domingo, 26 de setembro de 2010

Naufrágio


Segue a nau para a dura viajem
Estrelas a barlavento! Brada o capitão!
Içam-se as velas! Do convés à popa todos bradam
Ao proibido! Ao proibido! E segue a nau do capitão...


Contra o vento segue firme
Tempestades não tem medo!
Segue assim o capitão,
Em direção ao interdito ensandecido...


Tua companhia em teus lábios na tua boca!
Teu calor tua alma é para mim a tempestade!
Sem saber onde tuas ondas desembocam
Quero perder-me em insana felicidade...


Bons ventos! Bons ventos! Brada o capitão
Perdido ao desdém da maré bravia
Ao proibido! Ao proibido! bradam a tripulação
Assim se perde a nau do capitão...

(...)

E no zénite somem na escuridão.


Nuwanda...In Nitimur In Vetitum

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Man on fire


Nas ardentes chamas a queimar
Incendeio esse estar que concebo
Pois jamais serei nada que antes um estar
Nos momentos ardentes que percebo
Que palavra alguma pode haver
Nada que possa sintetizar este não ser
Clamo a mim mesmo pois não há a quem clamar!
Apenas na tela fria vomitar
Os lamúrios covardes deste passar
E no alvoroço das minhas chamas tecer...
O plano mais sórdido perscrutar!
Clamo a mim mesmo pois não há a quem clamar!
Entre meus próprios gritos nada fazer!
Cotidiano frio quero ver-te arder!
Derreter-te e por uns segundos regozijar
A minha própria felicidade abraçar
Pelos instantes vertiginosos antes de desaparecer
E no fim quando no silêncio perecer
Clamarei a mim mesmo pois não há a quem clamar...


Nuwanda...

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Surreal


A ausência de nossas vidas
Clama pelo que deveríamos ser!
Por isso a dor nos devora nas madrugadas...
Arrancando-nos sem dó nossas esperanças

Concordar com a vida que se leva?
Quem pode dizer que sim? [mentir?]
Sem a saudade de algo que já não existe mais
Ou nunca sequer existiu?

Por que então correr demasiadamente?
Quantos livros à ler?
Felicidade em algo que desaquieta o viver?
Na solidão pode existir a quietude?

Como querer viver para sempre?
Neste envelhecer agonizante?
Há muito tempo que não tenho flores
Muito menos cores nos meus pincéis...

Restou-me o cinza entristecido,
O desconforto do cotidiano infernal
Será que estamos todos no inferno?

(...)

Mesmo no inferno existem anjos
Que entre nós nos dão o alivio
De alguns segundos de ar fresco...
Na destruição das inocências que restaram...

Nuwanda...Céu e inferno...

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Sou?



Esse sou eu!
Essa eterna curva...
Correndo pelo fim que não chega...
Fim? Começo? Recomeço...
Não existem retas neste que sou


Assim...


Sem perceber nada ao redor
Perco meus próprios traçados
Caminhos? Descaminhos...


Esse sou eu! Sou?
Obliterado de si mesmo!
E provavelmente aquele que jamais se encontrará!


[...]


Encontrar...
Se perder?
Torto... Enviesado... Pecados!
Pecados!?
"D e s...c r e n... t e" "D e s... a l... m a... do" " D e s... t e r... r a... d o"
Se me culparem?
Ou não entenderem?
Ponho a culpa no palhaço[...]


E quando tudo cair
E chegar o provável fim...
Quando chorando muitos estiverem a lamentar...
Eu! Mesmo sem ter-me encontrado
Estarei rindo!
No instante derradeiro sob a tumba fria...


Nuwanda...