quarta-feira, 15 de abril de 2009

Zumbi


Hoje me vi como o mais só dos homens
Andando calçadas vazias
Caminhando sem direção, sem destino
Solidão não apenas de gente
Mas, solidão de sentimentos que devolvam a vida
A alegria de viver...
Será ainda possível?
A cada dia perco mais um pedaço do que fui outrora
Mas ainda a vida ao meu redor, sei que sim...
Então porque não me alegro com ela?
Não a tomo para mim?

(...)

Se auto-encontrar é se perder?
Como será possível viver de tal forma?
E de repente nada mais faz sentido...
Quebram-se nossas muletas que nos fazem caminhar...
E como se andar com as próprias pernas?
Ando como se um zumbi eu fosse...

(...)

Mas, mesmo com toda esta agonia de não se saber o porquê?

(...)

Ainda ando...


Nuwanda... faltas...



domingo, 12 de abril de 2009

Metades


Vidas vividas em desassossego
Existências preenchidas pela ausência...
Quantas faltas podemos suportar?
Vazios inexplicáveis...


Te achei! Ou me achastes?
Te amei! Ou me amastes?


Estamos agora neste momento!
Frente a frente de nossas dúvidas,
Poderíamos responder perguntas agora?
É pular! É sucumbir! É te amar...


Não queremos nada pela metade!
Não queremos amores líquidos!
Queremos tudo! Ou então o nada!
No teu olhar esta o fim de minhas ausências...


[Será que você vê o que eu vejo?



Nuwanda...Almas gemias?

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Ou isto ou aquilo




Ou se tem chuva e não se tem sol
ou se tem sol e não se tem chuva!

Ou se calça a luva e não se põe o anel,
ou se põe o anel e não se calça a luva!

Quem sobe nos ares não fica no chão,
quem fica no chão não sobe nos ares.

É uma grande pena que não se possa
estar ao mesmo tempo em dois lugares!

Ou guardo o dinheiro e não compro o doce,
ou compro o doce e gasto o dinheiro.

Ou isto ou aquilo: ou isto ou aquilo . . .
e vivo escolhendo o dia inteiro!

Não sei se brinco, não sei se estudo,
se saio correndo ou fico tranqüilo.

Mas não consegui entender ainda
qual é melhor: se é isto ou aquilo.

Cecília Meireles


domingo, 5 de abril de 2009

Medo?


Medo de se estar só nesta vida...
Medo de não haver mais ninguém simplesmente,
Medo de andar e não mais parar sem acolhida...
Medo...Quantos temores se passam em minha mente?


Viver talvez seja superar estes medos?
Medo de tudo e de mais nada...
Não seria esta a coragem afinal?
Não temer mais o fim da própria vida?


Quem teria coragem de por fim a própria agonia?
Não mais se sujeitar as piores feridas?
Esquecer... Esperanças já tão idas?


Que seja a loucura a condição da própria existência!
Para onde foi a minha?
Que louco sou? Que não teme nem a própria vida...


Nuwanda...Louco?

Ao vento...


Tua dor ao meu redor...
Reverberando em minha alma!
Como ser feliz? Sabendo de tantas dores?
E o mundo desaba em cima de nós...


Lágrimas de nossas ausências...
Saudades de coisas que nunca tivemos!
E nunca teremos, apenas nossa dor, tua dor...
Folhas ao chão a mercê deste vendaval...


Gritos entre multidões de surdos...
Entre palavras que não queremos ouvir! Conselhos?
E o caos e o abismo toma conta de nossas vidas...


Sentindo tua dor e escrevendo as minhas...
Não haverá lágrimas de minha parte,
pois tudo que sentimos faz parte de nossa essência...


[ Verbarrogia...

Nuwanda

segunda-feira, 30 de março de 2009

Tempo


Areias do tempo correndo entre meus dedos...
Cada grão que se vai nunca voltará...
Areias fugidias que desperdiço constantemente!
Quem gostaria de para sempre viver?


Que fuga é essa de mim mesmo?
Que outra vida poderia me apresentar?
Nem mesmo um caleidoscópio de vidas,
Nenhuma nunca seria suficiente para mim...


E o tempo se desfaz nesse momento...
Junto com sonhos que não ouso sonhar,
Sonhos que se vão nas areias do tempo...


Vazios que insisto em vida chamar!
Revolta que pleiteio sem saber contra o quê?
E neste viver assim tão pleno! Tempo! Passe logo de uma vez...



Nuwanda...impaciente!

domingo, 29 de março de 2009

A esperança



A Esperança não murcha, ela não cansa,
Também como ela não sucumbe a Crença.
Vão-se sonhos nas asas da Descrença,
Voltam sonhos nas asas da Esperança.
Muita gente infeliz assim não pensa;
No entanto o mundo é uma ilusão completa,
E não é a Esperança por sentença
Este laço que ao mundo nos manieta?
Mocidade, portanto, ergue o teu grito,
Sirva-te a Crença de fanal bendito,
Salve-te a glória no futuro - avança!
E eu, que vivo atrelado ao desalento,
Também espero o fim do meu tormento,
Na voz da Morte a me bradar; descansa!

Augusto dos Anjos