segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Languidez


Hoje preciso lavar minha alma!
Expulsar tudo que esta preso em mim,
Vomitar! Tudo isso que me faz mal,
Na profundidade desta madrugada...


Hoje talvez chorar...
Mesmo que as lágrimas não venham!
Será que ainda estou a caminhar?
Sinto-me seco demais...


Sentir-me leve de novo [Quimera?]
Gritar! E quem sabe alçar um novo vôo?
Sentir-me alegre novamente...


Antes de amanhecer a noite se torna mais escura
Para aqueles que ousarem sobreviver
À perdição de si mesmo...


Nuwanda, dando-me vírgulas...

domingo, 27 de dezembro de 2009

Vazios²


De onde vem este silêncio que me invade?
Vozes que chegam em desonâncias
Desprezo egoísta pelo outro,
Silêncio! É o que me sobra amiúde...


Tentativas de me desligar...
Anestesiado pelos piores vícios
Vegetando sem nada sentir,
A não ser o amargo auto questionamento...


Dias que se repetem patologicamente
Como poderia ser de outro modo?
Na melancolia mórbida de nada sentir...


Silêncio...
No deserto que sou agora,
Lágrimas que ninguém pode ver...


Nwuanda...

4o. Motivo da rosa


Não te aflijas com a pétala que voa:
também é ser, deixar de ser assim.


Rosas verá, só de cinzas franzida,
mortas, intactas pelo teu jardim.


Eu deixo aroma até nos meus espinhos
ao longe, o vento vai falando de mim.


E por perder-me é que vão me lembrando,
por desfolhar-me é que não tenho fim.

Cecília Meireles

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Píxel


Neste pálido ponto azul,
Perdido no meio do infinito,
Do nada dentro do vasto vazio...
Quantas ilusões de ser ou estar,
Podem ser levadas a sério?
Nesta partícula desprezível...
Seres humanos de onde estou,
Não podem ser notados...
Seus feitos? São apenas ínfimos segundos...
Nada mais!
Nem você nem eu! Não somos especiais,
Desta distância somos apenas escuridão imperceptível,
Vaidades que não mais interessam!
Medíocres...

"Numa partícula de poeira,
suspenso em um raio de sol,
dentro de um palco muito pequeno..."

Nuwanda,distante...

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Grito!


Realidade! É você que eu quero!
Questionada! Criticada! Conjecturada!
Quero a faca em minha pele!
A dor de todos os sentimentos!
Mesmo que sejam desventuras!
Sentir o gosto de sangue em minha boca!
A tensão do que sou e do que quero ser!
Mesmo que nunca venha a sê-lo!
Digo não a tudo que me engessa!
Não! A tudo que seja virtual!
Que se fodam as realidades que não posso tocar!
Quero o verbo rasgado! As palavras que desaquietam!
Quero os gritos! Os amores impossíveis!
Despedaçado! Por pensamentos desvairados!
Recortado! Sem saber quem sou ou o que quero!
Hoje ser e amanha não ser mais!
Até a última gota! Do mel ao fel!
Essa é a realidade enfim...
Nua! crua!... Mas palpável...


Nuwanda

Versos?


Sentido para uma vida questionada!
Será que vale a pena tantas perguntas?
Algumas existências merecem ser enfrentadas?
Conformar-se... Será isso! Enganar-se?
Quanto tempo ando a fugir destes versos!
Se é que posso chama-los assim!
Não deveriam ser os versos alegres e românticos?
Dando esperança a tantos o viver...
Por mais que eu tente não consigo
É a tristeza que me move!
Ou as frágeis ilusões que crio...
Os desejos que logo se esvaem...
Como o fogo que queima a palha...
E nada mais ficando apenas vazios...
Pena que os ventos não os levem como as cinzas
Ao vento! Ao vento! Leve este eu de mim!
E dentro de meu puro egoísmo!
Porque sinto tantas dores como se minhas fossem?
E dentro de meu comodismo!
Sinto as fomes! As misérias! Os desenganos!
De tanta gente desta imitação de país!
Consumista! Miserável e racista!
Maldizendo estes versos pessimistas,
Enviesado nas minhas agonias...



Nuwanda