domingo, 13 de maio de 2012

Rosa

Na vivência corrida do cotidiano
Tanta coisa importante se esquece
 E é preciso uma data consumista
Para dizer que se ama...

Na minha ignorância do dia-a-dia
Na ausência de minhas ações e atitudes
Faço destas palavras minha revelação
Pois você é o motivo de minha existência...

Quantas tribulações passamos
Quantos anos sofremos juntos
 Só eu e você sabemos...

Neste dia como quaisquer outro
Faço do meu viver o teu presente
Por que sois o motivo da minha existência...

[Obrigado mãe]


Teu filho.

sábado, 31 de março de 2012

Longe sobre as montanhas



O tormento das mesmas coisas
Que rasgam a carne por dentro
Dilaceram as vontades e desejos
E as palavras tomam o mundo vivido
E tudo torna-se igual sem gosto...

Talvez a hora de parar
Não escrever sequer um pensamento
Talvez a felicidade de não pensar?
Nesta noite insone desejo o sono
Sono em vida na paz que nunca quis..

Sufocar essa vontade mórbida
Que sufoca e aquece paradoxalmente
Nascido em uma época errônea, insuportável...

Solidão na multidão
Corações envaidecidos
Nas bençãos da divina da ignorância...

NUWANDA

quinta-feira, 29 de março de 2012

Velas negras



Como esses dias de silêncio sufocam
Aperto no peito e coração gélido...
Preciso respirar profundamente
Não existe ar suficiente agora...

Sobre minha cabeça as velas negras
Erguidas pela arrogância incompreendida...
E neste veleiro solitário...
Sob o mastro que me leva... Solidão.

Dai-me teus pedaços!
Deixa que tua boca seja meu ar enfim...
Na antropofagia de se iludir... Devoro-te...

Velas negras! Tempestades! Não se vão!
Ainda vivo! Mesmo sem tua boca!
Seguindo sozinho entre verdades de demonios...

Nuwanda... [desafios de escrever quando se está "vazio"]

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Escrevivendo




Estranho desejo de ferir-me
Por sentimentos tão confusos
E ao mesmo tempo tão reveladores
Nesse cotidiano tão vazio...

Nessas linhas tão inquietantes
Que me dizem o que tento esconder
E que para alguns soa tão sem sentido
Onde para mim tudo é tão visceral...

Nesse exercício egoísta e inútil
Tento entender este que escreve
Desvelar o vazio que na alma sinto
Nas palavras que tanto me apavoram...

Quem dera um dia seja honesto
E revele-me o que tanto anseio
Aquietando o espírito que sofre
Dissipando as brumas em mim contidas...


Nuwanda...

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Transcendente




Sonho que meus desejos
São idênticos ao de toda essa gente
Falseando a felicidade entorpecente
Sendo feliz na mediocridade que ensejo?

Mas acordo deste sonho de normais!
Que vão para a cova após suas vidas de mausoléu...
Nos semblantes ignorantes da felicidade que decai
Alegrando-me pelo desconforto que em mim faz escarcéu!

Não terei a dúvida do que existe além da montanha!
Destas vidas diminutas que se repetem
Em suas agonias de solidão crente de não vir ninguém...

[Por não ser ninguém.

Desta forma encaro tudo que me dilacera!
Dando risadas adversas que só eu posso ouvir
Deixando para trás quem jamais transcenderá...




Nuwanda...( Encontrando felicidade na adversidade...

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Sou?


Não sou de ninguém!
Quem deseja me querer?
Ter o que sempre foi impermanente
Desejar pegar sem querer soltar enfim?

Não sei ser nem mesmo de mim
Vivendo sob a intransigência da minha incerteza
Que de tudo duvida e escarnece
Na incompreensão de compreender-me...

Lançando olhares nesse que desconheço
Na angústia de minha letargia
Sou a folha na relva à espera da tempestade...

Quem poderá ser o que vislumbro?
Ser aquilo que nem eu sei o que é...
Nesta solidão envolta de gente...

Nuwanda.
[ Além...

domingo, 8 de janeiro de 2012

Não tenhas nada na mãos



Não tenhas nada nas mãos
Nem uma memória na alma,

Que quando te puserem
Nas mãos o óbolo último,

Ao abrirem-te as mãos
Nada te cairá.

Que trono te querem dar
Que Átropos to não tire?

Que louros que não fanem
Nos arbítrios de Minos?

Que horas que te não tornem
Da estatura da sombra

Que serás quando fores
Na noite e ao fim da estrada.

Colhe as flores mas larga-as,
Das mãos mal as olhaste.

Senta-te ao sol. Abdica
E sê rei de ti próprio.



Fernando Pessoa