
quarta-feira, 31 de dezembro de 2008
Escuta

terça-feira, 30 de dezembro de 2008
Distante...

Sensações desconcertantes
Que me fazem a mão tremer...
Que falta é essa afinal?
Ansiedade de não se sabe o quê...
Tempo desperdiçado...
Que escorre por minhas mãos...
Posso eu competir?
Terei eu vontade de me pôr a prova?
És minha metade?
Posso eu viver com esta falta?
Distâncias que destroem tudo...
Quanto tempo poderei nadar contra a corrente?
Talvez seja este medo que nos ponha um contra o outro?
Medo de não mais poder seguir...
Porque sentimos esse frio cada vez maior?
Quanto tempo a chama pode queimar?
Por isso nos fechamos desta forma?
Nos fechamos para o mundo, para que a chama não se apague?
E nesta desesperada fuga
As vezes nos desconhecemos um ao outro...
Nesta ausência infernal
Nesta falta doentia...
Tudo é cinzas
Tudo é escuridão...
Abra seus braços que os meus já estão abertos....
Sucumbir
Se perder...
Renascer?
Você em mim?
Eu em você?
Vai saber...
Nuwnda...Caindo...
segunda-feira, 29 de dezembro de 2008
A rocha

domingo, 28 de dezembro de 2008
Sem você

Tua falta percorre-me as veias
Esgota-me todos os sentidos!
Isolado sem tua companhia nada mais existe...
É o ar sem oxigênio
É a falta de ânimo em coisas prazerosas
São conversas jogadas fora
É o poeta sem nenhum verso
É loucura que maltrata
São dias cada vez mais cinzas
É tristeza sem nenhuma lágrima
São gritos que ninguém pode ouvir
É vontade de não fazer mais nada...
É descontar com minha ira em quem nada têm haver
Sem você é papel em branco...
Virtualidade solitária...
São toques sem sentimento...
São beijos no puro mármore...
Desejo de nada mais desejar!
São noites em claro com teu riso cravado em meu olhar!
Dia após dia te espreitando a espera de um sinal...
E bastou-me um simples gesto teu!
Para que timidamente as palavras !
Começassem a me preencher...
Novamente...
[Pode um poeta ser privado de sua razão de escrever?
Nuwnda...
Breve momento

coisas de minha alma. Alma? nem sei se tenho?
Vejo caminhos percorridos, olho para trás ,
busco explicações e quem me explica?
Só agora vejo o tempo perdido.
Ou quem sabe nem foi! Era uma luz, ou o que será que foi?
foram instantes breves, momentos quem sabe eternos?
Foi tudo tão rápido, como tudo aquilo que acontece
e não tem explicação. Mas, quando se cala e sente não
precisa de mais nada . Só o silêncio para definir tudo num breve instante.
sexta-feira, 26 de dezembro de 2008
A máscara

Eu sei que há muito pranto na existência,
Dores que ferem corações de pedra,
E onde a vida borbulha e o sangue medra,
Aí existe a mágoa em sua essência.
No delírio, porém, da febre ardente
Da ventura fugaz e transitória
O peito rompe a capa tormentória
Para sorrindo palpitar contente.
Assim a turba inconsciente passa,
Muitos que esgotam do prazer a taça
Sentem no peito a dor indefinida.
E entre a mágoa que masc’ra eterna apouca
A humanidade ri-se e ri-se louca
No carnaval intérmino da vida
Augusto dos Anjos
quarta-feira, 24 de dezembro de 2008
Frio

Não consigo chorar...
quinta-feira, 18 de dezembro de 2008
Sou teu...

