quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Questionamentos


Nessa estrada mesmo quem conhece não sabe como chegar!
Ou será que sabe, mas não quer prosseguir?

Quamtos labirintos irão surgir a nossa frente,

Quantas escolhas? Dúvidas?

Será necessário vê além de onde pode enxergar?
Olhar e refletir!
Deixar cair o véu do longe adiante de ti e de nós...

Basta


Basta o sorriso para a noite se tornar dia.
Basta um toque para que tudo se transforme.
De leve, de longe como brisa serena,
nas noites escuras me olhas distante.
Leva-me além do horizonte como ventania sem destino.
Acalma minha alma e leva-me

para além do sonho para além da vida!

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Além da tempestade


A espera de alguém que não virá
Nesta manhã clara porém sombria
Como é insuportável esta poesia...
Um segundo martirizado entre mentiras


Inspiro! Expiro! Novamente! Novamente...
Estou vivo? Cadáver que se arrasta?
Já estou além da encruzilhada nefasta...
Onde está a alegria prometida? Por que sempre o penitente?


Na tempestade a árvore recurva-se
Para sobreviver lentamente rebaixa-se
Viva! Viva ao passar da tormenta...


Valerá a pena? Viver o dia que virá?
E ver-se plantado ao mesmo lugar?
Arrancar-se e tombar mesmo que morto...


(...)Em outros lugares...



Nuwanda...

sábado, 4 de dezembro de 2010

Árido


Desertos em minha vida
Sonhos de erudição? Erosões...
Terra sem chuva...Céu sem nuvens,
Perdido no âmago deste infinito que sou...


Se escrever é repetir-me?
Por que continuar este martírio?
Árvore seca no deserto
Para viver tenho que ir-me cada vez mais profundo...


Terra sem chuva...
Quem entenderia estes versos, versos?
Para onde foi minhas rimas? Minha alegria?


Apenas uma delicada vida me prende aqui...
Aqui? Já faz tempo que não sei onde estou,
Ou porque estou... A resposta não esta dentro de nós...


[Por que não existe...



Nuwanda...

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Sempre Augusto



A ESPERANÇA


A Esperança não murcha, ela não cansa,
Também como ela não sucumbe a Crença.
Vão-se sonhos nas asas da Descrença,
Voltam sonhos nas asas da Esperança.


Muita gente infeliz assim não pensa;
No entanto o mundo é uma ilusão completa,
E não é a Esperança por sentença
Este laço que ao mundo nos manieta?


Mocidade, portanto, ergue o teu grito,
Sirva-te a crença de fanal bendito,
Salve-te a glória no futuro - avança!


E eu, que vivo atrelado ao desalento,
Também espero o fim do meu tormento,
Na voz da morte a me bradar: descansa!


Augusto dos Anjos

domingo, 21 de novembro de 2010

Esquecimento


Esse de quem eu era e que era meu
Que foi um sonho e foi realidade

Que me vestiu a alma de saudade,
Para sempre de mim desapar’ceu.

Tudo em redor então escureceu,
E foi longínqua toda a claridade!
Ceguei,... tacteio sombras... Que ansiedade!

Apalpo cinzas porque tudo ardeu!

Descem em mim poentes de Novembro.
A sombra dos meus olhos, a escurecer...
Veste de roxo e negro os crisântemos...

E desse que era meu já me não lembro...

Ah, a doce agonia de esquecer
A lembrar doidamente o que esquecemos!


Florbela

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Olhares


Por quantos mares naveguei?
Quantas montanhas escalei?
E do abismo? Quantas vezes me joguei?!
Agora, não sei mais onde estou...


Hoje vejo-me da forma que sempre fui
O orgulhoso! O egoísta! O sábio?
Qual o sentido da alteridade?
Palavra que nunca saberei o significado...


Sou o paradoxo entre a empatia e a indiferença
Mas! Ainda assim apaixonado!
Amor! Paixão! Ilusão... [Só amamos por nós mesmos...


