quinta-feira, 23 de abril de 2009

Vastidão


Vazios indescritíveis...
A quanto tempo eu assim sem nada sentir?
Descrente! De tudo e de mim mesmo...
Andando perdido atormentado por desvarios...


Mais eis! Que caindo esbarro em você...
Olhos vastos em verde perdição...
Oh! vastidão de um olhar!
E assim encarei o que ninguém pode ver...


E nesta velocidade dos acontecimentos...
Palavras são atiradas em desonância,
Tentando justificar e racionalizar...Em vão...


Não se pula pela metade!
Não se ama sem cativar e sem ser cativado!
E nesta queda frenética e ensandecida!

Nada temo! Pois encaro o verde do teu olhar...



Nuwanda...

segunda-feira, 20 de abril de 2009

A UM MORIBUNDO



Não tenhas medo, não! Tranqüilamente,
Como adormece a noite pelo Outono,
Fecha os teus olhos, simples, docemente,
Como, à tarde, uma pomba que tem sono ...
A cabeça reclina levemente
E os braços deixa-os ir ao abandono,
Como tombam, arfando, ao sol poente,
As asas de uma pomba que tem sono...
O que há depois? Depois?... O azul dos céus?
Um outro mundo? O eterno nada? Deus?
Um abismo? Um castigo? Uma guarida?
Que importa? Que te importa, ó moribundo?
— Seja o que for, será melhor que o mundo!
Tudo será melhor do que esta vida! ...

Florbela Espanca

Escrever


Apenas escrevo?
Escrevo as coisas que me rasgam o coração
E quando escrevo?
Tento dividir esta dor que é muita para mim...
Se escrevo?
É porque ou estou amando ou estou sofrendo...
Deixar de escrever?
Não sei se poderei fazê-lo...

(...)

Concordo que ultimamente só escrevo amarguras,
Mas, o que fazer então?
Amores! Escrever sobre o amor? Sobre o amar?
Quem me dera mais esta ilusão!
Tenho que me perder! Tenho que me perder!
Como entendo a importância deste perder...
Para ainda viver preciso deixar de mim mesmo!
Mas como é difícil! Deixar este demonio que me persegue!
Talvez nunca poderei fazê-lo...

(...)

Não seria este escrever egoísta...
A tentativa de não me perder?
Como te disse certa vez,
Já não sei de mais nada...



Nuwanda...se perdendo?

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Zumbi


Hoje me vi como o mais só dos homens
Andando calçadas vazias
Caminhando sem direção, sem destino
Solidão não apenas de gente
Mas, solidão de sentimentos que devolvam a vida
A alegria de viver...
Será ainda possível?
A cada dia perco mais um pedaço do que fui outrora
Mas ainda a vida ao meu redor, sei que sim...
Então porque não me alegro com ela?
Não a tomo para mim?

(...)

Se auto-encontrar é se perder?
Como será possível viver de tal forma?
E de repente nada mais faz sentido...
Quebram-se nossas muletas que nos fazem caminhar...
E como se andar com as próprias pernas?
Ando como se um zumbi eu fosse...

(...)

Mas, mesmo com toda esta agonia de não se saber o porquê?

(...)

Ainda ando...


Nuwanda... faltas...



domingo, 12 de abril de 2009

Metades


Vidas vividas em desassossego
Existências preenchidas pela ausência...
Quantas faltas podemos suportar?
Vazios inexplicáveis...


Te achei! Ou me achastes?
Te amei! Ou me amastes?


Estamos agora neste momento!
Frente a frente de nossas dúvidas,
Poderíamos responder perguntas agora?
É pular! É sucumbir! É te amar...


Não queremos nada pela metade!
Não queremos amores líquidos!
Queremos tudo! Ou então o nada!
No teu olhar esta o fim de minhas ausências...


[Será que você vê o que eu vejo?



Nuwanda...Almas gemias?

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Ou isto ou aquilo




Ou se tem chuva e não se tem sol
ou se tem sol e não se tem chuva!

Ou se calça a luva e não se põe o anel,
ou se põe o anel e não se calça a luva!

Quem sobe nos ares não fica no chão,
quem fica no chão não sobe nos ares.

É uma grande pena que não se possa
estar ao mesmo tempo em dois lugares!

Ou guardo o dinheiro e não compro o doce,
ou compro o doce e gasto o dinheiro.

Ou isto ou aquilo: ou isto ou aquilo . . .
e vivo escolhendo o dia inteiro!

Não sei se brinco, não sei se estudo,
se saio correndo ou fico tranqüilo.

Mas não consegui entender ainda
qual é melhor: se é isto ou aquilo.

Cecília Meireles


domingo, 5 de abril de 2009

Medo?


Medo de se estar só nesta vida...
Medo de não haver mais ninguém simplesmente,
Medo de andar e não mais parar sem acolhida...
Medo...Quantos temores se passam em minha mente?


Viver talvez seja superar estes medos?
Medo de tudo e de mais nada...
Não seria esta a coragem afinal?
Não temer mais o fim da própria vida?


Quem teria coragem de por fim a própria agonia?
Não mais se sujeitar as piores feridas?
Esquecer... Esperanças já tão idas?


Que seja a loucura a condição da própria existência!
Para onde foi a minha?
Que louco sou? Que não teme nem a própria vida...


Nuwanda...Louco?

Ao vento...


Tua dor ao meu redor...
Reverberando em minha alma!
Como ser feliz? Sabendo de tantas dores?
E o mundo desaba em cima de nós...


Lágrimas de nossas ausências...
Saudades de coisas que nunca tivemos!
E nunca teremos, apenas nossa dor, tua dor...
Folhas ao chão a mercê deste vendaval...


Gritos entre multidões de surdos...
Entre palavras que não queremos ouvir! Conselhos?
E o caos e o abismo toma conta de nossas vidas...


Sentindo tua dor e escrevendo as minhas...
Não haverá lágrimas de minha parte,
pois tudo que sentimos faz parte de nossa essência...


[ Verbarrogia...

Nuwanda