A beira

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008
Apenas

terça-feira, 16 de dezembro de 2008
Folhas de Relva-Walt Whitman

CANÇÃO DE MIM MESMO
EU CELEBRO a mim mesmo,
E o que eu assumo você vai assumir,
Pois cada átomo que pertence a mim pertence a
[ você.
.
Vadio e convido minha alma,
Me deito e vadio à vontade .... observando uma
[ lâmina de grama do verão.
.
Casas e quartos se enchem de perfumes .... as
[ estantes estão entulhadas de perfumes,
Respiro o aroma eu mesmo, e gosto e o
[ reconheço,
Sua destilação poderia me intoxicar também,
[mas não deixo.
.
A atmosfera não é nenhum perfume .... não tem
[ gosto de destilação .... é inodoro,
É pra minha boca apenas e pra sempre .... estou
[ apaixonado por ela,
Vou até a margem junto à mata sem disfarces e
[ pelado,
Louco pra que ela faça contato comigo.
.
A fumaça de minha própria respiração,
Ecos, ondulações, zunzuns e sussurros .... raiz
[ de amaranto, fio de seda, forquilha e videira,
Minha respiração minha inspiração .... a batida
[ do meu coração .... passagem de sangue e
[ ar por meus pulmões,
O aroma das folhas verdes e das folhas secas,
[ da praia e das rochas marinhas de cores
[ escuras, e do feno na tulha,
O som das palavras bafejadas por minha voz ....
[ palavras disparadas nos redemoinhos do
[ vento,
Uns beijos de leve .... alguns agarros .... o
[ afago dos braços,Jogo de luz e sombra nas árvores enquanto [ oscilam seus galhos sutis,Delícia de estar só ou no agito das ruas, ou pelos [ campos e encostas de colina,Sensação de bem-estar .... apito do meio-dia [ .... a canção de mim mesmo se erguendo [ da cama e cruzando com o sol.
.
Uma criança disse, O que é a relva? trazendo um
[ tufo em suas mãos;
O que dizer a ela ?.... sei tanto quanto ela o que
[ é a relva.
.
Vai ver é a bandeira do meu estado de espírito,
[ tecida de uma substância de esperança verde.
Vai ver é o lenço do Senhor,
Um presente perfumado e o lembrete derrubado
[ por querer,
Com o nome do dono bordado num canto, pra
que possamos ver e examinar, e dizer
É seu ?
.
O blablablá das ruas .... rodas de carros e o
[ baque das botas e papos dos pedestres,
O ônibus pesado, o cobrador de polegar
[ interrogativo, o tinir das ferraduras dos
[ cavalos no chão de granito.
O carnaval de trenós, o retinir de piadas
[ berradas e guerras de bolas de neve ;
Os gritos de urra aos preferidos do povo ....
[ o tumulto da multidão furiosa,
O ruflar das cortinas da liteira — dentro um
[ doente a caminho do hospital,
O confronto de inimigos, súbito insulto,
[ socos e quedas,
A multidão excitada — o policial e sua estrela
[ apressado forçando passagem até o centro
[ da multidão;
As pedras impassíveis levando e devolvendo
[ tantos ecos,
As almas se movendo .... será que são invisíveis
[ enquanto o mínimo átomo é visível ?
Que gemidos de glutões ou famintos que
[ esmorecem e desmaiam de insolação
[ ou de surtos,
Que gritos de grávidas pegas de surpresa,
[ correndo pra casa pra parir,
Que fala sepulta e viva vibra sempre aqui....
[ quantos uivos reprimidos pelo decoro,
Prisões de criminosos, truques, propostas
[ indecentes, consentimentos, rejeições de
[ lábios convexos,
Estou atento a tudo e as suas ressonâncias ....
[ estou sempre chegando.
.
Sou o poeta do corpo,
E sou o poeta da alma.
.
Os prazeres do céu estão comigo, os pesares do
[ inferno estão comigo,
Aqueles, enxerto e faço crescer em mim mesmo
[ .... estes, traduzo numa nova língua.
.
Sou o poeta da mulher tanto quanto do homem,
E digo que é tão bom ser mulher quanto ser
[ homem,
E digo que não há nada maior que a mãe dos
[ homens.
Vadio uma jornada perpétua,
Meus sinais são uma capa de chuva e sapatos
[ confortáveis e um cajado arrancado
[ do mato ;
Nenhum amigo fica confortável em minha
[ cadeira,
Não tenho cátedra, igreja, nem filosofia;
Não conduzo ninguém à mesa de jantar ou à
[ biblioteca ou à bolsa de valores,
Mas conduzo a uma colina cada homem e mulher
[ entre vocês,
Minha mão esquerda enlaça sua cintura,
Minha mão direita aponta paisagens de
[ continentes, e a estrada pública.
.
Nem eu nem ninguém vai percorrer essa estrada
[ pra você,
Você tem que percorrê-la sozinho.
Não é tão longe assim .... está ao seu alcance,
Talvez você tenha andado nela a vida toda e não
[ sabia,
Talvez a estrada esteja em toda parte sobre a
[ água e sobre a terra.
.
Pegue sua bagagem, eu pego a minha, vamos em
[ frente;
Toparemos com cidades maravilhosas e nações
[ livres no caminho.
.
Se você se cansar, entrega os fardos, descansa a
[ mão macia em meu quadril,
E quando for a hora você fará o mesmo por mim;
.
Pois depois de partir não vamos mais parar.
segunda-feira, 15 de dezembro de 2008
Mergulhos

Queria

Cotidianos

vida?

