sábado, 11 de outubro de 2008

Quisera que sim...


Ainda alegrias?
Em meio a tantas desventuras
Ainda esperança?
Em meio a tanto desamores...

Tristezas incontidas
Alegrias momentâneas
Barbáries sem tamanho!
Gestos espontâneos?


Eis o grande desafio:
Encontrar alguns motivos
Quem justifiquem este desatino...
Ainda vale a pena?


Nesta estrada aqui sozinho
Repensando tantas coisas...
Nesta vida desdenhosa
Há ainda uma esperança?


[quisera acreditar que sim...


Nuwanda

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

(in)sone


Quem pode te entender?
Neste teu mundo particular?
Distante, sozinha?
Aqueles que se aproximam, o que buscam?


Mas frente a tua bruma...
Todos recuam, perplexos
Só conseguem ver teu exterior
E como és de verdade...
Alguém ousaria entender?


Eu! Apenas eu!
Mesmo que duvide!
Posso entender este mundo (in)casulo
E me aproximar desta solidão
E o que busco, é muito mais do que outrora buscaram....


Tua neblina, teus ardis...
Não me fazem recuar
Meu olhar despedaçou as noções de bem e mal
Logo como sois de "verdade"
Só eu posso entender...


E nesta alta hora da madrugada
Em meio à sombras e escuridão
Onde todos dormem tranquilos
Eu e você (in)sones, envolvidos pelo silêncio
Dissipamos todas as dúvidas...


Assim não existe mais
Eu ou você
Apenas nós...


Nuwanda

domingo, 5 de outubro de 2008

Eu?


Quanto tempo posso continuar?
Quanto tempo as grades podem suportar?
Não há mais como sufoca-lo!
Preciso deixar que saia do cativeiro!


Sempre esteve aqui
Acorrentado, amordaçado
Reprimido, sufocado...
Mas agora grita! Berra!


Os muros não suportam mais
Já começam a ruir...
Em meio aos destroços
Ele resisti, de pé!


Esta prestes a transpassar
Esses tolos limites!
Nem "Nuwanda"...
Nem "Raul"...



Apenas eu mesmo...
[...intervalos de mim...

Nuwanda?

sábado, 4 de outubro de 2008

Acordar, viver

Como acordar sem sofrimento?
Recomeçar sem horror?
O sono transportou-me
àquele reino onde não existe vida
e eu quedo inerte sem paixão.


Como repetir, dia seguinte após dia seguinte,
a fábula inconclusa,
suportar a semelhança das coisas ásperas
de amanhã com as coisas ásperas de hoje?


Como proteger-me das feridas
que rasga em mim o acontecimento,
qualquer acontecimento
que lembra a Terra e sua púrpura
demente?
E mais aquela ferida que me inflijo
a cada hora, algoz
do inocente que não sou?


Ninguém responde, a vida é pétrea

Carlos Drummond
Dá-me a tua mão

Dá-me a tua mão:
Vou agora te contar
como entrei no inexpressivo
que sempre foi a minha busca cega e secreta.
De como entrei
naquilo que existe entre o número um e o número dois,
de como vi a linha de mistério e fogo,
e que é linha sub-reptícia.

Entre duas notas de música existe uma nota,
entre dois fatos existe um fato,
entre dois grãos de areia por mais juntos que estejam
existe um intervalo de espaço,
existe um sentir que é entre o sentir
- nos interstícios da matéria primordial
está a linha de mistério e fogo
que é a respiração do mundo,
e a respiração contínua do mundo
é aquilo que ouvimos
e chamamos de silêncio.

Clarisse Lispector


quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Vencido...


Sujeitado, ajoelhado!
Quantas derrotas posso sofrer?
Conhecimento inútil!
Mais uma dose de ilusão?


O que sou não vale de nada!
Neste mundo doente...
Só o ter têm serventia!
Malditos anões! Estão em todos os lugares!



Porque não viro a mesa?
O que me prende a esta mediocridade?
Tenho força eu sei!
Posso ver o que ninguém mais vê...


"O importante é saber ser pobre"


A mais sábia de todas as máximas!
Quanto menos necessidades melhor!
Quero me desprender deste mundo...


Só não posso me perder de você...


Nuwanda...


quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Set


Um grito de dor!
Set acabara de nascer!
Rasgando o flanco de sua mãe
Talvez um Deus verdadeiro?
.
Set foi assim
Maldade em meio aos mortais
Mas também o mais humano dos deuses?
Oposto ao "ser bom"
.
Fugindo das convenções
Gritando aos quatro ventos!
Set assassina seu irmão
Usando o ardil mais humano

Inveja
Ganância
Prepotência
Falsidade


Há coisas mais humanas?
Quem conseguiria viver como Osiris?
Ou ao lado de Isis?
Temos na alma traços de set


E veja quanto esforço!
Quanta gastura!
Quanto sofrer!
Para sufocar tais qualidades?


Pode alguém fugir do que é?
Neste conflito!
Entre Set e Osiris
Não sei se posso vencer...


Será que quero?


Nuwanda