quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Escrevivendo




Estranho desejo de ferir-me
Por sentimentos tão confusos
E ao mesmo tempo tão reveladores
Nesse cotidiano tão vazio...

Nessas linhas tão inquietantes
Que me dizem o que tento esconder
E que para alguns soa tão sem sentido
Onde para mim tudo é tão visceral...

Nesse exercício egoísta e inútil
Tento entender este que escreve
Desvelar o vazio que na alma sinto
Nas palavras que tanto me apavoram...

Quem dera um dia seja honesto
E revele-me o que tanto anseio
Aquietando o espírito que sofre
Dissipando as brumas em mim contidas...


Nuwanda...

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Transcendente




Sonho que meus desejos
São idênticos ao de toda essa gente
Falseando a felicidade entorpecente
Sendo feliz na mediocridade que ensejo?

Mas acordo deste sonho de normais!
Que vão para a cova após suas vidas de mausoléu...
Nos semblantes ignorantes da felicidade que decai
Alegrando-me pelo desconforto que em mim faz escarcéu!

Não terei a dúvida do que existe além da montanha!
Destas vidas diminutas que se repetem
Em suas agonias de solidão crente de não vir ninguém...

[Por não ser ninguém.

Desta forma encaro tudo que me dilacera!
Dando risadas adversas que só eu posso ouvir
Deixando para trás quem jamais transcenderá...




Nuwanda...( Encontrando felicidade na adversidade...

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Sou?


Não sou de ninguém!
Quem deseja me querer?
Ter o que sempre foi impermanente
Desejar pegar sem querer soltar enfim?

Não sei ser nem mesmo de mim
Vivendo sob a intransigência da minha incerteza
Que de tudo duvida e escarnece
Na incompreensão de compreender-me...

Lançando olhares nesse que desconheço
Na angústia de minha letargia
Sou a folha na relva à espera da tempestade...

Quem poderá ser o que vislumbro?
Ser aquilo que nem eu sei o que é...
Nesta solidão envolta de gente...

Nuwanda.
[ Além...

domingo, 8 de janeiro de 2012

Não tenhas nada na mãos



Não tenhas nada nas mãos
Nem uma memória na alma,

Que quando te puserem
Nas mãos o óbolo último,

Ao abrirem-te as mãos
Nada te cairá.

Que trono te querem dar
Que Átropos to não tire?

Que louros que não fanem
Nos arbítrios de Minos?

Que horas que te não tornem
Da estatura da sombra

Que serás quando fores
Na noite e ao fim da estrada.

Colhe as flores mas larga-as,
Das mãos mal as olhaste.

Senta-te ao sol. Abdica
E sê rei de ti próprio.



Fernando Pessoa

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Caçador de ilusões




Preciso urgentemente de ilusões coloridas
De quaisquer tamanhos, nem precisam ser formosas
Arranja-me uma pequena do tamanho da minha vida
Mas que não seja tão frágil como as pétalas de uma rosa...

Quantas ilusões eu tinha! Tantas! Todas!
Nos meus tempos de primavera! Doce menino!
Dai-me a ilusão pretendida e calmamente me acomoda,
E nos muitos alaridos de agradecido já não serei perdido...

Traga-me a ilusão que se recicla e não diga nada!
Olha-me como quem me deu a vida novamente,
E feliz apenas contemplemos o final desta caçada...

E quando mais! Essa ilusão não servir!
Saberemos que a busca recomeçou desesperadamente!
Nesta vida onde tantos estão a dormir.





Nuwanda... Acordado!

"Dedicado à você Patrícia, companheira na árdua jornada de pensar diferente em um mundo de iguais..."

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Prosa?



Nunca senti-me como fazendo parte de algo,
Algo realmente concreto, duradouro.
Vivo como se fosse um mero passageiro,
Não que minhas atitudes não tenham consequências,
Mas, como alguém que antes de tudo observa.
Mas, hoje depois de todo condicionamento sofrido,
Não mais penso em destinos, portos ou paraísos.
Escuto muitos planos todos os dias
Todos eles sob os auspícios de deus,
Carros novos, sonhos de casas próprias,
Amores eternos, príncipes encantados.
Estranhamente ou felizmente (ou não),
Nada disso realmente me importa. Nunca importou.
Isso sem contar no plano secreto de deus,
Cada vida uma missão, cada acontecimento um plano de algo maior.
Propósitos, desejos, sentido de vida,
Nada como algo que nos dê conforto e segurança.
Como a literatura predileta dos "brasileiros": "autoajuda"
Talvez não seja possível viver sem ela. Viva a autoestima.
Também concordo não ser uma forma de pensar "feliz"
Ou, que traga ao menos alguma forma de contentamento.
São nessas tardes "solitárias" que escrevemos,
De certa forma com alguma "verdade" nas mãos.

Nuwanda... "Se deus quiser!"

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Efêmero





No frêmito das paixões enlouquecidas
Que queimam como a palha ressequida
Ponho-me a questionar o que é o amor?
Para ter valor terá que ser eterna a dor?

Quem mente afinal? medíocres verdades...
Malditos desejos destes amores de falsidade
Na vã tentativa de direcionar o que não tem norte
Quebram-se os pedestais, sobra a morte...

Trago junto a inocência contida
Do sorriso e amor de uma criança,
O que mais teria sentido nesta vida?

Nada foi feito para durar...
Nada foi feito para ficar...
Nem mesmo nossos desejos egoístas...

Nuwanda... (Amém)