Por teu amor não lutarei...
Por meu amor sacrificarei
Tudo que podíamos ter vivido...


[No derradeiro fim, apenas lembranças...



Nuwanda... (aguçando o olhar)

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Mal..Dito


Sinto o medo do futuro que há de vir
O desconforto que anseia dentro do peito
Essas dúvidas que remontam esse devir
Castelo de ternura todo dia desfeito...


Tenho o olhar grave entumecido
Agonias que apenas eu posso ver!
Sou sozinho! Sou sozinho! Sempre fui o banido...
Pobres coitados em fortalezas a derreter...


Abatido por sentimentos que me calam
Vozes inauditas que sentem e não falam
Sou o demônio que afasta o divino...


Sangue é o gosto que em mim se espalhou
Dissabor desta vida que em mim se fechou...
Neste maldito excremento que chamam de destino.



Nuwanda.

domingo, 3 de outubro de 2010

Cativa-me


Terá alguém alguma vez!
Amado nesta vida?
Por que para amar temos que,
Prender? Desconfiar? Dominar?
Será o medo de que se escape?
Amar para sempre existe tal coisa?
Amar! Amar! Pode amar os egoístas?

(...)

Em teu amor encontrei
Algo que tinha me escapado
Como água por entre meus dedos...
Amar é libertar! Cativar! Não aprisionar...
Pois o amor não tolera prisões, não!
Quem poderá amar-me da forma que desejo?
Me querer sem grades! Sem prender-me
Sou pássaro que voa sublimando desejos
Esses os mais loucos... Cativa-me...



Nuwanda...Fluído

domingo, 26 de setembro de 2010

Naufrágio


Segue a nau para a dura viajem
Estrelas a barlavento! Brada o capitão!
Içam-se as velas! Do convés à popa todos bradam
Ao proibido! Ao proibido! E segue a nau do capitão...


Contra o vento segue firme
Tempestades não tem medo!
Segue assim o capitão,
Em direção ao interdito ensandecido...


Tua companhia em teus lábios na tua boca!
Teu calor tua alma é para mim a tempestade!
Sem saber onde tuas ondas desembocam
Quero perder-me em insana felicidade...


Bons ventos! Bons ventos! Brada o capitão
Perdido ao desdém da maré bravia
Ao proibido! Ao proibido! bradam a tripulação
Assim se perde a nau do capitão...

(...)

E no zénite somem na escuridão.


Nuwanda...In Nitimur In Vetitum

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Man on fire


Nas ardentes chamas a queimar
Incendeio esse estar que concebo
Pois jamais serei nada que antes um estar
Nos momentos ardentes que percebo
Que palavra alguma pode haver
Nada que possa sintetizar este não ser
Clamo a mim mesmo pois não há a quem clamar!
Apenas na tela fria vomitar
Os lamúrios covardes deste passar
E no alvoroço das minhas chamas tecer...
O plano mais sórdido perscrutar!
Clamo a mim mesmo pois não há a quem clamar!
Entre meus próprios gritos nada fazer!
Cotidiano frio quero ver-te arder!
Derreter-te e por uns segundos regozijar
A minha própria felicidade abraçar
Pelos instantes vertiginosos antes de desaparecer
E no fim quando no silêncio perecer
Clamarei a mim mesmo pois não há a quem clamar...


Nuwanda...

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Surreal


A ausência de nossas vidas
Clama pelo que deveríamos ser!
Por isso a dor nos devora nas madrugadas...
Arrancando-nos sem dó nossas esperanças

Concordar com a vida que se leva?
Quem pode dizer que sim? [mentir?]
Sem a saudade de algo que já não existe mais
Ou nunca sequer existiu?

Por que então correr demasiadamente?
Quantos livros à ler?
Felicidade em algo que desaquieta o viver?
Na solidão pode existir a quietude?

Como querer viver para sempre?
Neste envelhecer agonizante?
Há muito tempo que não tenho flores
Muito menos cores nos meus pincéis...

