...
Tudo em paz... Tudo só... Tudo irreal... Tudo morto...
Por que foi que eu morri? Quando foi que eu morri?

Cecilia Meirelles

Monólogo


Para onde vão minhas palavras,
se já não me escutas?
Para onde iriam, quando me escutavas?
E quando me escutaste? - Nunca.

Perdido, perdido. Ai, tudo foi perdido!
Eu e tu perdemos tudo.
Suplicávamos o infinito.
Só nos deram o mundo.

De um lado das águas, de um lado da morte,
tua sede brilhou nas águas escuras.
E hoje, que barca te socorre?
Que deus te abraça? Com que deus lutas?

Eu, nas sombras. Eu, pelas sombras,
com as minhas perguntas.
Para quê? Para quê? Rodas tontas,
em campos de areias longas
e de nuvens muitas.

Cecilia Meirelles

Retrato





Eu não tinha este rosto de hoje,
assim calmo, assim triste, assim magro,
nem estes olhos tão vazios,
nem o lábio amargo.

Eu não tinha estas mãos sem força,
tão paradas e frias e mortas;
eu não tinha este coração
que nem se mostra.

Eu não dei por esta mudança,
tão simples, tão certa, tão fácil:
- Em que espelho ficou perdida
a minha face?

Cecília Meirelles

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Não Sei Quantas Almas Tenho


Não sei quantas almas tenho.
Cada momento mudei.
Continuamente me estranho.
Nunca me vi nem acabei.
De tanto ser, só tenho alma.
Quem tem alma não atem calma.
Quem vê é só o que vê,
Quem sente não é quem é,
Atento ao que sou e vejo,
Torno-me eles e não eu.
Cada meu sonho ou desejo
É do que nasce e não meu.
Sou minha própria paisagem;
Assisto à minha passagem,
Diverso, móbil e só,
Não sei sentir-me onde estou.
Por isso, alheio, vou lendo
Como páginas, meu ser.
O que sogue não prevendo,
O que passou a esquecer.
Noto à margem do que li
O que julguei que senti.
Releio e digo: “Fui eu?”
Deus sabe, porque o escreveu.

Fernando Pessoa

Além de nós


Além da própria vida...
Além do próprio existir?
Além de nossas feridas...
Superando nosso sentir?



É o nosso vivênciar!
Eu e você pode existir um modelo?
Um (pre)ssuposto a nos guiar?
Além destes valores! Eis então o meu duelo!


Quantas palavras são necessárias?
Quando não estamos prontos para entregar?
Não seria o amor uma grande acefalia?
.
Sou personagem de teus sonhos...
Sois musa de minha palavras...
Oh! doce Tália! Não era vós a fazer brotar as flores no chão?

Nuwanda...

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Acorda-me




Onde estão as saídas?
Dura condição este viver...
Recolhido em mim, hermético
Bloqueando tudo e todos
Na solidão do viver, quantos demonios!
Já começo a me acostumar com eles...
Tudo é cinza, desprovido de beleza
E começo a perceber minha real condição
Especial! Eis o que ouso ser?
Tentar ser diferente, ser autêntico?
Mas quantos de mim existem por ai?
Em desesperos análogos aos meus...
Em angústias que se repetem em palavras rebuscadas?
(...)
Não! Não é na angústia e choro
Que serei igual a eles!
É no auto "des" pertar que me diferenciarei!
No teu chamado! No teu toque! Em teu riso...
Que me intimam a sair da inércia!
Reconstruindo meus escombros
Amparado por tua sombra, que me da força!
Só me resta uma pergunta a fazer?
Quando estiver na minha plenitude!
Você vai suportar toda minha vastidão?

[incluindo todas minhas humanidades?

.
Nuwanda...o eterno quase pronto...