quinta-feira, 25 de junho de 2009

Incendiário


Fogo! Chamas vorazes! Cinzas...
Queimo em chamas criadas por mim mesmo...
Não é assim com você também?
Nos incendiando a tanto tempo...


Será que ousaremos recolher as cinzas?
E queimar novamente...
Ou simplesmente deixar o vento nos levar?
Talvez por isso tão sozinhos?


[Chamas que varrem todos de perto de nós...



Já sabíamos as consequências...
Incendiários de nós mesmos!
Como a lareira onde queima suportaria?


Consumir cada pedaço de mim...
Que queimem os covardes com minhas chamas!
Que corram com o medo de suas existências!



[Quanto a mim? O vento me leva as alturas...



Nuwanda...podes ver?

sábado, 20 de junho de 2009

Pesar...



O peso de todos os dias que virão sobre mim...
Futuro! Teu nome é demônio!
Porque preocupar-se tanto contigo?
Eu que tenho o olhar mais apurado dentre muitos...


[...Já não tenho mais.


Cego! Cativo das ilusões mais banais...
Neste mirar de mim mesmo apenas escuridão!
Mas, será que ainda vejo além do outro?
Tantos outros me julgando, me adequando...

[...Aqui mesmo as ilusões mais cruéis ainda são notadas.

Cada dia arranco uma raiz do que fui outrora...
Tantos passados vividos de um estranho!
Eu sento e observo, quem era aquele que vivia em mim?
Tantas crenças, tantos sonhos, alegrias...

[...Eis o preço do desprendimento.

(...)

Nem tudo pode ser falado...
Nem tudo pode ser entendido...
Nem tudo pode ser notado...

(...)

Muito menos por mim...


Nuwanda...

sexta-feira, 12 de junho de 2009

paradoxo...


Escombros... Pedaços jogados ao chão...
Caos por todos os lados!
Sentimentos loucos! Desvairados!
Escombros...Ambas paredes ruíram...


Você já sabia que eu não iria parar...
Qual muro deteria minha fúria escarlate?
Lembra que posso ver através de qualquer véu?
E assim te vejo por sobre esse muro que já não existe...


Encurralada? perdida? Louca?
O que esperava? A bonança? Calmaria em meus braços?
Em meio à tempestade não adianta resistir...


E me vejo aqui distante...
Sentindo toda a força deste paradoxo!
Pois...Sinto tudo que sente..As mesmas dores...



Nuwanda...halo...

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Indiferença


Escrever? Como quando trazemos apenas indeferença?
E acordando e vivendo e dormindo...Sem nada sentir?
Não seria este o ideal de muitos? Desprender dos desejos?
Escapar do sofrer? Fugir do sentir? A vida dos equilibrios?


(...)


Escrever?
Por que? Para quê?
Escrever versos vazios? Mentirosos?
Quando as coisas perdem valor? O que se fazer?
Vida vivida pelo equilibrio frágil de um vir a ser...[Que não sou eu...]



Indiferença!
É a ti que clamo!
É a ti! Ó indiferença!
Esta carcaça vazia clama por ti!



Tendo andado por terrenos nebulosos!
Tentei me enganar...
Tendo andado a tanto tempo dentro ilusoes!
Tentei me enganar...
Tomei a mentira por verdade!
Mas, o engano foi a queda de um abismo dentro do outro...


E na queda abri os olhos...Para depois fecha-los novamente



Nuwanda...pqp

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Paciente


Quanto se pode suportar?
Tolerar, absorver calmamente?
Realmente como somos superiores!
Baixando a cabeça e oferecendo nossas vontades...
Nossa vida! Nossos melhores anos...
Injustiças vindas principalmente de quem amamos,
E suportamos!
Subservientes!
Esperançosos!
E lá se vai mais um ano...
Qual comprimido pode oferecer felicidade?
Não queremos felicidades de momentos...
Quantos sinais nosso corpo nos dá?
E...Quantos damos ouvidos?
Existe algo que se retorce dentro de nós,
Com maior ou menor força ele quer sair...
Talvez nosso eu verdadeiro?
Verdades?
O que pode surgir de dentro de nós?
Será que nós ainda existiríamos?
Talvez este seja o medo?
Foda-se! A paciência e a quietude!


(...)



Nuwanda...Seguindo passos?

domingo, 3 de maio de 2009

FOLHAS DE ROSA



Todas as prendas que me deste, um dia,
Guardei-as, meu encanto, quase a medo,
E quando a noite espreita o pôr-do-sol,
Eu vou falar com elas em segredo...
E falo-lhes d’amores e de ilusões,
Choro e rio com elas, mansamente...
Pouco a pouco o perfume do outrora
Flutua em volta delas, docemente...
Pelo copinho de cristal e prata
Bebo uma saudade estranha e vaga,
Uma saudade imensa e infinita
Que, triste, me deslumbra e m’embriaga
O espelho de prata cinzelada,
A doce oferta que eu amava tanto,
Que reflectia outrora tantos risos,
E agora reflecte apenas pranto,
E o colar de pedras preciosas,
De lágrimas e estrelas constelado,
Resumem em seus brilhos o que tenho
De vago e de feliz no meu passado...
Mas de todas as prendas, a mais rara,
Aquela que mais fala à fantasia,
São as folhas daquela rosa branca
Que a meus pés desfolhaste, aquele dia...

Florbela Espanca

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Vastidão


Vazios indescritíveis...
A quanto tempo eu assim sem nada sentir?
Descrente! De tudo e de mim mesmo...
Andando perdido atormentado por desvarios...


Mais eis! Que caindo esbarro em você...
Olhos vastos em verde perdição...
Oh! vastidão de um olhar!
E assim encarei o que ninguém pode ver...


E nesta velocidade dos acontecimentos...
Palavras são atiradas em desonância,
Tentando justificar e racionalizar...Em vão...


Não se pula pela metade!
Não se ama sem cativar e sem ser cativado!
E nesta queda frenética e ensandecida!

Nada temo! Pois encaro o verde do teu olhar...



Nuwanda...