domingo, 14 de dezembro de 2008
Avalanche
sábado, 13 de dezembro de 2008
Amor
A Ingenuidade de um olhar
Triste daquele que se deixa dominar...
Que não pode controlar suas emoções
É navio sem leme navegando sem destino...
Pode-se amar de outra maneira?
Sem voltar a ter olhos de um menino?
Quem controla alguma coisa nesta vida?
Que destino pode-se prever quando amamos?
Posso amar sem parecer um tolo?
Amar é gritar as mais belas sandices!
Ser mais do realmente se é! E ser!
Ah! O amor! Quem não se entregaria?
Felicidades instantâneas...
Hoje a noite é de luar repleta de estrelas!
Não poderia escrever de outra forma!
O que importa o olhar dos outros?
Com objetivos traçados? Quem pode nos deter?
(...)
Não fiz nenhum curso leitura de lábios...
Teus sussurros ao vento, mesmo tão longe...
Posso pegá-los no ar e como são claros!
Pois eles me dizem o que eu quero ouvir...
Prepara-te...
Nuwanda...
quinta-feira, 11 de dezembro de 2008
REPAREI QUE A POEIRA SE MISTURAVA ÀS NUVENS

Reparei que a poeira se misturava às nuvens,
e, sem pôr o ouvido na terra,
senti a pressa dos que chegavam.
Disse-me de repente: "Eis que o tropel avança".
Mas todos me olhavam como surdos,
e deixavam-me sem responder nada.
Vi as nuvens tornarem-se vermelhas
e repeti: "Eis que os incêndios se aproximam".
(Mas não havia mais interlocutores.)
"Eles vêm, eles não podem deixar de vir",
balbuciei para a solidão, para o ermo.
E já por detrás dos montes subiam chamas altas;
ou eram estandartes ou eram labaredas.
Perguntei: "Que me vale ter casa, parentes, vida?
Sou a terra que estremece? ou a multidão que avança?
Ó solidão minha, ó limites da criatura!
Meu nome está em mim? no passado ou no futuro?
Ninguém responde. E o fogo avança para meu pequeno enigma".
Apenas um anjo negro entreabriu seus lábios,
verdadeiramente como um botão de rosa.
"Death"
DEATH?
Por que me falas nesse idioma? perguntei-lhe, sonhando.
Em qualquer língua se entende essa palavra.
Sem qualquer língua.
O sangue sabe-o.
Uma inteligência esparsa aprende
esse convite inadiável.
Búzios somos, moendo a vida inteira
essa música incessante.
Morte, morte.
Levamos toda a vida morrendo em surdina.
No trabalho, no amor, acordados, em sonho.
A vida é a vigilância da morte,
até que o seu fogo veemente nos consuma
sem a consumir.
Cecília Meireles
além da terra além do céu

Além da Terra, além do Céu,
no trampolim do sem-fim das estrelas,
no rastro dos astros,
na magnólia das nebulosas.
Além, muito além do sistema solar,
até onde alcançam o pensamento e o coração,
vamos!
vamos conjugar
o verbo fundamental essencial,
o verbo transcendente, acima das gramáticas
e do medo e da moeda e da política,
o verbo sempreamar,
o verbo pluriamar,
razão de ser e de viver.
Carlos Drummond de Andrade
A Lucidez Perigosa

Estou sentindo uma clareza tão grande
que me anula como pessoa atual e comum:
é uma lucidez vazia, como explicar?
assim como um cálculo matemático perfeito
do qual, no entanto, não se precise.
Estou por assim dizer
vendo claramente o vazio.
E nem entendo aquilo que entendo:
pois estou infinitamente maior que eu mesma,
e não me alcanço.
Além do que:
que faço dessa lucidez?
Sei também que esta minha lucidez
pode-se tornar o inferno humano
- já me aconteceu antes.
Pois sei que
- em termos de nossa diária
e permanente acomodação
resignada à irrealidade
- essa clareza de realidade
é um risco.
Apagai, pois, minha flama, Deus,
porque ela não me serve
para viver os dias.
Ajudai-me a de novo consistir
dos modos possíveis.
Eu consisto,
eu consisto,
amém.
Clarice Lispector
quarta-feira, 10 de dezembro de 2008
Nossa música!

terça-feira, 9 de dezembro de 2008
Quatro Poemas
Colocando em evidência "tudo" o que eu sei
Menosprezando esta gente "medíocre!"
Em meus surtos megalomâniacos!
Fico a planejar a forma de "salva-los"
Oh! Massa "ignorante!"
Com suas vidas consumistas!
Em suas falas tediosas! Seus gestos mecanizados!
E passo assim horas a planejar...
Distribuir minhas visões "corretas" de mundo!
(...)
De repente, começo a ver quantas contradições...
E vejo esse mundo "perfeito" que criei
Recheado desses novos "eus" e subitamente congelo!
E percebo estarrecido que este novo mundo...
Não sobreviveria nem um dia sequer!
Desta forma quem é o medíocre então?
Para onde foram os ignorantes?
Onde foi parar o sábio?
Se na minha forma de compreensão
Esse mundo é impossível...
(...)
Onde foi parar minha superioridade?
Nuwanda... o sábio?
A salvo

