segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Surreal


A ausência de nossas vidas
Clama pelo que deveríamos ser!
Por isso a dor nos devora nas madrugadas...
Arrancando-nos sem dó nossas esperanças

Concordar com a vida que se leva?
Quem pode dizer que sim? [mentir?]
Sem a saudade de algo que já não existe mais
Ou nunca sequer existiu?

Por que então correr demasiadamente?
Quantos livros à ler?
Felicidade em algo que desaquieta o viver?
Na solidão pode existir a quietude?

Como querer viver para sempre?
Neste envelhecer agonizante?
Há muito tempo que não tenho flores
Muito menos cores nos meus pincéis...

Restou-me o cinza entristecido,
O desconforto do cotidiano infernal
Será que estamos todos no inferno?

(...)

Mesmo no inferno existem anjos
Que entre nós nos dão o alivio
De alguns segundos de ar fresco...
Na destruição das inocências que restaram...

Nuwanda...Céu e inferno...

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Sou?



Esse sou eu!
Essa eterna curva...
Correndo pelo fim que não chega...
Fim? Começo? Recomeço...
Não existem retas neste que sou


Assim...


Sem perceber nada ao redor
Perco meus próprios traçados
Caminhos? Descaminhos...


Esse sou eu! Sou?
Obliterado de si mesmo!
E provavelmente aquele que jamais se encontrará!


[...]


Encontrar...
Se perder?
Torto... Enviesado... Pecados!
Pecados!?
"D e s...c r e n... t e" "D e s... a l... m a... do" " D e s... t e r... r a... d o"
Se me culparem?
Ou não entenderem?
Ponho a culpa no palhaço[...]


E quando tudo cair
E chegar o provável fim...
Quando chorando muitos estiverem a lamentar...
Eu! Mesmo sem ter-me encontrado
Estarei rindo!
No instante derradeiro sob a tumba fria...


Nuwanda...

terça-feira, 24 de agosto de 2010


    O meu olhar é nítido como um girassol.
    Tenho o costume de andar pelas estradas
    Olhando para a direita e para a esquerda,
    E de vez em quando olhando para trás...
    E o que vejo a cada momento
    É aquilo que nunca antes eu tinha visto,
    E eu sei dar por isso muito bem...
    Sei ter o pasmo essencial
    Que tem uma criança se, ao nascer,
    Reparasse que nascera deveras...
    Sinto-me nascido a cada momento
    Para a eterna novidade do Mundo...

    Creio no mundo como num malmequer,
    Porque o vejo. Mas não penso nele
    Porque pensar é não compreender...

    O Mundo não se fez para pensarmos nele
    (Pensar é estar doente dos olhos)
    Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo...

    Eu não tenho filosofia; tenho sentidos...
    Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é,
    Mas porque a amo, e amo-a por isso
    Porque quem ama nunca sabe o que ama
    Nem sabe por que ama, nem o que é amar...

    Amar é a eterna inocência,
    E a única inocência não pensar...

    Alberto Caeiro, em "O Guardador de Rebanhos", 8-3-1914

domingo, 15 de agosto de 2010

Poemas de agosto


Lágrimas de sangue no teu rosto
entre os espelhos quebrados...
.
Sorrisos belos e perfeitos
encobrindo pesadelos medonhos...
.
Tudo é belo e esteticamente confortável
entre as misérias interiores...
.
Calhamaço ante olhos e mesas
entre ideais medíocres...
.
O diálogo cultural pautado no bom senso?
salve-se a tradição! Não deixe que se perca a identidade!
.
A paixão! O amor! Salve nossas vidas repletas de felicidade!
individual e falsa, ocupando os olhares sobre os monitores...


(...)


E se "D"eus quiser!
Salve a mim do inferno
E Deus proverá!
No fim já não mais existirei em mim
como me conheço agora...

.
Nuwanda...Fatídico Agosto...

Dia do estudante?


Meus queridos alunos!

Neste dia em que te homenageiam
Será que tens motivos para rir?
Ou comemorar tua real situação?
Quais os saberes que guardaste?
Ou os aprendizados que te valeram algo além das notas?
Qual o dia em que rindo feliz vieste à escola?
Quem pode cativar tua atenção?
Quem pode ensinar algo que queira aprender?
Neste teu dia ofereço-te minha amizade
Um sentimento de quem sabe que vocês podem mais!
Mas, não se esqueçam que neste dia!
Não tens muito que comemorar...

Nuwanda! Trinta anos de atraso educacional...

Distopia


Para onde mirar?
O que existe de verdade?
E essa falta em mim?
Até quando o isolamento?


(...)


Mesmo que os fantasmas voltem...
O que podem eles fazer por mim?
Existe alguém além das minhas idealizações?
Provavelmente eu já sei essa resposta...


Será o amor acreditar em coisas que não existem?
Como talvez nosso criador?
Quantas lentes já mudei?
E por que nem eu mesmo entendo o que escrevo?


Talvez por isso que quando escrevo,
Arranco de mim na maioria das vezes
Sentimentos irreconciliaveis comigo mesmo
E já não me pertencem mais
Por isso: escrevo, escrevo e escrevo...


[ Leva-me estas perguntas!



Nuwanda...Distópico

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Prisão


Vivo minha prisão ferrenha
como todos nós vivemos [martírio!
mas, cometi o erro de encarar
essas grades que estão a me barrar


Vejo tudo delimitado por um olhar [livre árbitrio?
correntes que arrastam possibilidades
nesta inércia fui capturado
ver a si mesmo é primazia?


Vejo nas mentiras minhas verdades
e nas verdades minhas piores falsidades
só embaralhado é possível viver neste cárcere?
Ver certas coisas é sinal do provável fim?


Morte em vida
vida e apatia
nas poucas escolhas
livre árbitrio?
Óh! Doce mentira...


Nuwanda...