
quarta-feira, 17 de março de 2010
Eu não sou de ninguém...

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Eu não sou de ninguém!... Quem me quiser
Há de ser luz do sol em tardes quentes;
Nos olhos de água clara há de trazer
As fúlgidas pupilas dos videntes!
Há de ser seiva no botão repleto,
Voz no murmúrio do pequeno inseto,
Vento que enfuna as velas sobre os mastros!...
Há de ser Outro e Outro num momento!
Força viva, brutal, em momento,
Astro arrastando catadupas de astros!
Florbela espanca
Alter ego
Quem me dera não ver-me com meus olhos Olhar-me de maneiras bem diversas
E quem sabe assim ser entre os astros
Diferente como agora vejo-me imerso em madrugadas...
Quero outros olhares! quem sabe a ternura?
Quero olhar para mim mesmo fugindo...
Como quem me olha passar e conjectura!
Arranca-me de mim! Um olhar novo que vai surgindo!
Observar como que de fora
É ver tudo com mais amplitude? Já é hora?
Talvez assim ver outro defronte do já esquecido...
E mesmo nas mentiras, oh doce ilusões
E entre teu mirar e meu olhar...Diverges
Da forma que me inflijo endoidecido...
Nuwanda...
sábado, 6 de março de 2010
Jasmim

Quem pode amar nesta vida?
Sentir-se realmente enternecido?
Felicidades que se vão esvaecidas...
Neste dia a dia entristecido...
Mas no teu andar vejo propósitos!
Que diferem dos meus passos que vacilam...
No revoar de teus cabelos tão explícitos!
Atropelando os que ficaram no caminho...
Ouse! Tudo o que te dizem impossível!
Ouse! Atravesse as montanhas que te prendem!
Ouse! Olhar e perceber quem você é de verdade!
Pois, daqui de onde estou,
Vacilante e temeroso,
Vejo alguém que merece muito mais do que sonhou...
.
Nuwanda... À quem admiro...
terça-feira, 23 de fevereiro de 2010
Máscara

Já não lembro-me mais de teu rosto
A cada dia desaparece um pouco mais
Teus traços...Tua face...Teu olhar...
Já não consigo mais lembrar-me...
E como tenho me esforçado pra te Olhar!
Por mais que corra em desespero!
Não para de afastar-se de mim
Perdendo-se na escuridão...Abra os olhos?
Talvez tenha razão quanto as tantas máscaras
Mas não pode-se negar que essa que vês
Tem-me sido a mesma por vários anos
Já será agora pele?
Tens a coragem de arrancar-lhe?
E ver o que nem eu mesmo ouso desnudar?
Ver que não sobrou nada do que você sequer conheceu?
Encare! O vazio que sou agora...
Nuwanda... Quando escrever deveria ser uma terapia?
Farol?

Ouve! O barulho que estremece estas paredes?
Ouve! O estertor que se faz presente em meu silêncio?
Pode a estrutura suportar tanta fúria desmedida?
Como olhar nesta limitação atroz?
Mesmo no brado desesperado de meu definhar
Vejo-me caído num mar de dúvidas viscerais![banais?]
Como alguém pode seguir por este farol incerto?
Pode haver alguém mais perdido do que eu?
Desprovido de ilusões...Sendo agora tão necessárias!
Meu humor negro nestas horas tão escuras
Certamente já deixou-me de ser conveniente
Talvez um dia ria de verdade realmente...
Nos meus passos vacilantes tão frequentes
Porque não consigo libertar-me deste egoísmo...
Querer ser mais! Ser mais! Ser mais!
Queria deixar ver em miniatura,
Como é desconcertante ver as coisas tão pequenas!
Posso suportar qualquer coisa!
Qualquer peso! Qualquer dor...
Neste mundo de seres tão pequenos!
Só não resisto a mim mesmo...
Nuwanda!
segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010
Tempo

Todos sonham em viver para sempre
Será essa a razão do mundo assim ser?
Incompreensível aos olhos meus?
Porque tudo que existe é criado?
Tanto tempo a juntar meros trocados?
Tanto trabalho em vão, tanto sofrer!
A maioria dos mortos-vivos anda triste sem saber...
Inclusive eu!
Talvez o mais triste neste cemitério!
O que não é neste átomo uma ilusão?
Esses carros! Essas casas! Esses amores!
Passar dentro de peneiras por empregos?
Basta um segundo a contemplar
Esses grãos de areia a voar!
E perceber enfim que tudo esta a ir...
Pedaços que não voltam mais,
Neste segundos vividos a perder
Nestas vidas medíocres sem saber
E no final todos morrer...
Nuwanda.
quarta-feira, 27 de janeiro de 2010
VAZIO

Madrugada, e como tentei dormir hoje
Olhei o teto por alguns minutos
Nessas horas como os pensamentos nos importunam,
Depois tentei escrever algo que talvez
Coloca-se para fora o que sinto agora
Um poema?
Mas, como sinto se esvair todas as minhas paixões!
Como ousar um poema?
Quando acordar? Deste sono de tantos anos?
E simplesmente deixar-me ir...
VAZIO!
Não poderia existir outra palavra agora...
Talvez o fim do "poeta"...
Nuwanda...Largando o lápis.
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