Restou-me o cinza entristecido,
O desconforto do cotidiano infernal
Será que estamos todos no inferno?

(...)

Mesmo no inferno existem anjos
Que entre nós nos dão o alivio
De alguns segundos de ar fresco...
Na destruição das inocências que restaram...

Nuwanda...Céu e inferno...

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Sou?



Esse sou eu!
Essa eterna curva...
Correndo pelo fim que não chega...
Fim? Começo? Recomeço...
Não existem retas neste que sou


Assim...


Sem perceber nada ao redor
Perco meus próprios traçados
Caminhos? Descaminhos...


Esse sou eu! Sou?
Obliterado de si mesmo!
E provavelmente aquele que jamais se encontrará!


[...]


Encontrar...
Se perder?
Torto... Enviesado... Pecados!
Pecados!?
"D e s...c r e n... t e" "D e s... a l... m a... do" " D e s... t e r... r a... d o"
Se me culparem?
Ou não entenderem?
Ponho a culpa no palhaço[...]


E quando tudo cair
E chegar o provável fim...
Quando chorando muitos estiverem a lamentar...
Eu! Mesmo sem ter-me encontrado
Estarei rindo!
No instante derradeiro sob a tumba fria...


Nuwanda...

terça-feira, 24 de agosto de 2010


    O meu olhar é nítido como um girassol.
    Tenho o costume de andar pelas estradas
    Olhando para a direita e para a esquerda,
    E de vez em quando olhando para trás...
    E o que vejo a cada momento
    É aquilo que nunca antes eu tinha visto,
    E eu sei dar por isso muito bem...
    Sei ter o pasmo essencial
    Que tem uma criança se, ao nascer,
    Reparasse que nascera deveras...
    Sinto-me nascido a cada momento
    Para a eterna novidade do Mundo...

    Creio no mundo como num malmequer,
    Porque o vejo. Mas não penso nele
    Porque pensar é não compreender...

    O Mundo não se fez para pensarmos nele
    (Pensar é estar doente dos olhos)
    Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo...

    Eu não tenho filosofia; tenho sentidos...
    Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é,
    Mas porque a amo, e amo-a por isso
    Porque quem ama nunca sabe o que ama
    Nem sabe por que ama, nem o que é amar...

    Amar é a eterna inocência,
    E a única inocência não pensar...

    Alberto Caeiro, em "O Guardador de Rebanhos", 8-3-1914

domingo, 15 de agosto de 2010

Poemas de agosto


Lágrimas de sangue no teu rosto
entre os espelhos quebrados...
.
Sorrisos belos e perfeitos
encobrindo pesadelos medonhos...
.
Tudo é belo e esteticamente confortável
entre as misérias interiores...
.
Calhamaço ante olhos e mesas
entre ideais medíocres...
.
O diálogo cultural pautado no bom senso?
salve-se a tradição! Não deixe que se perca a identidade!
.
A paixão! O amor! Salve nossas vidas repletas de felicidade!
individual e falsa, ocupando os olhares sobre os monitores...


(...)


E se "D"eus quiser!
Salve a mim do inferno
E Deus proverá!
No fim já não mais existirei em mim
como me conheço agora...

.
Nuwanda...Fatídico Agosto...

Dia do estudante?


Meus queridos alunos!

Neste dia em que te homenageiam
Será que tens motivos para rir?
Ou comemorar tua real situação?
Quais os saberes que guardaste?
Ou os aprendizados que te valeram algo além das notas?
Qual o dia em que rindo feliz vieste à escola?
Quem pode cativar tua atenção?
Quem pode ensinar algo que queira aprender?
Neste teu dia ofereço-te minha amizade
Um sentimento de quem sabe que vocês podem mais!
Mas, não se esqueçam que neste dia!
Não tens muito que comemorar...

Nuwanda! Trinta anos de atraso educacional...

Distopia


Para onde mirar?
O que existe de verdade?
E essa falta em mim?
Até quando o isolamento?


(...)