Caminho florido...
Areia de praia...
Cachoeira d'água cristalina...
Trabalho bem remunerado e prazeroso...
Pensamentos coerentes...
Amores bem calminhos...
(...)
Que delírio é esse?
Como tudo me soa tão estranho? falso?
Meu caminhar é tão inverso...
Porque?
Como refazer caminhos...
Se apago minhas pegadas?
Com todo esse alvoroço!
(...)
Maldito o seja! Papel em branco!
Pare de me pedir palavras!
(...)
Nem todos nascemos no tempo certo...
Nem todos fazemos o que queríamos fazer...
Para alguns a roda da fortuna têm um ritmo diferente...
(...)
Papel maldito! Agora entendo porque te odeio tanto!
Encarar você! Papel maldito!
É encarar a mim mesmo...
E hoje você perdeu papel espelho!
Acabaram-se as linhas...
Nuwnda...Salvo pelo gongo...
lições
Sobre coisas que não devem ser feitas...
Sobre a hora certa das coisas.
Nunca! Sente-se sozinho!
Principalmente de madrugada, em noites sem estrelas...
Nunca se ponha a escrever, se pôr a prova...
Em noites como estas o melhor é não escrever
Poesias apenas sob o luar!
Ou com uma doce musa...
Que tenha belas madeixas e uma taça de vinho...
Senão! Não se ponha a fazer poesias!
Em noites assim, sem lua, sem estrelas...
O melhor é ir dormir...
Nuwanda...(in)sone.
segunda-feira, 8 de dezembro de 2008
Luz

domingo, 7 de dezembro de 2008
PANORAMA ALÉM

Não sei que tempo faz, nem se é noite ou se é dia.
Não sinto onde é que estou, nem se estou. Não sei de nada.
Nem de ódio, nem amor. Tédio? Melancolia.
-Existência parada. Existência acabada.
Nem se pode saber do que outrora existia.
A cegueira no olhar. Toda a noite calada
no ouvido. Presa a voz. Gesto vão. Boca fria.
A alma, um deserto branco: -o luar triste na geada...
Silêncio. Eternidade. Infinito. Segredo.
Onde, as almas irmãs? Onde, Deus? Que degredo!
Ninguém.... O ermo atrás do ermo: - é a paisagem daqui.
Tudo opaco... E sem luz... E sem treva... O ar absorto...
Tudo em paz... Tudo só... Tudo irreal... Tudo morto...
Por que foi que eu morri? Quando foi que eu morri?
Cecilia Meirelles
Monólogo

Para onde vão minhas palavras,
se já não me escutas?
Para onde iriam, quando me escutavas?
E quando me escutaste? - Nunca.
Perdido, perdido. Ai, tudo foi perdido!
Eu e tu perdemos tudo.
Suplicávamos o infinito.
Só nos deram o mundo.
De um lado das águas, de um lado da morte,
tua sede brilhou nas águas escuras.
E hoje, que barca te socorre?
Que deus te abraça? Com que deus lutas?
Eu, nas sombras. Eu, pelas sombras,
com as minhas perguntas.
Para quê? Para quê? Rodas tontas,
em campos de areias longas
e de nuvens muitas.
Cecilia Meirelles
Retrato

Eu não tinha este rosto de hoje,
assim calmo, assim triste, assim magro,
nem estes olhos tão vazios,
nem o lábio amargo.
Eu não tinha estas mãos sem força,
tão paradas e frias e mortas;
eu não tinha este coração
que nem se mostra.
Eu não dei por esta mudança,
tão simples, tão certa, tão fácil:
- Em que espelho ficou perdida
a minha face?
Cecília Meirelles
sexta-feira, 5 de dezembro de 2008
Não Sei Quantas Almas Tenho

Não sei quantas almas tenho.
Cada momento mudei.
Continuamente me estranho.
Nunca me vi nem acabei.
De tanto ser, só tenho alma.
Quem tem alma não atem calma.
Quem vê é só o que vê,
Quem sente não é quem é,
Atento ao que sou e vejo,
Torno-me eles e não eu.
Cada meu sonho ou desejo
É do que nasce e não meu.
Sou minha própria paisagem;
Assisto à minha passagem,
Diverso, móbil e só,
Não sei sentir-me onde estou.
Por isso, alheio, vou lendo
Como páginas, meu ser.
O que sogue não prevendo,
O que passou a esquecer.
Noto à margem do que li
O que julguei que senti.
Releio e digo: “Fui eu?”
Deus sabe, porque o escreveu.
Fernando Pessoa
Além de nós

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008
Acorda-me

Tudo é cinza, desprovido de beleza
.