domingo, 30 de outubro de 2011

Tortura


Tirar dentro do peito a emoção,
A lúcida verdade, o sentimento!
- E ser, depois de vir do coração,
Um punhado de cinza esparso ao vento!…

Sonhar um verso d´alto pensamento,
E puro como um ritmo d´oração!
- E ser, depois de vir do coração,
O pó, o nada, o sonho dum momento!…

São assim ocos, rudes, os meus versos:
Rimas perdidas, vendavais dispersos,
Com que eu iludo os outros, com que minto!

Quem me dera encontrar o verso puro,
O verso altivo e forte, estranho e duro,
Que dissesse, a chorar, isto que sinto!

Florbela Espanca

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Tempo



Momentos sublimes, segundos em minha vida,
Onde posso eternizar meu viver efêmero.
Na tua presença, nesse teu mirar sincero,
Nada mais é urgente, nem mesmo as tolas feridas...

Expandi os horizontes desse único destino,
Assim acalmo desvencilhado de tantos desejos.
Vislumbrando aquilo que ninguém quer ver... Exaspero.
Fulgores de todas as mentiras, trago a verdade! Sou paladino...

Loucura de perceber miriádes de tempo tão estranhas...
Sobra a solidão no topo da montanha...
Vendo então o fantasma de minhas mãos vazias....

Assim sonhos e esperanças esvaem-se na dura batalha...
E o sublime desmorona no segundo que se findou...
Finalmente alethéia! Na doce verdade de Mortalha!

Nuwanda.

domingo, 2 de outubro de 2011

Esquizofrenia...


Algo em mim se perdeu,
Confesso, entretanto que não sei o que é.
Estou completamente diverso, disperso, incomum...
E me inquieta esse estranho que se apresenta em mim.
Embora ser diferente atualmente signifique ser igual?

(...)

Assim sou o diferente do diferente,
Nessa jornada sem sentido, sem propósitos maiores.
Hoje foi divertido ver-me em meio à outras pessoas...
Realmente mudei muito, mais do que havia me permitido.
Escutando minha própria voz indiferente, voz de cemitério?

(...)

Meu corpo me dá sinais,
Grita em desespero alertando-me que já é hora.
Nas tonturas nauseantes desse mal estar, estou imóvel...
Para as decisões severas de alterar vidas que não são minhas.
Talvez por isso meu corpo trema,recue, acovarde?

(...)

É curioso mentir com a verdade na mão,
E nesse enfrentamento comigo mesmo eu sempre saio vencido.
Demonio incontido, carrasco irrascível, condenado...
Sofrimento arrastado dia após dia, midiocremente.
Aqui inerte, pensamentos insanos me apontam o caminho.

(descaminho?)

(Nuwanda?)(Raul?)