Mesmo que os fantasmas voltem...
O que podem eles fazer por mim?
Existe alguém além das minhas idealizações?
Provavelmente eu já sei essa resposta...


Será o amor acreditar em coisas que não existem?
Como talvez nosso criador?
Quantas lentes já mudei?
E por que nem eu mesmo entendo o que escrevo?


Talvez por isso que quando escrevo,
Arranco de mim na maioria das vezes
Sentimentos irreconciliaveis comigo mesmo
E já não me pertencem mais
Por isso: escrevo, escrevo e escrevo...


[ Leva-me estas perguntas!



Nuwanda...Distópico

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Prisão


Vivo minha prisão ferrenha
como todos nós vivemos [martírio!
mas, cometi o erro de encarar
essas grades que estão a me barrar


Vejo tudo delimitado por um olhar [livre árbitrio?
correntes que arrastam possibilidades
nesta inércia fui capturado
ver a si mesmo é primazia?


Vejo nas mentiras minhas verdades
e nas verdades minhas piores falsidades
só embaralhado é possível viver neste cárcere?
Ver certas coisas é sinal do provável fim?


Morte em vida
vida e apatia
nas poucas escolhas
livre árbitrio?
Óh! Doce mentira...


Nuwanda...

terça-feira, 27 de julho de 2010

Existe um poema melhor?


Os ombros suportam o mundo



Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus.
Tempo de absoluta depuração.
Tempo em que não se diz mais: meu amor.
Porque o amor resultou inútil.
E os olhos não choram.
E as mãos tecem apenas o rude trabalho.
E o coração está seco.


Em vão mulheres batem à porta, não abrirás.
Ficaste sozinho, a luz apagou-se,
mas na sombra teus olhos resplandecem enormes.
És todo certeza, já não sabes sofrer.
E nada esperas de teus amigos.


Pouco importa venha a velhice, que é a velhice?
Teus ombros suportam o mundo
e ele não pesa mais que a mão de uma criança.
As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios
provam apenas que a vida prossegue
e nem todos se libertaram ainda.
Alguns, achando bárbaro o espetáculo
prefeririam (os delicados) morrer.
Chegou um tempo em que não adianta morrer.
Chegou um tempo que a vida é uma ordem.
A vida apenas, sem mistificação.


Carlos Drummond de Andrade

sábado, 24 de julho de 2010

Como você...


Também queria...
Navegar por entre mares
Ter o vento que me leva além dos meus desejos!
Trazendo o ar que eu tanto preciso
Também queria...
Que minhas loucuras fossem coloridas
Ser poeta sem versos nem rimas, como queria...
Queria a doçura e o sabor indescritíveis a cada dia
E no ar pegar as pétalas que flutuam no infinito...
E que talvez um dia nunca consiga...


(...)


Nuwanda...

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Querer




Quero navegar por entre os mares,
Quero vento nas velas de meus desejos.
Quero ventania na minha vida,
Quero cores em meus pensamentos.
Quero ser poeta, mas não quero versos.
Quero palavras doces, mas não quero rimas.
Eu quero sabor para meus dias e sentir a brisa do dia.
Quero ser pétala no ar, como nunca fui um dia...

domingo, 18 de julho de 2010

Glacial


Passos indecisos na escuridão, segue...
Fremente no frio que ele próprio produz,
Não verte mais o fogo de seu coração
Na morbidez azul da morte...Frio...


Ainda segue...
A lareira crepitante apagou
Resta o gelo voraz em suas veias,
Deixando raízes para trás...


Não há luz... Segue?
O movimento de seus passos trás a dor,
Mas não há como parar... Não...
Do teu conforto inerte... Podes ver?


Segue!
Fazendo do teu frio indiferente,
A tua força para ir além...
Dos que um dia ousaram viver,
Para adiante! Da mediocridade...


Nuwanda...

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Desabando


Ó doce dama que não conheço...
Passos rápidos ante meu não saber
Doçura singela nos pequenos gestos
Olhar perdido assim como o meu...


