quarta-feira, 19 de maio de 2010
Equações
domingo, 9 de maio de 2010
Vaidade (florbela)

Sonho que sou a poetiza eleita,
Aquela que diz e tudo sabe,
Que tem a inspiração pura e perfeita,
Que reúne num verso a imensidade!
Sonho que um verso meu tem claridade
Para encher todo o mundo! E que deleita
Mesmos aqueles que morrem de saudade!
Mesmo os de alma profunda e insatisfeita!
Sonho que sou alguém cá neste mundo...
Aquela de saber vasto e profundo,
Aos pés de quem a terra anda curvada!
E quando mais no céu eu vou sonhando,
E qunado mais no céu ando voando,
Acordo do meu sonho...
Florbela Espanca
terça-feira, 4 de maio de 2010
Lobo

Que grito poderia ser dado nesta hora?!!!!!!!
Que sensação estremece em mim?
Que força transborda deste que escreve agora?
Neste momento, um oceano de tempo!
Posso ser tudo!
Posso ir além do que sequer imaginei...
Já não é mais o medo que guiam estas tolas palavras
Nem angústia! Nem auto flagelo! É força!
E que me corta o respirar de tão intenso...
Não há versos que exprimam o que neste paradoxo,
É incontido no mais abissal eu que não conhecia...
Talvez amanhã já não esteja em mim...Latente?
Hoje! Posso tudo! Dentro de meu egoísmo mais perverso!
Hoje sou o caçador que espreita nas sombras
Meu olhar é firme! E decidido meus passos!
Não existe nada aqui que vacile neste gigante que me vejo!
E percebendo o perigo que este caminho leva...
Apenas gracejo com risos e desdenho nos lábios...
E não me é possível entender o medo que me movia!
Dentro das minhas falhas constantes!
Pois agora! A vida corre em meu sangue ardente!
E este que eu não conhecia emerge em mim!
Como o lobo que devora na floresta!
Onde nenhum outro pode atrever-se mirar em seus olhos...
Nuwanda?
segunda-feira, 26 de abril de 2010
Demônio

sábado, 24 de abril de 2010
Poeta
POETA, às horas mortas que o cálice azulado
— Da etérea flor — a noite — debruça-se p'ra o mar,
E a pálida sonâmbula, cumprindo o eterno fado,
As gazas transparentes espalha do luar,
Eu vi-te ao clarão, trêmulo dos astros lá n'altura
Pela janela aberta às virações azuis,
— A amante sobre o peito sedento de ternura,
A mente no infinito sedenta só de luz.
Perto do candelabro teu Lamartine terno
À tua espera abria as folhas de cetim;
Mas tu lias no livro, onde escrevera o Eterno
Letras — que são estrelas — no céu — folha sem fim
Cismavas... de astro em astro teu pensamento errava
Rasgando o reposteiro da seda azul dos céus:
E teu ouvido atento... em êxtase escutava
Nas virações da noite o respirar de Deus.
O oceano de tua alma, do crânio transbordando,
Enchia a natureza de sentimento e amor,
As noites eram ninhos de amantes s'ocultando,
O monte — um braço erguido em busca do Senhor.
Nas selvas, nas neblinas o olhar visionário
Via s'erguer fantasmas aqui... ali... além,
P'ra ti era o cipreste — o dedo mortuário
Com que o sepulcro aponta no espaço ao longe... alguém
No cedro pensativo, que a sós no descampado
Geme e goteja orvalhos ao sopro do tufão,
Vias um triste velho — sozinho, desprezado
Molhando a barba em prantos co'a fronte para o chão.
Aqui — ondina louca — vogavas sobre os mares —
Ali — silfo ligeiro — na murta ias dormir,
Anjo — de algum cometa, que vaga pelos ares,
Na cabeleira fúlgida brincavas a sorrir.
Sublime panteísta, que amor em ti resumes,
Sentes a alma de Deus na criação brilhar!
Perfume — tu subias, de um anjo entre os perfumes,
Ave do céu — nas nuvens teu ninho ias buscar.
Canta, poeta, os hinos, com que o silêncio acordas,
A natureza — é uma harpa presa nas mãos de Deus.
O mundo passa... e mira o brilho dessas cordas...
E o hino?... O hino apenas chega aos ouvidos teus.
Todo o universo é um templo — o céu a cúpula imensa,
Os astros — lampas de ouro no espaço a cintilar,
A ventania — é o órgão que enche a nave extensa,
Tu és o sacerdote da terra — imenso altar.
Castro Alves
sexta-feira, 16 de abril de 2010
Lamento...

quarta-feira, 7 de abril de 2010
Utopia

