quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Ilusão



O que será do poeta descrente?
Quando suas musas caem despedaçadas
Versos de sangue na madrugada
Que será do andarilho penitente?

Ai daquele que escreve com amargura e rancor
Versos frios sem sentimento
Falseando máscaras jogadas ao vento
Nos fantásticos desejos irreais gladiador...


Quem há de cativar a indiferença?
Quem há de amar por si só como sentença?
Amar quem não devota sua alma?

Lamentos e murmúrios entre essa gente
Que são benditos de teus benfazejos
Maya dai-me a dádiva do esquecimento...

Nuwanda...

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Eudaimonia



Talvez esteja fadado a vislumbrar
Tudo que já não pode mais ser visto
Atrás dos holofotes o espetáculo irreal
Talvez esteja fadado a sentir
Sentir tudo, todos os sentimentos em cada criatura
Como se meus fossem, como um ladrão
Que não podendo sentir por si mesmo
Necessita do sentimento velado de cada atitude
E  tudo se torna fogo e dor
E as entranhas rasgam ininterruptamente
Talvez seja esse o destino dos poetas
Dos mártires de um mundo que já não pode mais ver
Do mundo que já não pode mais amar
Dos que vivem e já não podem mais viver
[...]
E assim vivo não por mim, mas por todos que esqueceram
De viver de verdade nas suas Alétheias reluzentes...

Nuwanda

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Aforismo


E tudo chega em mim de forma tão inesperada
Fogo que me consome em louco arrebatamento
Mistérios que planejam uma emboscada
Desdobramentos desta chama tênue de um momento...

E no distante eu ideal que almejo ser
Forças contrárias me impedem de chegar
Procurando o descaminho para me esquecer

Antagonismos nesta sede de infinito que me assola...

E cada vez que aponto-me para o norte almejado
O tão sonhado encontro da minha existência verdadeira
Sopram os ventos de tempestade que  me mantém afastado...

E quando tudo esfria no mais profundo congelamento
Sonho em poder novamente acender o desejo de viver
Nesta vida que me repele de mim mesmo lentamente...

Nuwanda

sábado, 1 de setembro de 2012

Atalho


Se repetem os dias lentamente
Pensamentos destrutivos a me questionar
E por um segundo sou crente à alentar
E vejo a pessoa que minha alma é dependente...

E ao segurar sua mão toda a treva refulgiu
Derretendo o gelo que em mim estava
E sois a luz que na escuridão desbrava!
Nascer do sol com o amor que me fugiu...

E vejo num lampejo como minto
E novamente estou fugindo
Nesses atalhos por onde ando...

E um novo amor há alvorecer
É desamor retumbante à esvaecer
Nesse coração que também se engana...

Nuwanda...