Por que somos almas assim?
Sempre angustiadas eu e você?
Cicatrizando feridas que nem sabemos o porquê?
Nessas lágrimas que só nós podemos ver...


Olho esta chuva que cai continuamente
Será que entende o motivo que esta a desaparecer?
Cada simples gota tem ideia da sua dimensão?


Todos olham em volta esse mundo ordenado!
Por que você e eu não o vemos assim?
Aos nossos olhos o mundo cae em mil pedaços...


Nuwanda...

domingo, 30 de maio de 2010

Daí-me algumas palavras


Dai-me algumas palavras,
- porém, somente algumas! -
que às vezes apetece,
pelos jardins de areia,
colher flores de espuma.

Deixai, deixai,secreto,
o silêncio que dorme
às portas da minha alma,
guardando os labirintos
e as esfinges enormes.

(O silêncio caido
com seus firmes oceanos
- onde não há mais nada
dos litorais do mundo
nem do périplo humano!)

Cecilia Meireles

Quando



Quando olho para mim não me percebo.
Tenho tanto a mania de sentir
Que me extravio às vezes ao sair
Das próprias sensações que eu recebo.
O ar que respiro, este licor que bebo,
Pertencem ao meu modo de existir,
E eu nunca sei como hei de concluir
As sensações que a meu pesar concebo.
Nem nunca, própriamente reparei,
Se na verdade sinto o que sinto. EU
Serei tal qual pareço em mim? SEREI
Tal qual me julgo verdadeiramente?
Mesmo ante as sensações sou um pouco ateu,
Nem sei bem se sou eu quem em mim sente.


(ÁLVARO DE CAMPOS)


sábado, 29 de maio de 2010

Pedaços


Viver é arrancar pedaços!
Partes de outros pra si em puro egoísmo,
Se amalgamar com eles em delírio profundo!
E deixar também pedaços de si no caminho...



Ando sem arrancar pedaços de ninguém...
Despedaçado por tantos outros que também,
Por medo da própria presença,
Roubam-me partes que não são minhas... [Ladrões?


Será esse o sentido do "oco" que a tanto sinto? [ O que me sobra?


Dando esperança a tanta gente!
Como pode ser isso possível?
Se não tenho nenhuma para mim mesmo?


Os pedaços que colo em mim
São pedaços que não aderem, enfim
Neste ser marcado para a solidão...



Nuwanda!!!!!!! [Quando já nos tivermos ido, o que mais vai importar?

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Equações


Sempre questionei-me sobre muitas coisas,
Sobretudo pelo vazio que constantemente
Crio em mim...
E chega a ser lúdico por demasia
A rasteira que levo dia a dia
De meras palavras que noutros ouvidos
Soam sem importância alguma...
Percebo enfim que as raízes
Que vivo a arrogar que já não existem
Vivem em mim silenciosamente
E como numa batalha quântica da física
Me desconstruo novamente...
E escuto as novas raízes que renascem em mim...
Aqui na balburdia que quero o meu existir!
Vazio! Vazio! Sim o mais repleto vazio!
Concordo veemente...
Mas! Paradoxalmente nas contradições que crio,
Como também na física a ausência não é apenas ausência...
Assim também o meu vazio! Neste sentir é repleto!
Explosões em mim dentro deste vácuo preenchido...


(...)


Das mais enlouquecidas equações...



Nuwanda...

domingo, 9 de maio de 2010

Vaidade (florbela)


Sonho que sou a poetiza eleita,
Aquela que diz e tudo sabe,
Que tem a inspiração pura e perfeita,
Que reúne num verso a imensidade!



Sonho que um verso meu tem claridade
Para encher todo o mundo! E que deleita
Mesmos aqueles que morrem de saudade!
Mesmo os de alma profunda e insatisfeita!



Sonho que sou alguém cá neste mundo...
Aquela de saber vasto e profundo,
Aos pés de quem a terra anda curvada!


E quando mais no céu eu vou sonhando,
E qunado mais no céu ando voando,
Acordo do meu sonho...



E não sou nada!...



