segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Caçador de ilusões




Preciso urgentemente de ilusões coloridas
De quaisquer tamanhos, nem precisam ser formosas
Arranja-me uma pequena do tamanho da minha vida
Mas que não seja tão frágil como as pétalas de uma rosa...

Quantas ilusões eu tinha! Tantas! Todas!
Nos meus tempos de primavera! Doce menino!
Dai-me a ilusão pretendida e calmamente me acomoda,
E nos muitos alaridos de agradecido já não serei perdido...

Traga-me a ilusão que se recicla e não diga nada!
Olha-me como quem me deu a vida novamente,
E feliz apenas contemplemos o final desta caçada...

E quando mais! Essa ilusão não servir!
Saberemos que a busca recomeçou desesperadamente!
Nesta vida onde tantos estão a dormir.





Nuwanda... Acordado!

"Dedicado à você Patrícia, companheira na árdua jornada de pensar diferente em um mundo de iguais..."

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Prosa?



Nunca senti-me como fazendo parte de algo,
Algo realmente concreto, duradouro.
Vivo como se fosse um mero passageiro,
Não que minhas atitudes não tenham consequências,
Mas, como alguém que antes de tudo observa.
Mas, hoje depois de todo condicionamento sofrido,
Não mais penso em destinos, portos ou paraísos.
Escuto muitos planos todos os dias
Todos eles sob os auspícios de deus,
Carros novos, sonhos de casas próprias,
Amores eternos, príncipes encantados.
Estranhamente ou felizmente (ou não),
Nada disso realmente me importa. Nunca importou.
Isso sem contar no plano secreto de deus,
Cada vida uma missão, cada acontecimento um plano de algo maior.
Propósitos, desejos, sentido de vida,
Nada como algo que nos dê conforto e segurança.
Como a literatura predileta dos "brasileiros": "autoajuda"
Talvez não seja possível viver sem ela. Viva a autoestima.
Também concordo não ser uma forma de pensar "feliz"
Ou, que traga ao menos alguma forma de contentamento.
São nessas tardes "solitárias" que escrevemos,
De certa forma com alguma "verdade" nas mãos.

Nuwanda... "Se deus quiser!"

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Efêmero





No frêmito das paixões enlouquecidas
Que queimam como a palha ressequida
Ponho-me a questionar o que é o amor?
Para ter valor terá que ser eterna a dor?

Quem mente afinal? medíocres verdades...
Malditos desejos destes amores de falsidade
Na vã tentativa de direcionar o que não tem norte
Quebram-se os pedestais, sobra a morte...

Trago junto a inocência contida
Do sorriso e amor de uma criança,
O que mais teria sentido nesta vida?

Nada foi feito para durar...
Nada foi feito para ficar...
Nem mesmo nossos desejos egoístas...

Nuwanda... (Amém)

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Canção de mim


Na outrora alegria de menino
Hoje neste meu eterno cansaço!
De forçar essas mentes de sargaço!
Nas euforias do meu coração ultramarino...

Entenda-me! Conceba-me? Ó vã miragem...
Quem poderia ser feliz e ser sozinho?
Aos desesperados dou então o meu carinho...
Estando além do oceano bravio e selvagem!

Felicidade! Em meio aos seus desertos...
Abro os meus olhos e posso sentir-me desperto!
Vão-se os torpores das companhias sonolentas...

Acordo do sono que em mim se instalou!
Mesmo sendo o inaudito para toda essa gente...
Ainda assim feliz em mim em meio aos dormentes...


Nuwanda!!!

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Revelação


Sou oceano de dúvidas a cada dia na alvorada triste
Nos questionamentos infindáveis sobre o que sou
Me falta o chão, verdades que não mais sustentam minha vida,
Em mim sobra a interrogação do questionar desesperante...

Sou eremita na vastidão do meu próprio julgamento
Na solidão que consome as certezas desviantes
Sou pior, sou diminuto aos que crêem constantemente
E mesmo assim na penumbra vejo em mim algo novo iluminado

Já não resta o "ser" nesse "estar" que me desvelo
E estou diverso do que é diverso nesse mundo tão igual
Vão-se as ilusões e sigo com meus próprios passos vacilantes
Vivendo as mudanças! E nada sou! Nada dura felizmente...

Sem molduras! Sem muletas! Sou em mim mesmo o divino
E vejo o mundo como nunca antes foi visto!
Sou o advento do novo homem em extinção!
E na tristeza perceber que estou além de qualquer outro...

Nuwanda...(Alguns não precisam de fé)

domingo, 30 de outubro de 2011

Tortura


Tirar dentro do peito a emoção,
A lúcida verdade, o sentimento!
- E ser, depois de vir do coração,
Um punhado de cinza esparso ao vento!…

Sonhar um verso d´alto pensamento,
E puro como um ritmo d´oração!
- E ser, depois de vir do coração,
O pó, o nada, o sonho dum momento!…

São assim ocos, rudes, os meus versos:
Rimas perdidas, vendavais dispersos,
Com que eu iludo os outros, com que minto!

Quem me dera encontrar o verso puro,
O verso altivo e forte, estranho e duro,
Que dissesse, a chorar, isto que sinto!

Florbela Espanca

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Tempo



Momentos sublimes, segundos em minha vida,
Onde posso eternizar meu viver efêmero.
Na tua presença, nesse teu mirar sincero,
Nada mais é urgente, nem mesmo as tolas feridas...

Expandi os horizontes desse único destino,
Assim acalmo desvencilhado de tantos desejos.
Vislumbrando aquilo que ninguém quer ver... Exaspero.
Fulgores de todas as mentiras, trago a verdade! Sou paladino...

Loucura de perceber miriádes de tempo tão estranhas...
Sobra a solidão no topo da montanha...
Vendo então o fantasma de minhas mãos vazias....

Assim sonhos e esperanças esvaem-se na dura batalha...
E o sublime desmorona no segundo que se findou...
Finalmente alethéia! Na doce verdade de Mortalha!

Nuwanda.