quinta-feira, 30 de julho de 2009

Sonho


Renascer! Hoje eu me desperto!
Hoje preciso de força para prosseguir...
Mesmo sem as muletas seguir...
Para onde? Já não me importa mais...


Já perdi tempo demais tentando entender,
Existem coisas que não devem ser pensadas,
Pois as respostas levam a caminhos negros demais.
E mesmo imerso na escuridão! Quero viver!


Andando a tanto cansado das mesmas dores...
Andando a tanto revirado pelos mesmos fantasmas...
Andando...O continuar a andar me basta agora...


Sonhos! Quero os mais simples...
Sonhos! Os mais banais...
Sonhos! Que me mantenham respirando...



Nuwnada...Ou não.

sábado, 25 de julho de 2009

Ítaca


Viver, mover-se, passar...
Como desejar esta longa jornada?
Quando não se têm a Ítaca desejada?
Cair, suportar, levantar?


Preciso desesperadamente de paixão!
Para cair, suportar e levantar!
Que venha de onde vier!
Que este fogo consuma tudo em mim!


Chegar perto demais? É se queimar?
Que seja! Ser devorado pelas chamas!
E desaparecer em meio as cinzas...


Viver no frio de nada sentir...
No limiar do morrer lentamente...
Para mim quero mais que meras palavras.


Nuwanda.

sábado, 18 de julho de 2009

(...)


Ando a movimentar tanta gente
Sendo o ideal de mais fortes que eu
Dando esperança a tantos mundos
Sendo utopia de tantos e nenhuma para mim...


Mundos virtuais...
Palavras...
Conexões...
Trocando mentiras por mentiras!


Mas! Sou assim!
Aquele que anda sozinho!
Que dispensa a companhia de si mesmo!
Sozinho...Eis o preço do despertar?


Agente de meu próprio caos!
Verdugo de minha própria carne!
Coveiro de minha própria sepultura!
Poeta de meu próprio requiem...



Nuwanda...amém!

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Sussurros


Sussurros me vem a todo momento...
Vozes de passados que não querem se esquecidos
Auspícios de futuros que gostaria de evitar...
E de olhos fechados vejo tudo que não quero ver...


Fugir destes traços malditos! Como tentei!
Não escrever nem sequer uma só letra!
Malditos tormentos vãos!
Sons que resistiriam até o fim da própria vida...


Vida...


Que demonios podemos ser afinal?
Torturas sádicas infligidas em nossa carne!
Sempre nós! Sempre nós! Sussurros...
Quem é este que escreve?


Das músicas as mais barulhentas!
Decibéis! Acordes! Que estourem meus tímpanos!
Ainda assim...Sussuros...
Que voz é esta que se faz ouvir mesmo na balburdia?


[Quem é este que escreve????!!!!!!!!


Nuwanda...Certamente um louco.

sábado, 11 de julho de 2009

Inevitável


Pode alguém deter o curso de um rio?
Ou impedir o inevitável?
Quem pode capturar uma ventania?


De mãos dadas andamos agora!
Quem poderia seguir nossos passos?
Se elevar nas alturas de onde estamos?


Era o incomensurável!
E mesmo desdenhando do destino!
Aqui estou! Mirando teus olhos!


Para voar tívemos que cair!
Para amar-te! Tive que te perder!
Pois somente no caos encontramos o amor...


Nuwanda...No caos


domingo, 5 de julho de 2009

Reinvenção


A vida só é possível
reinventada.


Anda o sol pelas campinas
e passeia a mão dourada
pelas águas, pelas folhas...
Ah! tudo bolhas
que vem de fundas piscinas
de ilusionismo... — mais nada.


Mas a vida, a vida, a vida,
a vida só é possível
reinventada.


Vem a lua, vem, retira
as algemas dos meus braços.
Projeto-me por espaços
cheios da tua Figura.
Tudo mentira! Mentira
da lua, na noite escura.


Não te encontro, não te alcanço...
Só — no tempo equilibrada,
desprendo-me do balanço
que além do tempo me leva.
Só — na treva,
fico: recebida e dada.


Porque a vida, a vida, a vida,
a vida só é possível
reinventada.

Cecília Meireles

Depois do sol...






Fez-se noite com tal mistério,
Tão sem rumor, tão devagar,
Que o crepúsculo é como um luar
Iluminando um cemitério . . .

Tudo imóvel . . . Serenidades . . .
Que tristeza, nos sonhos meus!
E quanto choro e quanto adeus
Neste mar de infelicidades!

Oh! Paisagens minhas de antanho . . .
Velhas, velhas . . . Nem vivem mais . . .
— As nuvens passam desiguais,
Com sonolência de rebanho . . .

Seres e coisas vão-se embora . . .
E, na auréola triste do luar,
Anda a lua, tão devagar,
Que parece Nossa Senhora


Pelos silêncios a sonhar . . .

Cecília Meireles