Florbela Espanca




terça-feira, 4 de maio de 2010

Lobo


Que grito poderia ser dado nesta hora?!!!!!!!
Que sensação estremece em mim?
Que força transborda deste que escreve agora?
Neste momento, um oceano de tempo!
Posso ser tudo!
Posso ir além do que sequer imaginei...

Já não é mais o medo que guiam estas tolas palavras
Nem angústia! Nem auto flagelo! É força!
E que me corta o respirar de tão intenso...
Não há versos que exprimam o que neste paradoxo,
É incontido no mais abissal eu que não conhecia...
Talvez amanhã já não esteja em mim...Latente?

Hoje! Posso tudo! Dentro de meu egoísmo mais perverso!
Hoje sou o caçador que espreita nas sombras
Meu olhar é firme! E decidido meus passos!
Não existe nada aqui que vacile neste gigante que me vejo!
E percebendo o perigo que este caminho leva...
Apenas gracejo com risos e desdenho nos lábios...

E não me é possível entender o medo que me movia!
Dentro das minhas falhas constantes!
Pois agora! A vida corre em meu sangue ardente!
E este que eu não conhecia emerge em mim!
Como o lobo que devora na floresta!
Onde nenhum outro pode atrever-se mirar em seus olhos...

Nuwanda?

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Demônio


Não há ninguém perto agora...
Apenas meus próprios passos posso ouvir
Cadenciando a solidão que sinto nessa hora,
Observando o caminho que há de vir...


É nesta escrita que me velo...
Nesse enigmático sofrimento que me devora
E...neste mistério sem fim me revelo...
Quem poderá ver-me em verdades desoladoras?



É na aridez que me movo...
Passos rápidos em direção à escuridão
Nesse caos de mim que promovo...



E nesta polifonia de vozes que crio!
Ninguém pode ver ou ouvir!
Os demônios que trago dentro de mim...



Nuwanda...

sábado, 24 de abril de 2010

Poeta



POETA, às horas mortas que o cálice azulado
— Da etérea flor — a noite — debruça-se p'ra o mar,
E a pálida sonâmbula, cumprindo o eterno fado,
As gazas transparentes espalha do luar,


Eu vi-te ao clarão, trêmulo dos astros lá n'altura
Pela janela aberta às virações azuis,
— A amante sobre o peito sedento de ternura,
A mente no infinito sedenta só de luz.


Perto do candelabro teu Lamartine terno
À tua espera abria as folhas de cetim;
Mas tu lias no livro, onde escrevera o Eterno
Letras — que são estrelas — no céu — folha sem fim


Cismavas... de astro em astro teu pensamento errava
Rasgando o reposteiro da seda azul dos céus:
E teu ouvido atento... em êxtase escutava
Nas virações da noite o respirar de Deus.


O oceano de tua alma, do crânio transbordando,
Enchia a natureza de sentimento e amor,
As noites eram ninhos de amantes s'ocultando,
O monte — um braço erguido em busca do Senhor.


Nas selvas, nas neblinas o olhar visionário
Via s'erguer fantasmas aqui... ali... além,
P'ra ti era o cipreste — o dedo mortuário
Com que o sepulcro aponta no espaço ao longe... alguém


No cedro pensativo, que a sós no descampado
Geme e goteja orvalhos ao sopro do tufão,
Vias um triste velho — sozinho, desprezado
Molhando a barba em prantos co'a fronte para o chão.


Aqui — ondina louca — vogavas sobre os mares —
Ali — silfo ligeiro — na murta ias dormir,
Anjo — de algum cometa, que vaga pelos ares,
Na cabeleira fúlgida brincavas a sorrir.


Sublime panteísta, que amor em ti resumes,
Sentes a alma de Deus na criação brilhar!
Perfume — tu subias, de um anjo entre os perfumes,
Ave do céu — nas nuvens teu ninho ias buscar.


Canta, poeta, os hinos, com que o silêncio acordas,
A natureza — é uma harpa presa nas mãos de Deus.
O mundo passa... e mira o brilho dessas cordas...
E o hino?... O hino apenas chega aos ouvidos teus.


