quarta-feira, 27 de maio de 2009

Indiferença


Escrever? Como quando trazemos apenas indeferença?
E acordando e vivendo e dormindo...Sem nada sentir?
Não seria este o ideal de muitos? Desprender dos desejos?
Escapar do sofrer? Fugir do sentir? A vida dos equilibrios?


(...)


Escrever?
Por que? Para quê?
Escrever versos vazios? Mentirosos?
Quando as coisas perdem valor? O que se fazer?
Vida vivida pelo equilibrio frágil de um vir a ser...[Que não sou eu...]



Indiferença!
É a ti que clamo!
É a ti! Ó indiferença!
Esta carcaça vazia clama por ti!



Tendo andado por terrenos nebulosos!
Tentei me enganar...
Tendo andado a tanto tempo dentro ilusoes!
Tentei me enganar...
Tomei a mentira por verdade!
Mas, o engano foi a queda de um abismo dentro do outro...


E na queda abri os olhos...Para depois fecha-los novamente



Nuwanda...pqp

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Paciente


Quanto se pode suportar?
Tolerar, absorver calmamente?
Realmente como somos superiores!
Baixando a cabeça e oferecendo nossas vontades...
Nossa vida! Nossos melhores anos...
Injustiças vindas principalmente de quem amamos,
E suportamos!
Subservientes!
Esperançosos!
E lá se vai mais um ano...
Qual comprimido pode oferecer felicidade?
Não queremos felicidades de momentos...
Quantos sinais nosso corpo nos dá?
E...Quantos damos ouvidos?
Existe algo que se retorce dentro de nós,
Com maior ou menor força ele quer sair...
Talvez nosso eu verdadeiro?
Verdades?
O que pode surgir de dentro de nós?
Será que nós ainda existiríamos?
Talvez este seja o medo?
Foda-se! A paciência e a quietude!


(...)



Nuwanda...Seguindo passos?

domingo, 3 de maio de 2009

FOLHAS DE ROSA



Todas as prendas que me deste, um dia,
Guardei-as, meu encanto, quase a medo,
E quando a noite espreita o pôr-do-sol,
Eu vou falar com elas em segredo...
E falo-lhes d’amores e de ilusões,
Choro e rio com elas, mansamente...
Pouco a pouco o perfume do outrora
Flutua em volta delas, docemente...
Pelo copinho de cristal e prata
Bebo uma saudade estranha e vaga,
Uma saudade imensa e infinita
Que, triste, me deslumbra e m’embriaga
O espelho de prata cinzelada,
A doce oferta que eu amava tanto,
Que reflectia outrora tantos risos,
E agora reflecte apenas pranto,
E o colar de pedras preciosas,
De lágrimas e estrelas constelado,
Resumem em seus brilhos o que tenho
De vago e de feliz no meu passado...
Mas de todas as prendas, a mais rara,
Aquela que mais fala à fantasia,
São as folhas daquela rosa branca
Que a meus pés desfolhaste, aquele dia...

Florbela Espanca