quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Éthos




Para quê escrever as mesmas coisas
As mesmas mágoas e desenganos
Perceber através de linhas dispersas
Que nada muda no final?


Não posso esconder-me do que sou!
Ser sozinho no abismo de mim mesmo
Na tentativa frustrada de todos os dias...
Alma inquieta das escolhas tristes penitente


Cercado pela miséria dos que me rodeiam
Nos pesados grilhões da ignorância
Almas abarrotadas das promessas de salvação


Nas verdades deste mundo inexisto...
Marginal escondido nos rótulos do permitido
Na apatia que em mim se espalhou.


Nuwanda...

sábado, 10 de maio de 2014

A flor que nunca te dei


Sonhei certa vez com flores de anis
Belo presente para promessas de um infeliz
Lírios tão belos como os olhos teus
Narcisos presos entre a ira de deus...

E nosso amor nunca foi tão florido!
Chuva de rosas e corações acendidos...
E tudo é luz nas pétalas dos girassóis
Felicidade incontida entre os rouxinóis!

E acordo deste sonho tão bonito!
Ilusões entre devaneios benditos...
Dou-me conta dos meus inúmeros fracassos!

Lembrando-me desta flor que nunca existiu... Fico contente!
Nas tempestades de nosso amor sobrevivente...
Sentimos as cores e os perfumes de todas as flores...


[Impregnado em nossos lençóis...]

Nuwanda.



terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Sonhos

          

A você
Nesta vida eu ando a alentar
O desterro dos meus sonhos a morrer
Que pelo caminho vejo-os ficar
Cada um dos meus anseios adormecer

Desespero de comigo não os ter
Na angústia de procurar e não ver nada!
Perdido sem luz, escurecer...
Castelo de sonhos em derrocada!

Na agonia de encontrar o meu destino
Ser crente penitente, cristalino!
E que ao fingir nem a mim posso enganar...

Invoco o sonho e levanto os braços
Minhas esperanças! Ó desatino! Cansaço...
Sem alento no definhar dos vivos...


Nuwanda? Sonhador?

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Reino das possibilidades



Onde está este lugar encantado?
Este lugar onde tudo é possível?
Destino das viagens mais penosas?
Reino das possibilidades infinitas?

Será que todos nascem com esse devir?
Ser aquilo que poderia ter sido?
Ou não ser? E fugir do destino?
Amor ou desamor? Felicidade no desatino?

Ou tudo não passa de esperanças vãs?
Invernos tristes nas almas e corações combalidos?
Demônio que renasce todos os dias!

E neste final das coisas que poderiam ter sido!
Dou meu último brado aguerrido!
Oh! Coração! Meu coração! 

Nuwanda! (Tombado, frio e morto?)

Poetas?


Talvez esteja fadado a observar
tudo que já não pode mais ser visto.

Escondido sob as cortinas observando,
talvez esteja destinado a sentir tudo, 

todos os sentimentos em cada criatura
como se meus fossem, como um ladrão.

Deverás não possam sentir por si mesmos!
Ou será que eu necessito do sentir esquecido dos outros?
Em mim tudo se transforma em fogo e dor.
Rasgando minhas entranhas ininterruptamente,
talvez seja esse o destino dos poetas (...)
dos mártires de um mundo que não pode mais ver,
de um mundo que  não consegue mais amar,
dos que vivem e já não podem mais viver (...) e assim vivo! 

Não por mim, mas por todos que esqueceram
de viver de verdade... Mas são felizes...

Nuwanda?

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Vislumbre


Para que serve-me estas mãos?
Senão para tocar-te!
Para que serve-me esta boca?
Senão para beijar-te!

E estes dedos que seguram a pena?
Que outra utilidade teria?
Senão compor-te a mais bela das sinfonias!
E perdem o tempo os tolos...

Invertendo a criação de nossas vidas
De faces imersas na melancolia
Contando moedas à beira do abismo

Salve meus olhos então!
Que te veem todos os dias!
Benditos em contemplar toda tua harmonia...


Nuwanda...

Idiossincrasia



Devora-me! arranca-me todos os pedaços!
Nesta ignorância que se espalha sinto o cansaço
E sigo pelas estradas desgastadas desta vida
Perdendo minha juventude a cada mordida...

Areia que cai no descompasso de minha agonia
E desperto deste sono em plena arritmia
Sufocado pelo esplendor desta aurora
Onde fenecem as mais lindas flores de outrora...

E sinto brotar de onde nada se via!
O calor de minha alma a alegria
Vislumbrando na derradeira hora...

Que estamos todos presos à teu laço
Mentindo no desconforto deste abraço
Oh tempo! Que para ninguém há saída...


Nuwanda