Todo o universo é um templo — o céu a cúpula imensa,
Os astros — lampas de ouro no espaço a cintilar,
A ventania — é o órgão que enche a nave extensa,
Tu és o sacerdote da terra — imenso altar.

Castro Alves

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Lamento...


Por quê? Essas aflições não passam?
Por que não se dissolvem dentro da fornalha que sou?
Sinto que serei consumido por mim mesmo...
Eternas prisões do cuidado com o outro!
Em descompasso das coisas que quero...
E o que eu quero? O que tanto busco?
Que mergulho foi este? Nessas aguas abissais?
Seria a interrogação uma fuga?
Do não enfrentamento do meu eu?
Deixando legados de minhas misérias a quem, realmente amo...
Neste amor egoísta que tanto perpassa-me...
Na verdade estou cego!
Desvelando fantasmas e quimeras de mim...
Escrevendo meus silêncios de cada dia...
Ouve?
Já não me é estranha esta minha indiferença,
E já percebo que afundei demais...
Descontínuos desta mágoa que não se explica...



Nuwanda...



quarta-feira, 7 de abril de 2010

Utopia


Como é doce o amor!
Amar! A vida cheia de novas cores!
E gritar aos quatro ventos com ardor!
E caminhar à vida em meio a flores...


Mas! Quem pode dizer que este sentir durou?
Ou quem pode dizer que amou,
Na mesma medida em que foi amado?
Quem pode arrogar-se que sabe amar?


Irreal? Intangível? Inefável?
Talvez o amor seja para nós
Como o andar infinito do nunca achar...
Andar,andar, andar... Não é assim viver?


Seja o amor um breve momento!
Seja o amor um beijo interminável!
Ou talvez só teias de ilusões!
Mesmo sem saber amar!
Afogar-me-ei nesta ignorância...


Nuwanda.

quinta-feira, 18 de março de 2010

É fácil trocar palavras



"É fácil trocar as palavras,
Difícil é interpretar os silêncios!
É fácil caminhar lado a lado,
Difícil é saber como se encontrar!
É fácil beijar o rosto,
Difícil é chegar ao coração!
É fácil apertar as mãos,
Difícil é reter o calor!
É fácil sentir o amor,
Difícil é conter sua torrente!

Como é por dentro outra pessoa?
Quem é que o saberá sonhar?
A alma de outrem é outro universo
Com que não há comunicação possível,
Com que não há verdadeiro entendimento.

Nada sabemos da alma
Senão da nossa;
As dos outros são olhares,
São gestos, são palavras,
Com a suposição
De qualquer semelhança no fundo."

Fernando Pessoa

quarta-feira, 17 de março de 2010

Eu não sou de ninguém...


... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ...

... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ...

... ... ...... ...... ... ...... ... ... ... ... ... ... ... ...

... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ...


Eu não sou de ninguém!... Quem me quiser
Há de ser luz do sol em tardes quentes;
Nos olhos de água clara há de trazer
As fúlgidas pupilas dos videntes!


Há de ser seiva no botão repleto,
Voz no murmúrio do pequeno inseto,
Vento que enfuna as velas sobre os mastros!...


Há de ser Outro e Outro num momento!
Força viva, brutal, em momento,
Astro arrastando catadupas de astros!


Florbela espanca

Alter ego

Quem me dera não ver-me com meus olhos
Olhar-me de maneiras bem diversas
E quem sabe assim ser entre os astros
Diferente como agora vejo-me imerso em madrugadas...


Quero outros olhares! quem sabe a ternura?
Quero olhar para mim mesmo fugindo...
Como quem me olha passar e conjectura!
Arranca-me de mim! Um olhar novo que vai surgindo!


Observar como que de fora
É ver tudo com mais amplitude? Já é hora?
Talvez assim ver outro defronte do já esquecido...


