terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

talvez


Talvez nunca tenha gostado de poesias...
Talvez seja apenas a única forma que me restou,
Talvez seja assim a minha forma de desabafo...
Que me interessa os problemas dos outros?
As dores dos outros?
Seja eu o mais egoísta dos homens então...
Essa tempestade que não passa?
Essa dor que não se acaba?
Essa gente que não me entende!
Talvez, melhor assim...
Palavras e mais palavras...
Hoje vejo tanta gente a escrever!
Tanta gente querendo se auto afirmar, se mostrar...
Vida vivida para o outro!
Talvez não possa ser esse ser altruísta afinal...
talvez não possa mais escrever versos poéticos, os mais belos!
Versados em rima e métrica!
Por isso digo sem medo:
"Ante um poema! Talvez um desabafo!"



Nuwanda...Apoético

Ecos d’Alma


Oh! madrugada de ilusões, santíssima,

Sombra perdida lá do meu Passado,

Vinde entornar a clâmide puríssima

Da luz que fulge no ideal sagrado!

Longe das tristes noutes tumulares

Quem me dera viver entre quimeras,

Por entre o resplandor das Primaveeras

Oh! madrugada azul dos meus sonhares;

Mas quando vibrar a última balada

Da tarde e se calar a passarada

Na bruma sepulcral que o céu embaça,

Quem me dera morrer então risonho,

Fitando a nebulosa do meu Sonho

E a Via-Láctea da Ilusão que passa!


Augusto dos Anjos



sábado, 21 de fevereiro de 2009

Maya


Você que se aproxima, cuidado!
Pensa que sou apenas mais um?
Será que preciso realmente de tua atenção?
Seja os homens todos iguais!
Apenas regojizo minha posição...
Pois assim posso sempre surpreender...
Como faço por onde ando,
Sou a névoa que surge taciturna
Sou a névoa que não se pode alcançar
Sou a ilusão que te envolve sem perceber...
Que te faz andar nas alturas ao meu lado,
E que subitamente pode soltar tua mão...
Egoístamente...
palavras saídas no calor da emoção...
Será que após o frio do inverno permaneceram inalteradas?
Ser humano, ser divino e ser demônio...
Não é assim que somos?
Os mais hipócritas dos seres? Mas alguns sinceros?
Não sei...
Nunca se esqueça ó viajante!
Que sou um menino...Um menino maya...



Nuwanda...abstrato...

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Felicidade


Quem é você felicidade?
Que chega sem se esperar,
E quando se percebe já se esta a vagar...
Que segredo esconde? Qual tua verdade?


Chegaste hoje num lampejo!
Em meio à lágrimas me encontraste
Se ao chegar percebeu meu estado...
Porque não se demoraste?


Sendo todos criadores...
Nada sendo bom ou sendo mal,
Porque só crio coisas que me ferem?


Talvez eu não possa ser diferente...
Talvez vós! Não se agrade em minha presença...
Oh! Felicidade! Talvez seja eu que não te queira mais...



Nuwanda,

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Esperando tempestades


Prelúdio de uma tempestade!
Céu negro, carregado de pesadas nuvens,
Raios e trovões rasgam este céu distinto
Agitado, inconstante...Frenético!



Qual o porquê de tantas nuvens?
Tanta chuva? Tanta tristeza?
Não haveria de estar o céu azul? Ensolarado?
Poucas nuvens tudo calmo...


Olhando este céu tenebroso...
Vejo tantos a correr em busca de luz...
Porque não me movo? O que estou a esperar?



Seja a nuvem um pensamento!
Seja o céu o firmamento!
Quero-me assim! Repleto de tempestades...



Nuwanda...Paciente...

sábado, 14 de fevereiro de 2009

Requiem


Novamente quando menos esperam
Surge em mim essa força!
Hoje não haverá nenhum requiem!
As palavras surgem aqui e ali...
Como se minha falta sentissem!
Pois que venham! Posso abarca-las toda de uma vez!


Não há mais pedaços para serem juntados...
Não pretendo mais fugir!
Hoje não haverá nenhum requiem!
Agora me levanto por completo! Nada de soerguer...
Que saiam os anões de minha frente!
Sou eu quem falo! Não nenhuma de minhas máscaras!


Esse som que irrita quem escuta!
São meus risos de desdenho!
Hoje não haverá nenhum requiem!
Pois hoje sou o resultado de todas as minhas teimosias!
Sou a ave de rapina! Nem gaivota! Nem albatroz!
Porque agora sou pleno! Neste segundo!


(...)


Ouve a trombeta?



Nuwanda...ensaios do que virá...

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Entre o luar e o arvoredo



Entre o luar e o arvoredo,
Entre o desejo e não pensar
Meu ser secreto vai a medo
Entre o arvoredo e o luar.
Tudo é longínquo, tudo é enredo.
Tudo é não ter nem encontrar.

Entre o que a brisa traz e a hora,
Entre o que foi e o que a alma faz,
Meu ser oculto já não chora
Entre a hora e o que a brisa traz.
Tudo não foi, tudo se ignora.
Tudo em silêncio se desfaz.

Fernando Pessoa

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Amar


Leve como brisa,
Folha solta no ar.
Ventos que tranquilizam.
Luz que cega a retina,
É esse desejo de amar!

