domingo, 4 de maio de 2008

Walt Withman

“III – Ponho a mão no bordo da nave cinzenta, / Um pulo, e estou sorridente / entre a marinhagem alvoroçada, / que se curva e tira o gorro marujo azulado e brada: / “Viva o Capitão! Viva o Capitão!”
Não sei porque há tanto respeito / nos olhos desses marujos, bravios lobos do mar. / Só se nos meus olhos bondosos nasceu, de repente, / a chama aguda de um olhar autoritário. / Porque o meu rosto não infunde respeito. / O meu rosto é de criança espantada, / de criança alegre que vai pela primeira vez viajar.
Mas eu sei por que há tanto respeito / nos olhos desses marujos, bravios lobos do mar. / Só se nos meus olhos bondosos nasceu, de repente, / a chama aguda de um olhar autoritário. / Porque o meu rosto não infunde respeito. / O meu rosto é de criança espantada, / de criança alegre que vai pela primeira vez viajar.
Mas eu sei porque há tanta alegria / nos olhos desses marujos, bravios lobos do mar. / Todo marinheiro aborrece a terra firme. / E eles, raramente, acham um capitão para as viagens da nave cinzenta. / E sem capitão as naves não podem navegar!
IV – Estou de pé, na proa da minha nave. / O vento castiga o meu rosto, / e assobia nos cordames, como fazia nas naus antigas. / As velas estão inchadas, / estão esperando o “Larga!” para o vôo sobre o mar.
Tirei o meu boné para que os cabelos se revoltem. / Meus longos cabelos se agitam violentos! / Eu vi, num cinema, que ficam bem aos capitães de navios, / os cabelos batidos dos ventos, os olhos fixos num ponto longe, / como quem vai desvendar os mistérios do Mar!
V – “Para onde vamos capitão? Para onde vamos capitão?”
VI – Eu nunca vi o mar, nunca andei pelo mar, / não conheço os povos nem as cidades/ que estão à beira-mar. / - Timoneiro, leva-me para as Ilhas Afortunadas / que dançaram nos sonhos dos meus antepassados! / Mas, não! Aprova para o golfo Pérsico! / Eu quero mergulhar, em busca das pérolas maravilhosas, / que estão dormindo dento das conchas na escuridão das águas! / Desejo ir às Ilhas Desconhecidas, / às ilhas onde o Mar é manso como um céu sem vento. / Quero ancorar, Timoneiro, nos portos moles do Oriente, / para uma vez na vida descansar! / Quero ir pesar arenques nos mares grossos do Norte! / Quero ir a Londres, a Leningrado, a Nova York, a Yokoama! / Quero ir às curvas sombrias dos mares / para onde fogem os juncos bravios dos piratas! / Quero ir pelo Mundo, pelos mares do Mundo, / quero conhecer os povos da Terra, Timoneiro!
VII – Há um movimento entre a marinhagem. / As velas sobem, cortam-se as amarras, / e a nave batida do vento dá um salto no Mar.
O Timoneiro parece que põe atenção desusada, / formidável atenção nos movimentos que executa o leme. / Se não me engano, ele está contente em ir à toa pelo Mundo. / Mas todos os marinheiros estão contentes. Eles estão gritando: / “Pelo Mundo! Pelo Mundo!”.

Nenhum comentário: