segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Sou?


Não sou de ninguém!
Quem deseja me querer?
Ter o que sempre foi impermanente
Desejar pegar sem querer soltar enfim?

Não sei ser nem mesmo de mim
Vivendo sob a intransigência da minha incerteza
Que de tudo duvida e escarnece
Na incompreensão de compreender-me...

Lançando olhares nesse que desconheço
Na angústia de minha letargia
Sou a folha na relva à espera da tempestade...

Quem poderá ser o que vislumbro?
Ser aquilo que nem eu sei o que é...
Nesta solidão envolta de gente...

Nuwanda.
[ Além...

domingo, 8 de janeiro de 2012

Não tenhas nada na mãos



Não tenhas nada nas mãos
Nem uma memória na alma,

Que quando te puserem
Nas mãos o óbolo último,

Ao abrirem-te as mãos
Nada te cairá.

Que trono te querem dar
Que Átropos to não tire?

Que louros que não fanem
Nos arbítrios de Minos?

Que horas que te não tornem
Da estatura da sombra

Que serás quando fores
Na noite e ao fim da estrada.

Colhe as flores mas larga-as,
Das mãos mal as olhaste.

Senta-te ao sol. Abdica
E sê rei de ti próprio.



Fernando Pessoa