(In)reflexos...


Para onde foram as palavras?
Os sentimentos de indignação,
Com minha própria vida?
Este que agora vejo reletido, sou eu?


Nem quente nem frio...
Óh! minh'alma volte novamente!
Aqueça minha pele fria, mesmo que seja com dor!
Morte em vida! Indiferença...


Tua falta me leva a isso...
Desdenhar de tudo, inclusive de mim,
Preciso de meu reflexo de volta!


Fugindo de espelhos entre imagens distorcidas...
Quero meu reflexo de volta! Meu querer têm que ser atendido!
Não serei eu mais humano? Desejantemente humano?
.
Nuwanda...sem reflexo...

sábado, 7 de fevereiro de 2009

Floresta...


Quero as florestas esquecidas
Quero flores e amores...
Quero as copas mais altas, sem temores
Quero surpreender-me nesta louca vida!



Olhar pro céu e vê-lo encoberto pelas folhas
Sentir-me seguro esquecendo tantas dores...
Entre árvores sobre o chão não há predadores...
Será esta a paz que busco? Sem angústias...


Quero a ninfa mais bonita! A mais bela!
Quero dançar segurando a mão de uma donzela!
Rodopiar entre a mágica deste lugar!


Ser acolhido aqui enfim e não mais ser esquecido!
Ser realmente esperado! sentir-se querido!
Neste sonho que criei...Ser amado e também amar...


Nuwanda...Nas florestas entre ninfas....

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Minha cria...


Nesta solidão tão somente!
Vejo espectros que estão muito além...
Correm pelos meus sonhos veemente...
Apontando minhas falhas com desdém!


Abro os olhos fremente!...
Ao meu lado nesta altura não devia haver alguém?
Ando nesta solidão que criei, porque dela sou refém...
Era para ser tudo bem diferente, simplesmente!

Mas nada é simples nesta vida...
Criamos nossas próprias feridas!
E me vejo sem nada que possa ofertar...


Será que nunca haverá pra mim morada?
Qual andarilho que não anseia terminar a jornada?
E depois de alguns segundos novamente caminhar...



Nuwanda...Sem saber...

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Amar




Eu quero amar, amar perdidamente!
Amar só por amar: aqui... além...
Mais Este e Aquele, o Outro e toda a gente...
Amar! Amar! E não amar ninguém!


Recordar? Esquecer? Indiferente!...
Prender ou desprender? É mal? É bem?
Quem disser que se pode amar alguém
Durante a vida inteira é porque mente!


Há uma primavera em cada vida:
É preciso cantá-la assim florida,
Pois se Deus nos deu voz, foi pra cantar!

E se um dia hei-de ser pó, cinza e nada
Que seja a minha noite uma alvorada,
Que me saiba perder... pra me encontrar


Florbela Espanca

Oculto


Hoje eu busquei a solidão
Corri de todos e de tudo...
Respirei os silêncios ao meu redor
Mirei nos olhos de cada fantasma,
E todos se foram, pelo menos por agora...


Reclusão expontânea...De mim,
O que sobrou afinal?
E porque ainda te sinto aqui comigo?
Logo no momento que expulsei eu mesmo...
Porque insistes em estar aqui?


Cores por trás de cores...
Cheiros por trás de cheiros...
Sabores por trás de sabores...
Palavras por trás de palavras...
Amores por trás de amores...


(...)

Você por detrás de mim....


Nuwanda...mirando vazios...

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Hoje


Andando no caminho errado,
Buscando coisas sem valor,
Jogando crenças pelo caminho
E me apegando a outras tantas...


E hoje paro e olho dentro de mim...
Será que alguma vez já fiz isso?
Olhar para algo que não nos agrada
Hoje me vejo assim:
Sendo algo que nunca quis...


Hoje paro nesta estrada encharcada de tantas coisas...
Retenho-me e olho o caminho percorrido,
Meu mirar é adaga afiada que me enche de cicatrizes...
E mesmo sangrando de joelhos,
Retorno neste caminho, mas não sigo as velhas pegadas...


Hoje vislumbrei um novo caminho!
Talvez nele haja vida enfim...
O que me remete a defenir "vida"
E...Certamente é bem diferente dizem por ai...

(...)

Abismos...


Nuwanda...

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Estranhos...


Que véu é este que cobre nossos olhos?
Para as coisas que estão ao nosso redor...
Que muro intransponível é este?
Porque se torna tão difícil se ver da forma como somos?
Ou nos depreciamos demais...
Ou nos exaltamos demais...
E viva a arrogância!

(...)

Em mim tudo é barreiras, limites...
Força que movimenta tantos outros...[menos a mim...
Vivências forçadas! Ainda assim justificadas?
Cobranças ferrenhas a mim mesmo,
Açoites! Grilhões! Tortura! Lamentos...

(...)

Chega-se o momento do escravo ser liberto!
Do vagabundo a coroa usar!
Do caído levantar do chão a tanto sentido!
Do desprezado, desprezar!
E nesta loucura sem fim...
Hoje vi algo diferente neste estranho que me tomo,
O que foi? Ainda não sei...
Mas algo não esta como antes...

(...)

[talvez num possível final, possa a corda usar, mas hoje não...


Nuwanda...