E mesmo nas mentiras, oh doce ilusões
E entre teu mirar e meu olhar...Diverges
Da forma que me inflijo endoidecido...


Nuwanda...

sábado, 6 de março de 2010

Jasmim


Quem pode amar nesta vida?
Sentir-se realmente enternecido?
Felicidades que se vão esvaecidas...
Neste dia a dia entristecido...


Mas no teu andar vejo propósitos!
Que diferem dos meus passos que vacilam...
No revoar de teus cabelos tão explícitos!
Atropelando os que ficaram no caminho...



Ouse! Tudo o que te dizem impossível!
Ouse! Atravesse as montanhas que te prendem!
Ouse! Olhar e perceber quem você é de verdade!



Pois, daqui de onde estou,
Vacilante e temeroso,
Vejo alguém que merece muito mais do que sonhou...


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Nuwanda... À quem admiro...

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Máscara


Já não lembro-me mais de teu rosto
A cada dia desaparece um pouco mais
Teus traços...Tua face...Teu olhar...
Já não consigo mais lembrar-me...


E como tenho me esforçado pra te Olhar!
Por mais que corra em desespero!
Não para de afastar-se de mim
Perdendo-se na escuridão...Abra os olhos?


Talvez tenha razão quanto as tantas máscaras
Mas não pode-se negar que essa que vês
Tem-me sido a mesma por vários anos
Já será agora pele?


Tens a coragem de arrancar-lhe?
E ver o que nem eu mesmo ouso desnudar?
Ver que não sobrou nada do que você sequer conheceu?
Encare! O vazio que sou agora...


Nuwanda... Quando escrever deveria ser uma terapia?

Farol?


Ouve! O barulho que estremece estas paredes?
Ouve! O estertor que se faz presente em meu silêncio?
Pode a estrutura suportar tanta fúria desmedida?
Como olhar nesta limitação atroz?


Mesmo no brado desesperado de meu definhar
Vejo-me caído num mar de dúvidas viscerais![banais?]
Como alguém pode seguir por este farol incerto?
Pode haver alguém mais perdido do que eu?


Desprovido de ilusões...Sendo agora tão necessárias!
Meu humor negro nestas horas tão escuras
Certamente já deixou-me de ser conveniente
Talvez um dia ria de verdade realmente...


Nos meus passos vacilantes tão frequentes
Porque não consigo libertar-me deste egoísmo...
Querer ser mais! Ser mais! Ser mais!
Queria deixar ver em miniatura,
Como é desconcertante ver as coisas tão pequenas!

Posso suportar qualquer coisa!
Qualquer peso! Qualquer dor...
Neste mundo de seres tão pequenos!
Só não resisto a mim mesmo...


Nuwanda!

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Tempo


Todos sonham em viver para sempre
Será essa a razão do mundo assim ser?
Incompreensível aos olhos meus?
Porque tudo que existe é criado?
Tanto tempo a juntar meros trocados?
Tanto trabalho em vão, tanto sofrer!
A maioria dos mortos-vivos anda triste sem saber...
Inclusive eu!
Talvez o mais triste neste cemitério!
O que não é neste átomo uma ilusão?
Esses carros! Essas casas! Esses amores!
Passar dentro de peneiras por empregos?
Basta um segundo a contemplar
Esses grãos de areia a voar!
E perceber enfim que tudo esta a ir...
Pedaços que não voltam mais,
Neste segundos vividos a perder
Nestas vidas medíocres sem saber
E no final todos morrer...


Nuwanda.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

VAZIO


Madrugada, e como tentei dormir hoje
Olhei o teto por alguns minutos
Nessas horas como os pensamentos nos importunam,
Depois tentei escrever algo que talvez
Coloca-se para fora o que sinto agora
Um poema?
Mas, como sinto se esvair todas as minhas paixões!
Como ousar um poema?
Quando acordar? Deste sono de tantos anos?
E simplesmente deixar-me ir...
VAZIO!
Não poderia existir outra palavra agora...
Talvez o fim do "poeta"...


Nuwanda...Largando o lápis.